{"id":80898,"date":"2015-08-30T09:36:06","date_gmt":"2015-08-30T12:36:06","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=80898"},"modified":"2015-08-30T09:36:06","modified_gmt":"2015-08-30T12:36:06","slug":"assexuais-lutam-por-respeito-e-visibilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/assexuais-lutam-por-respeito-e-visibilidade\/","title":{"rendered":"Assexuais lutam por respeito e visibilidade"},"content":{"rendered":"<div id=\"topoNot\">\n<h2 class=\"titMateria colorNot\"><\/h2>\n<p class=\"creditoMateria\">Fabiana Mascarenhas<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"materia\">\n<div id=\"fotoFullHoriz\">\n<div class=\"flexslider\">\n<ul class=\"slides\">\n<li><img decoding=\"async\" title=\"Estudo aborda a vida das pessoas que n\u00e3o t\u00eam desejo sexual - Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/fw.atarde.uol.com.br\/2015\/08\/650x375_charge-assexuais_1556177.jpg\" alt=\"Estudo aborda a vida das pessoas que n\u00e3o t\u00eam desejo sexual - Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/>\n<p class=\"flex-caption\">Estudo aborda a vida das pessoas que n\u00e3o t\u00eam desejo sexual<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>H\u00e1 quem diga &#8211; normalmente em tom de brincadeira &#8211; que chocolate \u00e9 t\u00e3o bom quanto sexo. Para alguns, no entanto, ele \u00e9 muito melhor. E n\u00e3o somente o chocolate. Na contram\u00e3o dessa sociedade cada vez mais hipersexualizada, existem indiv\u00edduos que dizem haver coisas muito melhores na vida do que transar.<\/p>\n<p>Mais do que isso: eles afirmam n\u00e3o sentir atra\u00e7\u00e3o sexual. A esta aus\u00eancia de desejo por outra pessoa, d\u00e1-se o nome de assexualidade.<\/p>\n<p>E se, no passado, o fil\u00f3sofo franc\u00eas Michel Foucault provocou discuss\u00f5es ao questionar se precisamos mesmo de um sexo verdadeiro, hoje a pergunta que vem intrigando especialistas de diversas \u00e1reas \u00e9: ser\u00e1 que todo ser humano, necessariamente, \u00e9 dotado de desejos sexuais?<\/p>\n<p>Os assexuais defendem que n\u00e3o. Suas vozes e hist\u00f3rias n\u00e3o est\u00e3o nas novelas, nos programas de TV, nas discuss\u00f5es de bar e, at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, n\u00e3o eram conhecidas, mas passaram a ter eco e visibilidade ap\u00f3s o surgimento da internet, sobretudo com o crescimento das comunidades virtuais e das redes sociais.<\/p>\n<p>Nestes espa\u00e7os, eles trocam d\u00favidas, conselhos, confid\u00eancias, embora raramente queiram mostrar o rosto nos jornais. A equipe de reportagem tentou entrevistar tr\u00eas baianos assexuais que participam de comunidades nas redes sociais, mas n\u00e3o obteve retorno at\u00e9 o fechamento desta edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A mesma dificuldade teve a pedagoga Elisabete Regina de Oliveira, que resolveu se debru\u00e7ar sobre o tema em sua tese de doutorado, defendida em maio de 2015 na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade S\u00e3o Paulo (USP). O objetivo foi compreender a trajet\u00f3ria de autoidentifica\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos assexuais, com destaque para suas intera\u00e7\u00f5es sociais na escola.<\/p>\n<p>&#8220;Os estudos sobre a sexualidade humana no Ocidente j\u00e1 surgiram sob a \u00e9gide da sexo-normatividade, pois partiam do pressuposto de uma for\u00e7a sexual estruturante das diferentes sexualidades, inerente aos corpos. Os assexuais est\u00e3o fora deste conceito que estabelece o que \u00e9 normal e, naturalmente, s\u00e3o muito discriminados por isso. Este receio de aparecer \u00e9 compreens\u00edvel&#8221;.<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades, Elisabete conseguiu estudar a vida\u00a0 de 40 assexuais, de 15 a 59 anos, de quatro regi\u00f5es brasileiras. Dois deles, inclusive, s\u00e3o baianos, um de Salvador e outro de Vit\u00f3ria da Conquista.<\/p>\n<p>Segundo ela, diferentemente do celibato, que \u00e9 uma escolha, e do desejo sexual hipoativo, que \u00e9 uma patologia, a assexualidade est\u00e1 atrelada \u00e0 falta de interesse em rela\u00e7\u00f5es sexuais, fato que n\u00e3o impede a forma\u00e7\u00e3o de la\u00e7os afetivos e rom\u00e2nticos.<\/p>\n<p><strong>Associa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Parte dos assexuais afirma j\u00e1 ter se apaixonado. O sentimento de amor e a atra\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o est\u00e3o necessariamente associados. Por isso, da mesma forma que muitos praticam rela\u00e7\u00f5es sexuais sem amar seus parceiros, \u00e9 poss\u00edvel amar algu\u00e9m sem que se queira relacionar-se sexualmente com a pessoa, e \u00e9 esse \u00faltimo caso que ocorre muitas vezes com os assexuais&#8221;, explica a pedagoga.<\/p>\n<p>Segundo a psicanalista e sex\u00f3loga Carmen Janssen, a falta de atra\u00e7\u00e3o sexual pode ocorrer por diversas raz\u00f5es, como traumas e disfun\u00e7\u00f5es hormonais, mas nem sempre est\u00e1 relacionada a algum problema de sa\u00fade f\u00edsico ou mental. &#8220;Se essa falta de libido n\u00e3o gera sofrimento para esse indiv\u00edduo, n\u00e3o h\u00e1 problema algum&#8221;, garante.<\/p>\n<p>De acordo com a psicanalista e fil\u00f3sofa Solange Meinking, em alguns casos ocorre a sublima\u00e7\u00e3o ou transfer\u00eancia do desejo sexual para outras \u00e1reas. &#8220;Freud (criador da psican\u00e1lise) fala que somos libido. A libido \u00e9 energia propulsora da vida e pass\u00edvel de ser sublimada, desviada para um objetivo n\u00e3o sexual, como a arte, a literatura e as atividades profissionais&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Cobran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>O trabalho de Elisabete Oliveira revela que n\u00e3o \u00e9 a aus\u00eancia de desejo sexual por outra pessoa, mas a cobran\u00e7a da sociedade, um dos principais problemas enfrentados pelos assexuais.<\/p>\n<p>Entre os relatos, est\u00e1 o de Gilda, 59: &#8220;A pr\u00e1tica do sexo para mim era um ped\u00e1gio social. Tive experi\u00eancias heterossexuais e homossexuais; tentei, mas n\u00e3o consegui, de jeito nenhum, sentir interesse&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Para o psic\u00f3logo\u00a0 Adriano Cysneiros, tamb\u00e9m\u00a0 membro do Grupo de Pesquisa em Cultura e Sociedade (CUS) da Universidade Federal da Bahia (Ufba), a cobran\u00e7a por uma hegemonia do desejo sexual \u00e9 resultado de uma sociedade que ainda n\u00e3o compreende a diversidade sexual.<\/p>\n<p>&#8220;Esta diversidade diz respeito \u00e0 sexualidade e, tamb\u00e9m, \u00e0 maneira como cada um entende a pr\u00e1tica sexual. Para uns, sexo \u00e9 essencialmente a transa, uma atividade genital. Para outros, n\u00e3o, \u00e9 algo mais amplo&#8221;, pontua.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Bullying \u00e9 um dos problemas<\/strong><\/p>\n<p>A escritora curitibana Luciana Do Rocio, 41, desde a adolesc\u00eancia se achava diferente das outras pessoas. Quando os colegas de escola falavam sobre suas experi\u00eancias sexuais, sentia repulsa. &#8220;Tinha nojo e, como n\u00e3o me relacionava com ningu\u00e9m, eles achavam que eu era homossexual. Sofri bullying, era chamada de Maria Sapat\u00e3o, l\u00e9sbica, chegaram a me dar uma cueca de presente em um dos meus anivers\u00e1rios&#8221;, conta.<\/p>\n<p>O sentimento de inadequa\u00e7\u00e3o s\u00f3 acabou quando ela encontrou, na internet, relatos de pessoas que tamb\u00e9m diziam n\u00e3o ter vontade de transar. &#8220;Foi a\u00ed que percebi que outras pessoas eram como eu. Vi que o que sentia tinha um nome: assexualidade&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, a escritora n\u00e3o esconde que n\u00e3o tem desejo sexual. &#8220;Gosto de me relacionar, me apaixono pelas pessoas, mas n\u00e3o tenho vontade de transar com elas. Sou uma assexual rom\u00e2ntica&#8221;, descreve.<\/p>\n<p>Subclassifica\u00e7\u00f5es<br \/>\nEsta \u00e9 apenas uma das subclassifica\u00e7\u00f5es da assexualidade. H\u00e1 outras, como mostra o boxe acima. Alecsander Gon\u00e7alves, por exemplo,\u00a0 define-se como assexual arrom\u00e2ntico, aquele que n\u00e3o sente atra\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica ou que n\u00e3o possui interesse por relacionamentos rom\u00e2nticos.<\/p>\n<p>&#8220;A minha fam\u00edlia e os colegas costumam dizer que sou assexual porque nunca tive experi\u00eancia sexual e nunca me apaixonei; ou pensam que sou homossexual e ainda n\u00e3o me descobri.\u00a0 Na verdade, sou virgem e, simplesmente, n\u00e3o me interessa ter experi\u00eancias sexuais&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Alecsander, assim como ocorreu com os homossexuais, os assexuais ter\u00e3o mais visibilidade no futuro. &#8220;Para isso, \u00e9 importante que os assexuais lutem por essa visibilidade. Precisamos ser reconhecidos e respeitados&#8221;, defende.<\/p>\n<div class=\"modServicos\">\n<h4 class=\"colorNot\">Subclassifica\u00e7\u00f5es da assexualidade<\/h4>\n<p><strong>Assexual rom\u00e2ntico &#8211; <\/strong>Aquele indiv\u00edduo que, apesar de n\u00e3o ter interesse na pr\u00e1tica sexual com outra pessoa, pode ter interesse rom\u00e2ntico por algu\u00e9m do sexo oposto, do mesmo sexo ou de ambos<\/p>\n<p><strong>Assexual arrom\u00e2ntico &#8211;\u00a0<\/strong>Sem atra\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica ou n\u00e3o possui interesse por relacionamentos rom\u00e2nticos<\/p>\n<p><strong>Lithrom\u00e2ntico &#8211;\u00a0<\/strong>\u00c9 aquela Pessoa que pode se apaixonar,\u00a0no entanto esse sentimento costuma\u00a0manifestar-se de forma plat\u00f4nica e idealizada, n\u00e3o se materializando jamais<\/p>\n<p><strong>Demissexual &#8211;<\/strong> Indiv\u00edduo que s\u00f3 consegue sentir atra\u00e7\u00e3o sexual por algu\u00e9m se tiver grande sentimento rom\u00e2ntico pela pessoa<\/p>\n<p><strong>Fonte: <\/strong><a href=\"http:\/\/www.assexualidade.org\/\">www.assexualidade.org<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo ela, diferentemente do celibato, que \u00e9 uma escolha, e do desejo sexual hipoativo, que \u00e9 uma patologia, a assexualidade est\u00e1 atrelada \u00e0 falta<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":80899,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327],"tags":[],"class_list":["post-80898","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/retrato-duas-mulheres.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80898","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80898"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80898\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/80899"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80898"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80898"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80898"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}