{"id":83393,"date":"2015-09-13T12:44:12","date_gmt":"2015-09-13T15:44:12","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=83393"},"modified":"2015-09-13T12:44:12","modified_gmt":"2015-09-13T15:44:12","slug":"contra-a-solidao-do-empreendedor-o-clube-do-milhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/contra-a-solidao-do-empreendedor-o-clube-do-milhao\/","title":{"rendered":"Contra a solid\u00e3o do empreendedor, o &#8220;clube do milh\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"<header>\n<div class=\"row\">\n<h1 class=\"col-xs-13\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"col-xs-13\" style=\"text-align: justify;\"><em>Empres\u00e1rios se re\u00fanem em um grupo exclusivo, a Entrepreneur&#8217;s Organization, onde podem falar de tudo: de concorr\u00eancia desleal a deslealdade conjugal. Para fazer parte do time, \u00e9 preciso faturar ao menos US$ 1 milh\u00e3o ao ano<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<p class=\"author row\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"prefixo-autor\">Por: <\/span><strong>Jadyr Pav\u00e3o J\u00fanior<\/strong><\/p>\n<\/header>\n<div class=\"social-bar noindex\" style=\"text-align: justify;\" data-social-toolbar=\"\"><\/div>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"content col-xs-13\">\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<figure><img decoding=\"async\" title=\"Homem de neg\u00f3cios\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2014\/12\/30\/1211\/pe6Cx\/alx_lista-guia-carreiras-20141230-003_original.jpeg?1419948620\" alt=\"Homem de neg\u00f3cios\" \/><figcaption>Homem de neg\u00f3cios<span class=\"credito\">(VEJA.com\/Thinkstock)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gilberto Cromb\u00e9 j\u00e1 se sentiu o Super Homem. Tamb\u00e9m teve a impress\u00e3o de que era o homem mais est\u00fapido do mundo. &#8220;Esses altos e baixos ocorrem aos empreendedores&#8221;, diz o mexicano, consultor de estrat\u00e9gia empresarial\/corporativa. N\u00e3o \u00e9 que os homens e mulheres que se arriscam nos neg\u00f3cios sofram de algum tipo particular de instabilidade emocional. Ao contr\u00e1rio, Cromb\u00e9 diz que eles, de certa forma, t\u00eam capacidade de ver o que os demais n\u00e3o veem, acreditar no que s\u00f3 eles viram e contretizar suas vis\u00f5es. &#8220;S\u00e3o pessoas com DNA talhado para os momentos de crise, como o atual, porque elas n\u00e3o esperam que as coisas sejam feitas, elas pr\u00f3prias as fazem.&#8221; O DNA, contudo, n\u00e3o elimina a gangorra emocional, que na vis\u00e3o de Cromb\u00e9 \u00e9 fruto da pura solid\u00e3o. &#8220;Eles algumas vezes se sentem s\u00f3s porque t\u00eam que tomar decis\u00f5es e assumir riscos. Diante da fam\u00edlia, dos amigos, s\u00e3o como estranhos.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para aplacar a solid\u00e3o, 11.000 deles est\u00e3o reunidos em uma esp\u00e9cie de clube exclusivo, chamado Entrepreneur&#8217;s Organization, uma entidade sem fins lucrativos mantida pelos pr\u00f3prios membros em 48 pa\u00edses. Cromb\u00e9 \u00e9 o atual presidente. Fundada em 1987, a OE j\u00e1 abrigou gente como Michael Dell, fundador da marca de computadores que leva o sobrenome do criador. Somadas, as empresas dos participantes faturam 536 bilh\u00f5es de d\u00f3lares e mant\u00eam em m\u00e9dia 240 empregos. Para fazer parte do grupo, \u00e9 preciso ter receita anual m\u00ednima de 1 milh\u00e3o de d\u00f3lares (cerca de 3,8 milh\u00f5es de reais) e passar por uma triagem. Aceito, o novato passa por um treinamento que pretende prepar\u00e1-lo para obedecer regras e desfrutar de benef\u00edcios. \u00c9 preciso pagar por tudo isso: 1.500 d\u00f3lares de inscri\u00e7\u00e3o e 2.900 em anuidades global e local.<\/p>\n<section class=\"info-img-articles\">\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" title=\"Gilberto Cromb\u00e9\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2015\/09\/11\/1920\/alx_gilberto-crombe_original.jpeg?1442010022\" alt=\"Gilberto Cromb\u00e9\" \/><figcaption>Gilberto Cromb\u00e9<span class=\"credito\">(Divulga\u00e7\u00e3o\/VEJA)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os 11.000 membros espalhados pelo mundo se dividem em 150 &#8220;cap\u00edtulos&#8221;, agrupamentos definidos por zonas geogr\u00e1ficas, mais ou menos correspondentes a cidades. O &#8220;cap\u00edtulo&#8221; do Rio tem 30 integrantes; o de S\u00e3o Paulo, 24. S\u00e3o os \u00fanicos abertos no Brasil at\u00e9 agora, num movimento que come\u00e7ou h\u00e1 cerca de dois anos. Dentro de cada cap\u00edtulo, s\u00e3o criados &#8220;f\u00f3runs&#8221;, grupos de at\u00e9 dez pessoas que devem se reunir uma vez por m\u00eas. Eis a grande chance de o solit\u00e1rio empreendedor falar. Os encontros tamb\u00e9m seguem um roteiro estrito. A cada sess\u00e3o, dois integrantes apresentam suas inquieta\u00e7\u00f5es. Os demais interv\u00eam contando experi\u00eancias relacionadas. N\u00e3o \u00e9 permitido julgar o empreendedor em apuros (n\u00e3o deve ser f\u00e1cil), nem dizer o que ele deve fazer: o proponente da quest\u00e3o deve chegar \u00e0s suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es. Um participante do encontro controla o tempo das interven\u00e7\u00f5es, todas pr\u00e9-estabelecidas, e denuncia atos indevidos, como um julgamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Tive problemas s\u00e9rios em uma das minhas empresas h\u00e1 alguns meses. Um presidente deixou seu cargo e eu estava decidido a recrutar outro. Depois de trazer a quest\u00e3o para o f\u00f3rum e ouvir outras experi\u00eancias, entendi que aquela poderia n\u00e3o ser a melhor escolha, pois eu continuaria distante do neg\u00f3cio. Decidi voltar e acompanhar o dia a dia da opera\u00e7\u00e3o. Em pouco tempo, a casa estava em ordem e os resultados vieram&#8221;, conta Cristiano Miano, de 35 anos, presidente do Grupo Digi, respons\u00e1vel na EO pela estrat\u00e9gia de expans\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul. Ao lado de outros ex-alunos do Owner and President Management (OPM), programa da Universidade Harvard para aprimoramento de l\u00edderes empresariais, Cristiano \u00e9 um dos respons\u00e1veis pelo fato de a EO ter aportado no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relatos sobre as reuni\u00f5es s\u00e3o sempre acompanhados de um pr\u00f3logo: &#8220;Sinto-me \u00e0 vontade para narrar esse caso porque aconteceu comigo&#8230;&#8221; Isso se repete porque a confidencialidade \u00e9 uma das garantias da institui\u00e7\u00e3o. Problemas pessoais, queixas conjugais, turbul\u00eancias \u00edntimas e quetais podem ser apresentados nos f\u00f3runs &#8211; e, de fato, s\u00e3o. Como os demais assuntos, contudo, s\u00f3 podem sair dali se sobre eles falarem os autores das reclama\u00e7\u00f5es. O resultado dessa esp\u00e9cie de catarse \u00e9 positiva, segundo Marcelo Aoki, de 36 anos, que comanda a IBR Participa\u00e7\u00f5es e preside o &#8220;cap\u00edtulo&#8221; de S\u00e3o Paulo: &#8220;Aqui, aprendi a negociar. Ao contr\u00e1rio do que acontece na minha empresa, onde pago para que me obede\u00e7am, aqui tenho que ser persuasivo. Melhorou minha vis\u00e3o como pessoa e empreendedor.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os f\u00f3runs, \u00e9 claro, n\u00e3o s\u00e3o o \u00fanico recurso da EO. Ao entrar para o clube, o novato passa imediatamente a ter acesso irrestrito a 11.000 potenciais parceiros de neg\u00f3cio. Por meio de uma plataforma digital, \u00e9 poss\u00edvel falar com todos e elaborar buscas: quem trabalha com importa\u00e7\u00e3o de t\u00eaxteis na Alemanha, por exemplo, ou onde est\u00e1 o parceiro americano interessado em fazer neg\u00f3cios de software? &#8220;Quando falo com membros de outros pa\u00edses, eles sempre me dizem: &#8216;Se precisar de algo, venha a minha casa.&#8217; \u00c9 como uma fam\u00edlia&#8221;, diz Felipe Ramos, de 33 anos, cofundador do site Papo de Homem, entre outros neg\u00f3cios, e diretor de comunica\u00e7\u00e3o do &#8220;cap\u00edtulo&#8221; de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Regularmente, s\u00e3o realizados encontros regionais e, de forma permanente, treinamento e capacita\u00e7\u00e3o. Um desses eventos trouxe Cromb\u00e9 a S\u00e3o Paulo na semana passada. Ele comandou um workshop sobre planejamento estrat\u00e9gico para membros e convidados &#8211; gente que o &#8220;cap\u00edtulo&#8221; paulistano espera atrair para o grupo. Em resumo, o mexicano falou sobre o atual papel do l\u00edder nas corpora\u00e7\u00f5es, sobre como planejar e colocar objetivos em pr\u00e1tica, apoiado em uma metodologia desenvolvida originalmente por Verne Harnish, um dos fundadores do EO. Segundo Cromb\u00e9, as companhias que adotam o m\u00e9todo registram crescimento de 20%. As pessoas, gestores e colaboradores, ganham 30% de tempo livre para suas vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presidente da EO estica a conversa dos neg\u00f3cios para a vida dos empreendores. &#8220;Queremos ajud\u00e1-los a ser os l\u00edderes de economia, a ser bem-sucedidos, n\u00e3o apenas nos neg\u00f3cios, mas tamb\u00e9m em fam\u00edlia, em suas comunidades e do ponto de vista pessoal&#8221;, diz. Se o fizer, estar\u00e1 cumprida a promessa do EO. E haver\u00e1, \u00e9 claro, um b\u00f4nus: &#8220;N\u00f3s temos que dar for\u00e7a a essas pessoas, porque elas fazem bem \u00e0 economia: ao inv\u00e9s de procurar empregos, elas os criam e essa \u00e9 a \u00fanica forma de fazer com que as economias continuem crescendo.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Empres\u00e1rios se re\u00fanem em um grupo exclusivo, a Entrepreneur&#8217;s Organization, onde podem falar de tudo: de concorr\u00eancia desleal a deslealdade conjugal. 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