{"id":8474,"date":"2013-08-08T11:11:14","date_gmt":"2013-08-08T14:11:14","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=8474"},"modified":"2013-08-08T11:11:14","modified_gmt":"2013-08-08T14:11:14","slug":"wellington-de-melo-lanca-poema-sobre-seu-filho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wellington-de-melo-lanca-poema-sobre-seu-filho\/","title":{"rendered":"Wellington de Melo lan\u00e7a poema sobre seu filho"},"content":{"rendered":"<p>A cria\u00e7\u00e3o ficcional \u00e9 fascinante, mas existe uma for\u00e7a que se reflete na linguagem que parece existir apenar naquilo que se espelha numa experi\u00eancia. \u00c9 por esse segundo caminho, o da beleza e impacto da sinceridade po\u00e9tica que se constr\u00f3i o novo livro de poesia do escritor e professor pernambucano Wellington de Melo, tamb\u00e9m gestor da pasta de literatura da Secretaria Estadual de Cultura. Em\u00a0<em>O ca\u00e7ador de mariposas<\/em>\u00a0(Mariposa Cartonera, 38 p\u00e1ginas, R$ 10), ele trata com delicadeza e inven\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo, sobre um tema extremamente pessoal: a rela\u00e7\u00e3o com seu filho autista, o ca\u00e7ador do t\u00edtulo. O lan\u00e7amento da obra \u00e9 nesta quarta (7\/8), na Casa do Cachorro Preto (Rua 13 de maio, 99, Cidade Alta), a partir das 19h30, com leitura de Cida Pedrosa e do pr\u00f3prio autor. Na entrevista abaixo, Wellington conta da decis\u00e3o de mergulhar na tem\u00e1tica e dos recursos que utilizou nesse processo\u00a0<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-8475\" alt=\"493a60a0e467ed28bdc21bcf8e1d8650\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/493a60a0e467ed28bdc21bcf8e1d8650-300x146.jpg\" width=\"300\" height=\"146\" \/><\/p>\n<p><strong>JORNAL DO COMMERCIO &#8211; Como foi a decis\u00e3o de escrever sobre seu filho e o autismo? Era um projeto? Foi um processo dif\u00edcil?<br \/>\nWELLINGTON DE MELO &#8211;<\/strong>\u00a0Foi muito duro, mas em algum momento percebi que era algo que precisava fazer. Lembro de uma cena do filme\u00a0<em>Menina de ouro<\/em>, quando o treinador Frankie Dunn diz que no boxe \u00e9 tudo \u00e0s avessas. Na literatura tamb\u00e9m: o mais comum \u00e9 que as pessoas fujam da dor, mas parece que precisamos (os escritores) ir de encontro a ela para que nos esmurre e que nos conhe\u00e7amos melhor. A decis\u00e3o por escrever o livro \u00e9 um pouco isso, porque significava mergulhar em medos dos quais me escondia.<br \/>\nA ideia do livro surgiu realmente naquela noite de S\u00e3o Jo\u00e3o de que falo na nota introdut\u00f3ria. Sempre quis escrever algo para meu filho (o peso do medo \u00e9 dedicado a ele), mas sempre era algo perif\u00e9rico, nunca tinha decidido lidar com tudo atrav\u00e9s da poesia. Foi preciso me esvaziar e preencher de dor durante o processo de aproxima\u00e7\u00e3o po\u00e9tica do tema.<\/p>\n<p><strong>JC &#8211; O poema tem uma vis\u00e3o muito bonita da observa\u00e7\u00e3o do seu filho. Queria saber se houve algum dificuldade em arranjar um tom e uma forma que fizessem justi\u00e7a ao tema e ao sentimento retratado?<br \/>\nWELLINGTON &#8211;<\/strong>\u00a0N\u00e3o lembro como surgiu a voz d&#8217;<em>O ca\u00e7ador de mariposas<\/em>, mas no processo de escrita havia a todo momento uma preocupa\u00e7\u00e3o de modular as duas vozes presentes no poema, diferenci\u00e1-las n\u00e3o s\u00f3 na sintaxe, mas na po\u00e9tica que encerram. A linguagem \u00e9 muito simples no livro todo, h\u00e1 uma nega\u00e7\u00e3o de qualquer grandiloqu\u00eancia que poderia incitar a escrita de um poema longo. Isso porque esse poema \u00e9 um exerc\u00edcio de sil\u00eancio. Talvez esse seja o tom que eu buscava.<\/p>\n<p><strong>JC &#8211; Acho forte a s\u00edntese do seu filho como uma pessoa que sempre vai ter um sorriso. Ao mesmo tempo, \u00e9 simb\u00f3lica a forma que voc\u00ea arranja para ele se expressar. Como foi criar (e expressar) um sil\u00eancio na literatura?<br \/>\nWELLINGTON &#8211;<\/strong>\u00a0A mistura das letras faz com que uma leitura em voz alta, preservando a ordem das letras, torne a leitura inintelig\u00edvel. Mas como a primeira e a \u00faltima letras est\u00e3o sempre corretas, l\u00ea-se mentalmente cada palavra como deve ser. Mas fica o estranhamento no leitor ao passar pelos versos em que a voz do ca\u00e7ador de mariposas aparece. Outra marca tipogr\u00e1fica utilizada foi o avan\u00e7o com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 margem: as vozes do pai e do filho nunca se encontram, j\u00e1 que os versos do filho est\u00e3o sempre avan\u00e7ados com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 margem e os do pai alinhados \u00e0 esquerda. Nos dois \u00faltimos cantos do poema h\u00e1 uma invers\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o um encontro: o livro n\u00e3o se pretende uma reden\u00e7\u00e3o, preserva-se o abismo de sil\u00eancio, mas finalmente h\u00e1 a compreens\u00e3o dos universos de cada um. No final, o tema da incomunicabilidade, que figura em minha obra em outros textos, est\u00e1 presente\u00a0<em>n&#8217;O ca\u00e7ador de mariposas<\/em>\u00a0de forma marcante.( Ne10)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cria\u00e7\u00e3o ficcional \u00e9 fascinante, mas existe uma for\u00e7a que se reflete na linguagem que parece existir apenar naquilo que se espelha numa experi\u00eancia. \u00c9 por esse segundo caminho, o da beleza e impacto da sinceridade po\u00e9tica que se constr\u00f3i o novo livro de poesia do escritor e professor pernambucano Wellington de Melo, tamb\u00e9m gestor da pasta de literatura da Secretaria Estadual de Cultura. Em O ca\u00e7ador de mariposas (Mariposa Cartonera, 38 p\u00e1ginas, R$ 10), ele trata com delicadeza e inven\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo, sobre um tema extremamente pessoal: a rela\u00e7\u00e3o com seu filho autista, o ca\u00e7ador do t\u00edtulo. O lan\u00e7amento da obra \u00e9 nesta quarta (7\/8), na Casa do Cachorro Preto (Rua 13 de maio, 99, Cidade Alta), a partir das 19h30, com leitura de Cida Pedrosa e do pr\u00f3prio autor. 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