{"id":80059,"date":"2015-08-26T16:08:21","date_gmt":"2015-08-26T19:08:21","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=80059"},"modified":"2015-08-26T16:53:51","modified_gmt":"2015-08-26T19:53:51","slug":"franca-aprova-declaracao-dos-direitos-do-homem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/franca-aprova-declaracao-dos-direitos-do-homem\/","title":{"rendered":"Fran\u00e7a aprova Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos do Homem"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"bigtitle\" data-section=\"MEM\u00d3RIA\"><\/h1>\n<p><time class=\"time d-b\" datetime=\"2015-08-26BRT16:08\">Max Altman\u00a0<\/time><\/p>\n<div class=\"subtitle\"><em><strong>Tratava-se de dar ao povo franc\u00eas um &#8220;catecismo c\u00edvico&#8221;, t\u00e3o apregoado por Jean-Jacques Rousseau, uma esp\u00e9cie de seculariza\u00e7\u00e3o dos Dez Mandamentos<\/strong><\/em><\/div>\n<div class=\"descript\">Em 26 de agosto de 1789, ap\u00f3s seis dias de discuss\u00e3o, o texto definitivo da \u201cDeclara\u00e7\u00e3o dos Direitos do Homem e do Cidad\u00e3o\u201d \u00e9 aprovado pela Assembleia Nacional constituinte.Inebriados por suas sucessivas vit\u00f3rias perante o rei Lu\u00eds XVI, os parlamentares franceses, ent\u00e3o encarregados de redigir uma constitui\u00e7\u00e3o, decidiram elaborar uma \u201cdeclara\u00e7\u00e3o de direitos\u201d que servisse de pre\u00e2mbulo \u00e0 nova carta. Ap\u00f3s um intenso trabalho de burilagem, o texto definitivo foi apresentado, em forma de 17 artigos.<\/p>\n<div class=\"image-vertical\"><img decoding=\"async\" title=\"Wikicommons\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/arquivos\/upload\/declaracao.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<div class=\"img-vertical-descript\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A apar\u00eancia de dec\u00e1logo que a declara\u00e7\u00e3o assumiu devia-se ao passado crist\u00e3o dos parlamentares, que, apesar de se declararem seguidores do anticlerical Voltaire e do Iluminismo, haviam quase todos passado sua vida escolar nos bancos dos col\u00e9gios religiosos.<\/p>\n<p>Tratava-se de dar ao povo franc\u00eas um &#8220;catecismo c\u00edvico&#8221;, t\u00e3o apregoado por Jean-Jacques Rousseau, uma esp\u00e9cie de seculariza\u00e7\u00e3o dos Dez Mandamentos. Sobressaem na declara\u00e7\u00e3o os assim considerados direitos naturais e imprescrit\u00edveis do homem: liberdade, prosperidade, seguran\u00e7a, resist\u00eancia \u00e0 opress\u00e3o.<\/p>\n<p>Os representantes do povo franc\u00eas, reunidos em Assembleia Nacional, tendo em vista que a ignor\u00e2ncia, o esquecimento ou o desprezo dos direitos do homem s\u00e3o as \u00fanicas causas dos males p\u00fablicos e da corrup\u00e7\u00e3o dos governos, resolveram declarar solenemente os direitos naturais, inalien\u00e1veis e sagrados do homem, a fim de que esta declara\u00e7\u00e3o, sempre presente em todos os membros do corpo social, lembrasse permanentemente seus direitos e seus deveres; a fim de que os atos do Poder Legislativo e do Poder Executivo, podendo ser a qualquer momento comparados com a finalidade de toda a institui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, sejam por isso mais respeitados; a fim de que as reivindica\u00e7\u00f5es dos cidad\u00e3os, doravante fundadas em princ\u00edpios simples e incontest\u00e1veis, se dirijam sempre \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da constitui\u00e7\u00e3o e \u00e0 felicidade geral.<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o disto, a Assembl\u00e9ia Nacional reconhece e declara, na presen\u00e7a e sob a \u00e9gide do Ser Supremo, os seguintes direitos do homem e do cidad\u00e3o:<\/p>\n<p>Art.1\u00ba. Os homens nascem e s\u00e3o livres e iguais em direitos. As distin\u00e7\u00f5es sociais s\u00f3 podem fundamentar-se na utilidade comum.<\/p>\n<p>Art. 2\u00ba. A finalidade de toda associa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 a conserva\u00e7\u00e3o dos direitos naturais e imprescrit\u00edveis do homem. Esses direitos s\u00e3o a liberdade, a prosperidade, a seguran\u00e7a e a resist\u00eancia \u00e0 opress\u00e3o.<\/p>\n<p>Art. 3\u00ba. O princ\u00edpio de toda a soberania reside, essencialmente, na na\u00e7\u00e3o. Nenhuma opera\u00e7\u00e3o, nenhum indiv\u00edduo pode exercer autoridade que dela n\u00e3o emane expressamente.<\/p>\n<p>Art. 4\u00ba. A liberdade consiste em poder fazer tudo que n\u00e3o prejudique o pr\u00f3ximo. Assim, o exerc\u00edcio dos direitos naturais de cada homem n\u00e3o tem por limites sen\u00e3o aqueles que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos. Estes limites apenas podem ser determinados pela lei.<\/p>\n<p>Art. 5\u00ba. A lei n\u00e3o pro\u00edbe sen\u00e3o as a\u00e7\u00f5es nocivas \u00e0 sociedade. Tudo que n\u00e3o \u00e9 vedado pela lei n\u00e3o pode ser obstado e ningu\u00e9m pode ser constrangido a fazer o que ela n\u00e3o ordene.<\/p>\n<p>Art. 6\u00ba. A lei \u00e9 a express\u00e3o da vontade geral. Todos os cidad\u00e3os t\u00eam o direito de concorrer, pessoalmente ou atrav\u00e9s de mandat\u00e1rios, para a sua forma\u00e7\u00e3o. Ela deve ser a mesma para todos, seja para proteger, seja para punir. Todos os cidad\u00e3os s\u00e3o iguais a seus olhos e igualmente admiss\u00edveis a todas as dignidades, lugares e empregos p\u00fablicos, segundo a sua capacidade e sem outra distin\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja a das suas virtudes e dos seus talentos.<\/p>\n<p>Art. 7\u00ba. Ningu\u00e9m pode ser acusado, preso ou detido sen\u00e3o nos casos determinados pela lei e de acordo com as formas por esta prescritas. Os que solicitam, expedem, executam ou mandam executar ordens arbitr\u00e1rias devem ser punidos; mas qualquer cidad\u00e3o convocado ou detido em virtude da lei deve obedecer imediatamente, caso contr\u00e1rio torna-se culpado de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Art. 8\u00ba. A lei apenas deve estabelecer penas estrita e evidentemente necess\u00e1rias e ningu\u00e9m pode ser punido sen\u00e3o por for\u00e7a de uma lei estabelecida e promulgada antes do delito e legalmente aplicada.<\/p>\n<p>Art. 9\u00ba. Todo acusado \u00e9 considerado inocente at\u00e9 ser declarado culpado e, se julgar indispens\u00e1vel prend\u00ea-lo, todo o rigor desnecess\u00e1rio \u00e0 guarda da sua pessoa dever\u00e1 ser severamente reprimido pela lei.<\/p>\n<p>Art. 10\u00ba. Ningu\u00e9m pode ser molestado por suas opini\u00f5es, incluindo opini\u00f5es religiosas, desde que sua manifesta\u00e7\u00e3o n\u00e3o perturbe a ordem p\u00fablica estabelecida pela lei.<\/p>\n<p>Art. 11. A livre comunica\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias e das opini\u00f5es \u00e9 um dos mais preciosos direitos do homem. Todo cidad\u00e3o pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, respondendo, todavia, pelos abusos desta liberdade nos termos previstos na lei.<\/p>\n<p>Art. 12. A garantia dos direitos do homem e do cidad\u00e3o necessita de uma for\u00e7a p\u00fablica. Esta for\u00e7a \u00e9, pois, institu\u00edda para frui\u00e7\u00e3o por todos, e n\u00e3o para utilidade particular daqueles a quem \u00e9 confiada.<\/p>\n<p>Art. 13. Para a manuten\u00e7\u00e3o da for\u00e7a p\u00fablica e para as despesas de administra\u00e7\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel uma contribui\u00e7\u00e3o comum que deve ser dividida entre os cidad\u00e3os de acordo com suas possibilidades.<\/p>\n<p>Art. 14. Todos os cidad\u00e3os t\u00eam direito de verificar, por si ou pelos seus representantes, da necessidade da contribui\u00e7\u00e3o p\u00fablica, de consenti-la livremente, de observar o seu emprego e de lhe fixar a reparti\u00e7\u00e3o, a coleta, a cobran\u00e7a e a dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Art. 15. A sociedade tem o direito de pedir contas a todo agente p\u00fablico pela sua administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Art. 16. A sociedade em que n\u00e3o esteja assegurada a garantia dos direitos nem estabelecida a separa\u00e7\u00e3o dos poderes n\u00e3o tem constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Art. 17. Como a propriedade \u00e9 um direito inviol\u00e1vel e sagrado, ningu\u00e9m dela pode ser privado, a n\u00e3o ser quando a necessidade p\u00fablica legalmente comprovada o exigir e sob condi\u00e7\u00e3o de justa e pr\u00e9via indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tratava-se de dar ao povo franc\u00eas um &#8220;catecismo c\u00edvico&#8221;, t\u00e3o apregoado por Jean-Jacques Rousseau, uma esp\u00e9cie de seculariza\u00e7\u00e3o dos Dez Mandamentos<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":80060,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-80059","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/declaracao.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80059","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80059"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80059\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/80060"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80059"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80059"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80059"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}