{"id":84440,"date":"2015-09-18T10:00:04","date_gmt":"2015-09-18T13:00:04","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=84440"},"modified":"2015-09-18T07:36:09","modified_gmt":"2015-09-18T10:36:09","slug":"como-destino-tragico-de-um-capitao-portugues-selou-futuro-de-regiao-mais-nobre-do-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/como-destino-tragico-de-um-capitao-portugues-selou-futuro-de-regiao-mais-nobre-do-rio-de-janeiro\/","title":{"rendered":"Como destino tr\u00e1gico de um capit\u00e3o portugu\u00eas selou futuro de regi\u00e3o mais nobre do Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"byline__name\">Fernanda da Esc\u00f3ssia<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/ws\/660\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/09\/16\/150916151509_lagoa_quadro_vale_624x351_nicolafacchinettiacervomuseuimperialcasageyer_nocredit.jpg\" alt=\"\" width=\"624\" height=\"351\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Lagoa Rodrigo de Freitas antes da urbaniza\u00e7\u00e3o; \u00e0 frente, na direita, o Morro Dois Irm\u00e3os<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">Os anos 1710 n\u00e3o foram f\u00e1ceis para o capit\u00e3o Rodrigo de Freitas. Em 1711, com a segunda invas\u00e3o francesa ao Rio de Janeiro, os homens de posses foram chamados pela Coroa portuguesa a ajudar a pagar o resgate exigido pelos invasores para que a cidade n\u00e3o fosse bombardeada. Em 1717, morreu sua mulher, Petronilha Fagundes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falido e vi\u00favo, Rodrigo de Freitas decidiu deixar o Rio e voltar a Portugal, sua terra, com o \u00fanico filho e herdeiro, Jo\u00e3o de Freitas e Castro. A viuvez ajudou a selar o destino do capit\u00e3o portugu\u00eas e da imensid\u00e3o de terras do engenho que ele possu\u00eda na zona sul do Rio, incluindo a lagoa que herdou seu nome, hoje um cart\u00e3o postal do Rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Das terras do capit\u00e3o tamb\u00e9m sa\u00edram os bairros de Ipanema, Jardim Bot\u00e2nico, Horto, G\u00e1vea, Leblon, Lagoa, Copacabana e Fonte da Saudade. A hist\u00f3ria deles \u00e9 contada no livro <i>A Fazenda Nacional da Lagoa Rodrigo de Freitas<\/i>, dos historiadores Carlos Eduardo Barata e Claudia Braga Gaspar (Editora Cassar\u00e1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro, que ser\u00e1 lan\u00e7ado no dia 3 de outubro, traz relatos, curiosidades e imagens sobre como o engenho deu origem a uma f\u00e1brica de p\u00f3lvora e depois a v\u00e1rios bairros da regi\u00e3o mais nobre do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto de <i>A Fazenda Nacional<\/i> foi selecionado pela Secretaria Municipal de Cultura do Rio e lan\u00e7ado com o selo oficial da Biblioteca Rio 450 anos. \u00c9 o resultado de uma pesquisa de dez anos dos dois autores, que s\u00e3o primos, cresceram em Ipanema e se dedicam a estudar a hist\u00f3ria dos bairros do Rio de Janeiro. Juntos escreveram <i>Villa Ipanema<\/i>, sobre a forma\u00e7\u00e3o do bairro, e <i>De Engenho a Jardim<\/i>, sobre o Jardim Bot\u00e2nico. Claudia \u00e9 tamb\u00e9m autora de <i>Orla Carioca<\/i> e <i>Praias do Rio<\/i>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Barata, especializado em genealogia, \u00e9 diretor do Museu do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico Brasileiro e autor do <i>Dicion\u00e1rio das Fam\u00edlias Brasileiras<\/i>, entre outros. Com documentos, mapas e 180 ilustra\u00e7\u00f5es, o livro \u00e9 concebido como uma esp\u00e9cie de roteiro hist\u00f3rico, geogr\u00e1fico e sentimental do passado do cora\u00e7\u00e3o da zona sul carioca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A seguir, algumas hist\u00f3rias sobre a velha Fazenda Nacional e os bairros que dela se originaram:<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Lagoa<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/09\/16\/150916111043_lagoa_624x351_haleypachecodeoliveirawikimediacommons_nocredit.jpg\" alt=\"Haley Pacheco de Oliveira\/Wikimedia Commons \" width=\"624\" height=\"351\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Lagoa receber\u00e1 competi\u00e7\u00f5es nos Jogos Ol\u00edmpicos e Paral\u00edmpicos do Rio 2016<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Piragu\u00e1 ou Sacopenap\u00e3 foram os primeiros nomes da lagoa, que depois foi tomando os nomes dos propriet\u00e1rios, como era costume \u00e0 \u00e9poca. O terreno primeiro pertencia \u00e0 Coroa Portuguesa, que criou ali, em 1575, o Engenho D&#8217;El Rei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1598 a \u00e1rea foi vendida a Diogo Amorim Soares, e a Lagoa tornou-se conhecida como Lagoa do Amorim. O propriet\u00e1rio vendeu o terreno ao genro Sebasti\u00e3o Fagundes Varella em 1609 e o local passou a chamar-se Lagoa do Fagundes. Em 1707, seu genro, o capit\u00e3o Rodrigo de Freitas, casado com Petronilha Fagundes, adquire o engenho, que passa a se chamar Engenho da Lagoa Rodrigo de Freitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a morte de Petronilha, em 1717, e j\u00e1 com as finan\u00e7as combalidas depois de ter ajudado a pagar o resgate exigido pelos invasores franceses, o capit\u00e3o Rodrigo de Freitas retornou a Portugal. Levou consigo o \u00fanico filho, Jo\u00e3o, ent\u00e3o com 13 anos. Outros tr\u00eas filhos que tivera com Petronilha morreram muito pequenos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De mudan\u00e7a, o capit\u00e3o vendeu a parte do terreno que daria origem a Copacabana. Voltou para sua cidade natal, S\u00e3o Martinho de Penacova, e recuperou-se financeiramente em Portugal, pois um capataz contratado por ele para as terras da Lagoa foi arrendando partes da propriedade a v\u00e1rias fam\u00edlias, o que garantiu a Rodrigo de Freitas e seu herdeiro uma boa renda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O capit\u00e3o nunca se casou novamente, concentrando-se na educa\u00e7\u00e3o do filho e na administra\u00e7\u00e3o de seus bens. Morreu em 1748.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo os registros da antiga Fazenda Nacional, o espelho d&#8217;\u00e1gua da Lagoa tinha 4,48 milh\u00f5es de metros quadrados. Mas foi sendo sucessivamente aterrado para constru\u00e7\u00f5es e hoje tem cerca de 2,3 milh\u00f5es de metros quadrados. No ano 2000, a Lagoa foi tombada pela Uni\u00e3o e sua geografia \u00e9 preservada.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Jardim Bot\u00e2nico<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/09\/16\/150916100934_portais_624x351_acervodoarquivocentraldoiphanreproduzidodolivroafazendanacional_nocredit.jpg\" alt=\"Acervo do Arquivo Central do Iphan\/Reproduzido do livro \" width=\"624\" height=\"351\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Port\u00e3o da antiga F\u00e1brica de P\u00f3lvora no Jardim Bot\u00e2nico, em projeto e foto atual<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1808, com a corte portuguesa de mudan\u00e7a para o Rio fugindo do avan\u00e7o napole\u00f4nico na Europa, a Coroa decidiu construir uma f\u00e1brica de p\u00f3lvora para melhorar as defesas da cidade. Desapropriou o velho Engenho da Lagoa, \u00e1rea ainda pouco povoada e distante do Centro do Rio, e deu ao lugar o nome de Fazenda Nacional da Lagoa Rodrigo de Freitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sede do velho engenho foi constru\u00edda a F\u00e1brica de P\u00f3lvora e Muni\u00e7\u00e3o, que funcionou ali de 1810 a 1828.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro da Fazenda Nacional, D. Jo\u00e3o 6\u00ba criou um Jardim de Aclima\u00e7\u00e3o, transformado em Jardim P\u00fablico e depois no atual Jardim Bot\u00e2nico. O entorno da \u00e1rea era arrendado por fam\u00edlias abastadas, que mantinham ali suas ch\u00e1caras, e pequenos arrendat\u00e1rios. Em 1868, eram 153 chacareiros na regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O portal da f\u00e1brica de p\u00f3lvora sobreviveu \u00e0 explos\u00e3o do lugar, em 1831, e marca hoje o acesso ao parquinho infantil do Jardim Bot\u00e2nico. A sede do engenho \u00e9 a casa-sede do Jardim Bot\u00e2nico. Tudo o que restou da f\u00e1brica est\u00e1 tombado pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a Coroa desapropriou as terras do engenho da Lagoa Rodrigo de Freitas, em 1808, foi estabelecido que os herdeiros do capit\u00e3o seriam indenizados. Mas o pagamento demorou: s\u00f3 em 1827 a indeniza\u00e7\u00e3o foi paga. Faltava ressarcir o que era do Munic\u00edpio do Rio, que tamb\u00e9m possu\u00eda terras ali. Apenas em 1869 foi quitada, com ap\u00f3lices da d\u00edvida p\u00fablica, a d\u00edvida da Uni\u00e3o com o Munic\u00edpio.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">De economia rural para \u00e1rea urbana<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/09\/15\/150915232823_sp_lagoa_palmeiras_624x351_georgeleuzingercolecaomarialuciasisson_nocredit.jpg\" alt=\"Gravura de George Leuzinger (1813-1892) | Cole\u00e7\u00e3o Maria L\u00facia Sisson\" width=\"624\" height=\"351\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Na sede do Engenho da Lagoa, D. Jo\u00e3o 6\u00ba, rec\u00e9m instalado no Brasil, construiu uma f\u00e1brica de muni\u00e7\u00e3o<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir do \u00faltimo quarto do s\u00e9culo 19, foram estabelecidas regras para a venda dos terrenos da Fazenda Nacional da Lagoa Rodrigo de Freitas, possibilitando que os arrendat\u00e1rios se transformassem em propriet\u00e1rios. Com a Rep\u00fablica (1889), os arrendat\u00e1rios foram sendo definitivamente chamados a pagar \u00e0 Uni\u00e3o pelas terras, ou instados a devolv\u00ea-las. Acelera-se ent\u00e3o o processo de forma\u00e7\u00e3o dos bairros de todo o entorno da Lagoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Dessa convuls\u00e3o da \u00e1rea da Fazenda Nacional da Lagoa Rodrigo de Freitas, na virada do s\u00e9culo 19 para o 20, quando todos os terrenos s\u00e3o remidos (quitados) ou devolvidos \u00e0 Uni\u00e3o, resultar\u00e1 a sua transforma\u00e7\u00e3o de uma propriedade de economia rural em uma \u00e1rea urbana, origem de muitos dos atuais bairros da zona sul carioca&#8221;, contextualiza o livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O Bar\u00e3o de Ipanema, por exemplo, que j\u00e1 havia comprado uma parte da \u00e1rea de Copacabana junto com Constante Ramos, compra tamb\u00e9m a faixa entre o Arpoador e o Jardim de Al\u00e1 e manda urbanizar a regi\u00e3o, que chamou de Villa Ipanema, em 1894&#8221;, conta o historiador Carlos Eduardo Barata, autor, junto com Claudia Gaspar, de <i>Villa Ipanema<\/i>, lan\u00e7ado em 1994, quando o bairro completou cem anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 a G\u00e1vea, segundo Claudia Gaspar, come\u00e7ou a se separar mais cedo, com a cria\u00e7\u00e3o da Freguesia de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o da G\u00e1vea, em 1873. Aos poucos tamb\u00e9m foram se instalando na regi\u00e3o do Horto e do Jardim Bot\u00e2nico muitas f\u00e1bricas de tecido, como S\u00e3o F\u00e9lix, Carioca e Corcovado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por decreto, foram concedidos privil\u00e9gios de isen\u00e7\u00e3o de impostos sobre importa\u00e7\u00e3o de materiais de constru\u00e7\u00e3o e de concess\u00e3o de terrenos e edif\u00edcios \u00e0s empresas que se propusessem a construir casas populares.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Joias arquitet\u00f4nicas<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro do terreno da antiga Fazenda Nacional est\u00e3o algumas preciosidades arquitet\u00f4nicas. Uma delas \u00e9 a Capela de Nossa Senhora da Cabe\u00e7a, uma das mais antigas capelas do Rio. Foi erguida no princ\u00edpio do s\u00e9culo 17, na ch\u00e1cara da Cabe\u00e7a, uma das muitas que foram surgindo na \u00e1rea, e hoje est\u00e1 dentro da maternidade Melo Mattos, no Jardim Bot\u00e2nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi num passeio na Ch\u00e1cara da Cabe\u00e7a que a escritora e artista brit\u00e2nica Maria Graham se apaixonou pela vista da lagoa e se inspirou para desenhar, em 1821, uma panor\u00e2mica do local, em s\u00e9pia e bico de pena. Maria Graham, a Lady Calcott, foi preceptora da princesa Maria da Gl\u00f3ria, filha de D. Pedro 1\u00ba e futura rainha de Portugal. O desenho pertence ao acervo do British Museum e \u00e9 uma das 180 ilustra\u00e7\u00f5es de <i>A Fazenda Nacional<\/i>.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/09\/15\/150915032411_sp_ipanema_leblon_624x351_servicogeograficodoexercito_nocredit.jpg\" alt=\"Ipanema e Leblon | Foto: Servi\u00e7o Geogr\u00e1fico do Ex\u00e9rcito\" width=\"624\" height=\"351\" \/><span class=\"off-screen\">Image copyright<\/span><span class=\"story-image-copyright\">Servico Geografico do Exercito<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Os bairros de Ipanema e Leblon sa\u00edram das propriedades do capit\u00e3o para tornarem-se alguns dos mais famosos do Rio<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra constru\u00e7\u00e3o importante \u00e9 o Solar Grandjean de Montigny, onde morou o arquiteto franc\u00eas August Henry Grandjean de Montigny. Depois de chegar ao Brasil com a Miss\u00e3o Art\u00edstica Francesa, em 1816, o arquiteto franc\u00eas adquiriu na G\u00e1vea um sobrado constru\u00eddo no s\u00e9culo 18 pelo portugu\u00eas Joaquim Pereira da Cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A data exata da constru\u00e7\u00e3o do solar que serviu de resid\u00eancia a Grandjean de Montigny \u00e9 muito discutida at\u00e9 hoje. Segundo Carlos Barata e Claudia Gaspar, que tiveram acesso \u00e0 escritura de compra da propriedade, Montigny se estabeleceu l\u00e1 em 1817, mandando depois reformar o im\u00f3vel e incorporando a ele elementos da arquitetura neocl\u00e1ssica, da qual foi um grande mestre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e1, o arquiteto viveu com a fam\u00edlia por muito tempo, e aos poucos foi vendendo partes do terreno. O solar fica hoje dentro da \u00e1rea da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica (PUC) e pertence \u00e0 universidade.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Leblon e Ipanema<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Leblon herda o nome do nobre franc\u00eas Emmanuel Hippolyte Charles Toussiant Le Blon de Meyrach, o Charles Leblon. Ele chegou ao Rio por volta de 1839 e foi propriet\u00e1rio da Cia. de Seguros Mar\u00edtimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comprou um sem-n\u00famero de propriedades na regi\u00e3o, conhecida pelo nome de Caminho da Restinga \u2013 que, com o tempo, passou a ser chamar Caminho do Leblon, embora o nobre franc\u00eas tenha morrido sem ter a oportunidade de ver seu nome de fam\u00edlia perpetuado no bairro, conta <i>A Fazenda Nacional<\/i>, citando o cl\u00e1ssico <i>Hist\u00f3ria das Ruas do Rio de Janeiro<\/i>, de Brasil Gerson.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 Ipanema surge como um bairro planejado. Satisfeito com o investimento que fizera para abrir v\u00e1rias ruas no novo bairro de Copacabana (lembrando que essa foi a primeira \u00e1rea a ser vendida por Rodrigo de Freitas, logo que se mudou para Portugal), o Bar\u00e3o de Ipanema (Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Moreira Filho) teve boas raz\u00f5es para comemorar a chegada do bonde \u00e0 regi\u00e3o, em 1892, passando pelo T\u00fanel Velho (entre Botafogo e Copacabana).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Decidiu ent\u00e3o investir em outra \u00e1rea desmembrada da velha Fazenda Nacional, a \u00e1rea da praia Funda. Em sociedade com o coronel Ant\u00f4nio Jos\u00e9 da Silva, come\u00e7ou o novo empreendimento: um bairro planejado em toda a extens\u00e3o de areia entre Copacabana e Leblon. Em abril de 1894 foi lavrado o auto de funda\u00e7\u00e3o da Villa Ipanema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Morador de Ipanema, o escritor e jornalista Jo\u00e3o do Rio (Jo\u00e3o Paulo Em\u00edlio Crist\u00f3v\u00e3o dos Santos Coelho Barreto, 1888-1921) era apaixonado pelo bairro e trouxe para conhecer o lugar a bailarina Isadora Duncan. Num artigo de 1917, intitulado <i>Praia Maravilhosa<\/i>, o cronista descrevia as belezas do lugar e o encanto de Isadora Duncan pela ainda pouco conhecida Ipanema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Narra Jo\u00e3o do Rio: &#8220;O Rio entendeu-se pelas praias. Contornou o P\u00e3o de A\u00e7\u00facar e continuou no Leme, em Copacabana. O novo bairro \u00e9 o derradeiro ponto dessa retic\u00eancia de casarias. Mas \u00e9 o ponto final mais formoso de uma cidade \u2013 uma nova cidade toda bela num peda\u00e7o de terra t\u00e3o linda, que, sem exageros, \u00e9 imposs\u00edvel contemplar sem lhe dar o verdadeiro nome: a Praia Maravilhosa&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: BBC Brasil<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os anos 1710 n\u00e3o foram f\u00e1ceis para o capit\u00e3o Rodrigo de Freitas. 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