{"id":82097,"date":"2015-09-05T10:50:22","date_gmt":"2015-09-05T13:50:22","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=82097"},"modified":"2015-09-05T10:50:22","modified_gmt":"2015-09-05T13:50:22","slug":"os-efeitos-emocionais-da-crise-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/os-efeitos-emocionais-da-crise-politica\/","title":{"rendered":"Os efeitos emocionais da crise pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<div class=\"news_heading\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"news_heading\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"news_heading\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"gallery_desc\">Dilma virou o &#8220;Judas&#8221;, diz psic\u00f3logo Aur\u00e9lio Melo, professor da Mackenzie, durante entrevista na qual enumera os impactos da corrup\u00e7\u00e3o na vida emocional dos brasileiros. Aur\u00e9lio Melo possui gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (1990), mestrado (1999) e doutorado (2013) em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pelo Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/span><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a class=\"yellowlight\" href=\"mailto:alinemoura.pe@dabr.com.br\">Aline Moura<\/a><\/p>\n<div class=\"news_body\">\n<div class=\"font_change\">\n<div id=\"abanoticia\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_82098\" aria-describedby=\"caption-attachment-82098\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-82098 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/desespero-emocional.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"428\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/desespero-emocional.jpg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/desespero-emocional-300x201.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/desespero-emocional-620x415.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/desespero-emocional-160x106.jpg 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-82098\" class=\"wp-caption-text\">Para psic\u00f3logo, as pessoas t\u00eam de reagir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de ceder e repetir o erro do outro, faltando com a \u00e9tica e o respeito. Uma das sa\u00eddas para os sintomas emocionais \u00e9 se conhecer melhor e exercer a cidadania<\/figcaption><\/figure>\n<p>A crise pol\u00edtica n\u00e3o causa apenas uma baixa na popularidade da presidente Dilma Rousseff (PT) e nervosismo no mercado. Tem efeitos no inconsciente coletivo dos brasileiros, provocando um tipo de doen\u00e7a emocional generalizada. As not\u00edcias frequentes sobre a corrup\u00e7\u00e3o t\u00eam impactos variados sobre o emocional das pessoas. Estimulam que ajam de forma anti\u00e9tica e faltem ao respeito com o pr\u00f3ximo. Ainda deixam o indiv\u00edduo com baixa autoestima e mais agressivo. Essa \u00e9 a an\u00e1lise feita pelo psic\u00f3logo Aur\u00e9lio Melo,\u00a0 professor da Mackenzie (SP).\u00a0 Ele ainda sugere algumas alternativas para que o indiv\u00edduo n\u00e3o se desespere e n\u00e3o se espelhe no exemplo negativo do outro. Veja os principais trechos da entrevista que ele concedeu ao <strong>Diario<\/strong>, por telefone.<\/p>\n<p>Temos visto agress\u00f5es do mundo virtual se transformarem em realidade? Como a crise pol\u00edtica est\u00e1 atingindo o inconsciente coletivo?<br \/>\nUm cidad\u00e3o pensa no pa\u00eds como a casa dele. Uma casa maior, uma fam\u00edlia. Se ele se decepciona com quem governa, com quem decide, \u00e9 como se decepcionasse com ele mesmo. Ent\u00e3o, no m\u00ednimo, a gente perde um pouco da autoestima, da moral, come\u00e7a a falar mal das nossas coisas, perde o orgulho\u2026 Eu diria que o maior preju\u00edzo \u00e9 perder o respeito e, a\u00ed, a pessoa come\u00e7a a comprometer a \u00e9tica e a conduta. A rigor, n\u00e3o deveria ser assim. A a\u00e7\u00e3o do outro n\u00e3o justifica a minha a\u00e7\u00e3o. Mas, psicologicamente, \u00e9 assim que funciona. Se o ped\u00e1gio \u00e9 abusivo, por exemplo, se o dinheiro \u00e9 desviado, at\u00e9 que ponto voc\u00ea n\u00e3o fica tentado a desviar o ped\u00e1gio, entrar pelo acostamento? Isso \u00e9 o maior preju\u00edzo da quest\u00e3o pol\u00edtica: a gente come\u00e7a a banalizar a corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na vida pessoal, as pessoas se sentem levadas a serem menos \u00e9tica?<br \/>\nSim. As pessoas est\u00e3o permeadas pelo social, principalmente nas condutas. A rigor, uma m\u00e1 a\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria justificar outra, mas, psicologicamente, isso enfraquece as pessoas. Voc\u00ea passa a perder o respeito e voc\u00ea fica mais tentado a agir de maneira err\u00f4nea. Se o imposto que voc\u00ea paga n\u00e3o tem um determinado fim, ent\u00e3o voc\u00ea pensa: \u201cPor que eu n\u00e3o devo tirar vantagem?\u201d \u00c9 claro que t\u00eam pessoas quase imperme\u00e1veis. Elas n\u00e3o abrem m\u00e3o da \u00e9tica, pelo contr\u00e1rio, elas podem at\u00e9 se fortalecer e dizer: \u201cIsso \u00e9 mais um motivo para agir corretamente, porque eu sou um dos poucos\u201d.\u00a0 Mas eu diria que a grande maioria tende a ceder e dizer: \u201cEu estou jogando o jogo errado, \u00e9 cada um por si, \u00e9 um vale tudo\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_82099\" aria-describedby=\"caption-attachment-82099\" style=\"width: 320px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-82099 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/psiquiatra.jpg\" alt=\"psiquiatra\" width=\"320\" height=\"210\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/psiquiatra.jpg 320w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/psiquiatra-300x197.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-82099\" class=\"wp-caption-text\">Professor analisa que a banaliza\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o causa perda da autoestima e do orgulho, levando os indiv\u00edduos a se considerarem &#8220;bobos&#8221; e acreditar que est\u00e3o num &#8220;vale tudo&#8221;<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea tende a se achar um trouxa?<br \/>\nExatamente. Voc\u00ea se sente lesado, voc\u00ea \u00e9 o bobo, isso \u00e9 muito ruim. Estamos passando por um momento onde as institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o muito enfraquecidas e a baixa autoestima \u00e9 uma coisa complicada. Voc\u00ea valoriza o que vem de fora, passa a fazer uma generaliza\u00e7\u00e3o, a esquecer as coisas boas\u2026 Deixa de brigar pelas coisas que s\u00e3o suas.<\/p>\n<p>A gente pode comparar esse momento a um casamento muito desgastado, no qual o respeito come\u00e7a a faltar?<br \/>\nPode ser uma met\u00e1fora. Na rela\u00e7\u00e3o conjugal, isso \u00e9 muito comum. Quando um falta o respeito, o outro tende a revidar de forma pior. A gente vive como se fosse um contrato social. Se uma das partes quebrar o contrato, a outra n\u00e3o se sente obrigada a seguir. Assisti a uma palestra em Portugal na \u00e1rea de organiza\u00e7\u00e3o de empresas, onde se sistematizou que existe um contrato psicol\u00f3gico. Se voc\u00ea trabalha numa empresa e a empresa come\u00e7a a destratar voc\u00ea, a sua rela\u00e7\u00e3o com ela muda. Aquele contrato psicol\u00f3gico, aquela rela\u00e7\u00e3o que havia desde o in\u00edcio come\u00e7a a se modificar. O indiv\u00edduo passa a ver as coisas diferentes. Isso n\u00e3o est\u00e1 escrito, \u00e9 uma moral de cada um.<br \/>\nEst\u00e1 acontecendo isso no campo pol\u00edtico. Estamos perdendo o respeito e tolerando cada vez menos, sem falar que existe o fen\u00f4meno da generaliza\u00e7\u00e3o, de falar que nenhum pol\u00edtico presta, que toda empresa p\u00fablica \u00e9 corrupta, todo funcion\u00e1rio p\u00fablico \u00e9 ocioso, vagabundo.<\/p>\n<p>Temos visto muito nas redes sociais o seguinte: \u201cAh, voc\u00ea votou em Dilma, ent\u00e3o voc\u00ea tamb\u00e9m \u00e9 corrupto\u201d<br \/>\nAh, que \u00e9 isso? A\u00ed, eu daria uma explica\u00e7\u00e3o puramente psicol\u00f3gica. Por uma quest\u00e3o econ\u00f4mica, a gente generaliza, por pregui\u00e7a de pensar. Generalizar \u00e9 mais f\u00e1cil. Economicamente \u00e9 mais vi\u00e1vel n\u00e3o ter o trabalho de pensar como a realidade \u00e9 complexa e a gente n\u00e3o consegue lidar. A realidade \u00e9 complexa e a gente n\u00e3o sabe lidar com isso. Me mandaram um Whatsapp no qual um bandido que foi preso, recentemente, diz que a culpa \u00e9 da Dilma!!! E ele falou s\u00e9rio isso. Quer dizer: A Dilma est\u00e1 sendo criticada de maneira muito pessoal e isso mostra o esvaziamento da pol\u00edtica. H\u00e1 uma personifica\u00e7\u00e3o, mas ela uma personagem do jogo, de uma grande engrenagem. E acaba virando o Judas. \u00c9 muito pobre, \u00e9 muito pessoal. O pensamento \u00e9 pregui\u00e7oso, \u00e9 econ\u00f4mico.<br \/>\nA mem\u00f3ria tem uma fun\u00e7\u00e3o perniciosa. Sempre que a gente pode, a gente lembra (do que aconteceu) para n\u00e3o pensar. Ao inv\u00e9s de voc\u00ea pensar que tudo \u00e9 novo, que voc\u00ea tem que pensar de novo, voc\u00ea lembra: \u201cAh, esse cara \u00e9 parecido com o que eu conheci. Ele n\u00e3o presta\u201d. Pensar d\u00e1 trabalho, voc\u00ea fica cansado, voc\u00ea n\u00e3o assimila a realidade.<\/p>\n<p>Como podemos comparar o momento do Brasil com outro que aconteceu no mundo?<br \/>\nA gente pode pensar at\u00e9 num elemento mais radical que foi o Hitler e muita gente fala: \u201cAquele monstro\u201d. Mas, na Alemanha, muita gente apoiou Hitler. Ele era extremamente popular. \u00c9 importante que as pessoas entendam que uma pessoa s\u00f3 n\u00e3o tem o poder de fazer uma coisa, ela est\u00e1 respaldada. Hitler era algu\u00e9m amado pela Alemanha, foi apoiado pela burguesia francesa, que achava que ia se dar bem, ganhar dinheiro com ele. O Vaticano fechou os olhos para Hitler e metade do mundo estava apoiando ele. At\u00e9 que ele realmente come\u00e7ou a incomodar e a turma deu um jeito nele. \u00c9 como o Estado isl\u00e2mico. Tudo bem, ningu\u00e9m ama o Estado Isl\u00e2mico, mas n\u00e3o faz nada. Porque (o Estado Isl\u00e2mico) n\u00e3o come\u00e7ou a bater na sua porta.<\/p>\n<p>Como \u00e9 que se muda isso na pol\u00edtica?<br \/>\nEu penso que a m\u00eddia deveria fazer mais contrapontos, como este. Mostrar que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim. Mostrar aspectos que fogem do senso comum. Uma coisa que a esquerda fez, que se tornou senso comum, por exemplo, foi romancear os pobres. A s classes mais pobres s\u00e3o vistas como v\u00edtimas, oprimidas, mas, na minha opini\u00e3o, a classe mais pobre se tornou extremamente conservadora e reacion\u00e1ria para manter alguns valores. \u00c9 uma contradi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nIsso \u00e9 uma coisa muito antiga, quem est\u00e1 em baixo, admira quem est\u00e1 em cima. \u00c9 preciso mexer nas leis para que haja um equil\u00edbrio maior de for\u00e7as, mudar a engrenagem, porque as pessoas est\u00e3o a servi\u00e7o da engrenagem. O PT cresceu, conseguiu vencer, mas come\u00e7ou a fazer pol\u00edtica igual a todos outros porque a engrenagem \u00e9 a mesma.<\/p>\n<p>O brasileiro era considerado muito gente boa, bem-humorado. Era s\u00f3 uma m\u00e1scara?<br \/>\nS\u00e3o muitos mitos. \u00c9 verdade que somos muito sorridentes, muito simp\u00e1ticos\u2026Agora, a simpatia j\u00e1 \u00e9 diferente do bom humor, que vem diminuindo. As pessoas vivem vidas muito dif\u00edceis e mec\u00e2nicas. A gente est\u00e1 cada vez mais parecido com as m\u00e1quinas. As coisas n\u00e3o podem dar errado que voc\u00ea j\u00e1 fica irritad\u00edssimo. Se voc\u00ea perder uma hora do seu dia, perde o seu dia. Antigamente, se uma coisa n\u00e3o dava certo, voc\u00ea tentava de novo. Hoje, cada minuto conta, cada hora conta. Hoje, se um caminh\u00e3o na sua frente quebrou, voc\u00ea chega no trabalho e diz: \u201cUm caminh\u00e3o estragou meu dia\u201d.<\/p>\n<p>As pessoas est\u00e3o menos resilientes?<br \/>\nMuito menos. Elas n\u00e3o t\u00eam toler\u00e2ncia nenhuma. O brasileiro sempre foi conhecido por essa toler\u00e2ncia, talvez tenha mais do que outros povos. Mas a vida est\u00e1 muito dif\u00edcil e a gente est\u00e1 funcionando mais como uma engrenagem. E ai explode:\u00a0 toda hora voc\u00ea v\u00ea pessoas tendo um dia de f\u00faria. Acho que somos simp\u00e1ticos, mas estamos bem menos humorados. O Brasil n\u00e3o \u00e9 pac\u00edfico, \u00e9 violent\u00edssimo. Ao mesmo tempo que a gente gosta de samba e carnaval, temos um pa\u00eds violento, uma desconfian\u00e7a absurda\u2026 As pessoas te olham de maneira estranha e o outro \u00e9 sempre um suspeito.<\/p>\n<p>No Uruguai, aqui, perto de n\u00f3s, voc\u00ea n\u00e3o sente isso\u2026<br \/>\nAqui, n\u00e3o temos aquela palavra n\u00f3soutros. O outro virou um estranho.<\/p>\n<p>Mas isso tamb\u00e9m \u00e9 fruto dessa crise pol\u00edtica?<br \/>\nEu diria que isso \u00e9 fruto da modernidade, que come\u00e7a no s\u00e9culo XVI, mas piora com a crise. Estamos numa p\u00f3s-modernidade, a todo vapor, e as pessoas est\u00e3o num super individualismo, tornando-se estranhas umas com as outras, o que importa \u00e9 a individualidade. O mundo est\u00e1 sendo fabricado para voc\u00ea viver sozinho, mas \u00e9 uma ilus\u00e3o. Voc\u00ea tem a impress\u00e3o que precisa menos dos outros, porque fica dentro do quarto e faz tudo de dentro do seu quarto. E voc\u00ea tem a ilus\u00e3o de que n\u00e3o precisa de ningu\u00e9m.<br \/>\nA coisa est\u00e1 num n\u00edvel em que as pessoas dizem assim: \u201cEu gosto tanto de mim que eu n\u00e3o gosto de mais nada\u201d. Bateu no meu carro, \u00e9 como se tivesse batido na minha perna, isso \u00e9 um excesso de individualidade. Essa coisa (individualismo), que tem direito nos Estados Unidos, tem aqui no Brasil tamb\u00e9m. Eu sou grande leitor da \u201cmodernidade l\u00edquida\u201d, de Zygmunt Bauman. As rela\u00e7\u00f5es est\u00e3o se transformando muito e a pol\u00edtica vai a reboque, o que n\u00e3o anula a especificidade do que estamos vivendo hoje. Estamos vivendo muita a banaliza\u00e7\u00e3o (da corrup\u00e7\u00e3o). Isso tarda uma mudan\u00e7a qualitativa. Mas, vamos torcer para que a gente bata no fundo do po\u00e7o e come\u00e7e a subir.<\/p>\n<p>Esses efeitos no inconsciente coletivo causam impactos no f\u00edsico?<br \/>\nEu diria, talvez, que \u00e9 dif\u00edcil estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o direta, porque voc\u00ea tem outras vari\u00e1veis. Tem outras coisas juntas. N\u00e3o d\u00e1 para dizer que uma pessoa adoeceu por causa disso, porque tem o tr\u00e2nsito, tem o desemprego, isso contribui para o estresse, para o mau humor e principalmente para o medo. Cria o medo na gente e isso nos enfraquece. \u00c9 importante sentir algum medo, mas o medo em exagero paralisa as pessoas. A s\u00edndrome do p\u00e2nico \u00e9 isso, um medo absurdo, a ponto de voc\u00ea n\u00e3o sair de casa, voc\u00ea tem medo de tentar coisas novas. Esse momento est\u00e1 aumentando o medo, mas (os reflexos no f\u00edsico) dependem das caracter\u00edsticas de personalidade.<\/p>\n<p>No governo Fernando Henrique, 170 banc\u00e1rios se mataram (segundo dados da disserta\u00e7\u00e3o Patologia da Solid\u00e3o, de Marcelo Augusto Finazzi, da UNB)&#8230;<br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o, mas, se a atual crise se intensificar, a gente pode observar uma coisa que a gente nunca observou\u2026<\/p>\n<p>Hoje, por exemplo, um dos temas que causa mais pol\u00eamicas e estresses nas redes sociais \u00e9 a pol\u00edtica p\u00fablica de cotas.<br \/>\nEssa coisa das cotas acirra o \u00e2nimo entre as pessoas, voc\u00ea entra em competi\u00e7\u00e3o com as pessoas, o outro se sente injusti\u00e7ado. Diz: \u201ceu estudei, tentei, fiz melhor, mas outro entrou no meu lugar..\u201d<\/p>\n<p>Mas, e se pensarmos que o outro que n\u00e3o teve a mesma oportunidade&#8230;<br \/>\nVoc\u00ea tem situa\u00e7\u00f5es, realmente. O professor da USP, Dem\u00e9trio Magnoli (soci\u00f3logo) fala sobre a quest\u00e3o das cotas, que ela cria identidades. Uma coisa s\u00e3o as origens \u00e9tnicas das pessoas\u2026A dificuldade de um indiv\u00edduo tem haver com a hist\u00f3ria dele, \u00e9 uma corrida, tem pessoas que saem na frente. Dependendo da fam\u00edlia que voc\u00ea nasce, voc\u00ea j\u00e1 nasce na frente. Mas as cotas criam identidade do tipo \u201ceu sou isso, eu sou aquilo\u201d e come\u00e7a a segregar as pessoas, que come\u00e7am a disputar\u00a0 entre si. Fica aquela coisa: \u201cVoc\u00ea n\u00e3o conseguiu de verdade\u201d. O melhor jeito, todo mundo acha idealismo, mas seria investir em boas escolas p\u00fablicas, acabar com as escolas de grife onde os alunos mandam nos professores porque pagam.<\/p>\n<p>Como cada um de n\u00f3s pode reagir, sair disso?<br \/>\nEu penso que as pessoas devem procurar sempre a informa\u00e7\u00e3o, sempre se esclarecer, devem manter uma atitude mais correta, n\u00e3o por vaidade, mas porque (os valores) s\u00e3o seus. \u00c9 importante n\u00e3o se tornar uma pessoa t\u00e3o vulner\u00e1vel ao momento. Voc\u00ea poder preservar os seus valores, ao inv\u00e9s de andar conforme a onda. Precisa procurar se esclarecer, acompanhar, ler, estudar, procurar saber o que o candidato fez depois de receber seu voto. Precisamos resgatar a cidadania. O exerc\u00edcio da cidadania, psicologicamente, nos faz bem. S\u00f3 para dar um exemplo: Eu participo do condom\u00ednio, \u00e9 uma micropol\u00edtica. L\u00e1, no condom\u00ednio, tem v\u00e1rias coisas, v\u00e1rias vontades. N\u00e3o \u00e9 um exerc\u00edcio f\u00e1cil, mas eu me sinto bem por estar cuidando da minha casa.<\/p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Fonte: Di\u00e1rio de Pernambuco<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dilma virou o &#8220;Judas&#8221;, diz psic\u00f3logo Aur\u00e9lio Melo, professor da Mackenzie, durante entrevista na qual enumera os impactos da corrup\u00e7\u00e3o na vida emocional dos brasileiros. 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