{"id":81381,"date":"2015-09-02T00:46:12","date_gmt":"2015-09-02T03:46:12","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=81381"},"modified":"2015-09-02T00:46:12","modified_gmt":"2015-09-02T03:46:12","slug":"mae-tambem-tem-direito-a-indenizacao-moral-por-filho-morto-em-usina-de-cana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/mae-tambem-tem-direito-a-indenizacao-moral-por-filho-morto-em-usina-de-cana\/","title":{"rendered":"M\u00e3e tamb\u00e9m tem direito a indeniza\u00e7\u00e3o moral por filho morto em usina de cana"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"title\" style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<div class=\"wysiwyg\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0s filhas de um trabalhador morto em servi\u00e7o n\u00e3o impede que a m\u00e3e do falecido tamb\u00e9m seja reparada financeiramente pelo \u00f3bito. Com esse entendimento, a 5\u00aa Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 9\u00aa Regi\u00e3o\u00a0manteve de forma un\u00e2nime a decis\u00e3o de primeiro grau que condenou uma usina de cana-de-a\u00e7\u00facar a pagar R$ 130 mil \u00e0 m\u00e3e de um funcion\u00e1rio que morreu durante o trabalho. O relator do caso foi o desembargador Sergio Guimar\u00e3es Sampaio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-81382 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cortado-de-cana.jpeg\" alt=\"cortado de cana\" width=\"620\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cortado-de-cana.jpeg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cortado-de-cana-300x145.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalhador, que estava na\u00a0empresa havia 20 anos, morreu ao ser atingido pelo caldo extra\u00eddo da cana-de-a\u00e7\u00facar, a uma temperatura superior a 105\u00b0C. As atividades dele\u00a0consistiam no acompanhamento das opera\u00e7\u00f5es de fabrica\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar e mel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 26 de junho de 2012, o funcion\u00e1rio fazia a manuten\u00e7\u00e3o de um equipamento denominado decantador, utilizado em uma das etapas da fabrica\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool e que armazena e processa caldo de cana-de-a\u00e7\u00facar a uma temperatura de mais de 100\u00b0C. Durante a execu\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, o equipamento, que continha um milh\u00e3o de litros do produto, estourou, resultando numa enxurrada de caldo fervente que atingiu cerca de 20 empregados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filho da reclamante teve o corpo inteiro tomado por queimaduras de terceiro grau e, em virtude dos ferimentos, morreu no dia seguinte. A m\u00e3e da v\u00edtima ajuizou a\u00e7\u00e3o trabalhista, pedindo repara\u00e7\u00e3o pelos danos morais sofridos pela perda do filho. Alegou que o acidente aconteceu durante atividade de risco em proveito da empregadora e, &#8220;por culpa desta&#8221;, vitimou o filho, com o qual mantinha rela\u00e7\u00e3o de &#8220;inequ\u00edvoco e imensur\u00e1vel afeto&#8221;. Em sua defesa, a empresa afirmou n\u00e3o ter tido culpa pelo acidente\u00a0e ressaltou que todas as normas de seguran\u00e7a foram cumpridas, e as manuten\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas, realizadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hereditariedade contestada<\/strong><br \/>\nAp\u00f3s ser condenada em primeira inst\u00e2ncia, a usina apresentou recurso da decis\u00e3o contestando a legitimidade da m\u00e3e do trabalhador para receber as verbas relativas aos danos morais gerados pela morte do funcion\u00e1rio. No ordenamento jur\u00eddico, segundo a empresa, o \u00fanico crit\u00e9rio objetivo para indicar a pessoa com direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, em casos como o relatado no processo, \u00e9 o da hereditariedade. A empresa destacou ainda que as filhas do trabalhador falecido j\u00e1 foram indenizadas em outro processo que julgou o mesmo fato\u00a0e j\u00e1 extinto por meio de senten\u00e7a, que homologou um acordo entre as partes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, o TRT julgou o recurso e manteve a decis\u00e3o de primeiro grau, alegando que o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00e3o de autoria das filhas n\u00e3o afasta o direito do ascendente de requerer indeniza\u00e7\u00e3o proveniente do mesmo fato. O relator Sergio Guimar\u00e3es Sampaio, afirmou que a dor moral decorrente da morte violenta por acidente de trabalho \u00e9 comum aos familiares pr\u00f3ximos da v\u00edtima, que possuem com ela la\u00e7os de afetividade. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel recorrer &#8220;\u00e0 ordem de voca\u00e7\u00e3o heredit\u00e1ria para se afastar o direito do ascendente \u00e0 repara\u00e7\u00e3o do dano moral provocado pela morte&#8221;, disse o relator. <em>Com informa\u00e7\u00f5es da Assessoria de Imprensa do TRT-9.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0s filhas de um trabalhador morto em servi\u00e7o n\u00e3o impede que a m\u00e3e do falecido tamb\u00e9m seja reparada financeiramente pelo \u00f3bito. 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