{"id":84760,"date":"2015-09-20T15:45:00","date_gmt":"2015-09-20T18:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=84760"},"modified":"2015-09-20T15:45:00","modified_gmt":"2015-09-20T18:45:00","slug":"daiane-dos-santos-esporte-carece-de-investimento-privado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/daiane-dos-santos-esporte-carece-de-investimento-privado\/","title":{"rendered":"Daiane dos Santos: &#8220;esporte carece de investimento privado&#8221;"},"content":{"rendered":"<div id=\"topoNot\">\n<h2 class=\"titMateria colorEsp\"><\/h2>\n<p class=\"creditoMateria\">Diego Adans<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"materia\">\n<div id=\"fotoFullHoriz\">\n<div class=\"flexslider\">\n<ul class=\"slides\">\n<li><img decoding=\"async\" title=\"Durante a breve passagem em Salvador, a ex-atleta concedeu entrevista exclusiva ao A TARDE - Foto: Teresa Travassos | Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/fw.atarde.uol.com.br\/2015\/09\/650x375_esportes-entrevista-daiane-dos-santos-destaque-do-dia_1562415.jpg\" alt=\"Durante a breve passagem em Salvador, a ex-atleta concedeu entrevista exclusiva ao A TARDE - Foto: Teresa Travassos | Divulga\u00e7\u00e3o\" \/>\n<p class=\"flex-caption\">Durante a breve passagem em Salvador, a ex-atleta concedeu entrevista exclusiva ao A TARDE<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A ga\u00facha Daiane Garcia dos Santos escreveu seu nome na hist\u00f3ria da gin\u00e1stica art\u00edstica do pa\u00eds em agosto de 2003. Ent\u00e3o aos 20 anos, ela se tornava a primeira ginasta brasileira, entre homens e mulheres, a conquistar uma medalha de ouro numa edi\u00e7\u00e3o do Campeonato Mundial. Na grande final no solo, Daiane desbancou a romena Catalina Ponor ao executar com maestria, pela primeira vez, o movimento duplo twist carpado &#8211; mais tarde, o movimento acabou homologado pela FIG (Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Gin\u00e1stica) com seu sobrenome &#8220;Dos Santos&#8221;. Na \u00e9poca, a medalha de ouro em Anaheim, nos Estados Unidos, ainda rendeu\u00a0 \u00e0 equipe brasileira a in\u00e9dita vaga nos Jogos Ol\u00edmpicos de Atenas-2004.<\/p>\n<p>Daiane ainda marcou presen\u00e7a em outras duas edi\u00e7\u00f5es: Pequim (2008) e Londres (2012).\u00a0 Na capital inglesa, por\u00e9m, ela deu adeus ao esporte. Fora dos gin\u00e1sios, Daiane virou comentarista da Rede Globo e participa de dois projetos sociais: Brasileirinhos e o Furnas Educa. Foi este \u00faltimo que motivou a vinda dela \u00e0 capital baiana. Durante a breve passagem, a ex-atleta concedeu entrevista exclusiva ao <strong>A TARDE<\/strong>. Falou, entre outros assuntos, sobre preconceito, as cr\u00edticas que recebeu de internautas por causa do seu peso, necessidade de investimento p\u00fablico e privado no esporte.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 s\u00e3o tr\u00eas anos fora das competi\u00e7\u00f5es. Mesmo assim voc\u00ea n\u00e3o abandona a gin\u00e1stica?<\/strong><\/p>\n<p>Isso, isso. Hoje, participo de dois (projetos): Brasileirinhos e o Furnas Educa. O primeiro \u00e9 um projeto que tem ginasta e arte circense. Trabalha tamb\u00e9m um pouco de percuss\u00e3o com crian\u00e7as entre seis anos e 17 anos de cidades e comunidades carentes de todo o pa\u00eds. J\u00e1 o Furnas Educa \u00e9 um projeto itinerante de educa\u00e7\u00e3o ambiental. Eu e outros atletas e ex-atletas visitamos escolas da rede municipal e estadual, tentando levar consci\u00eancia ambiental para as crian\u00e7as de uma forma alegre, diferente, em forma de brincadeira.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea nunca vislumbrou se tornar uma treinadora?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o me vejo como treinadora. N\u00e3o tenho esse perfil. Prefiro focar os projetos, me inspirei em meus pais. Eles sempre trabalharam com crian\u00e7as carentes. Ent\u00e3o, eu acho importante levarmos um pouco dessa oportunidade que n\u00f3s tivemos a essas crian\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Em abril, internautas criticaram bastante voc\u00ea nas redes sociais por causa do seu &#8220;excesso de peso&#8221;. Como encarou aquela situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Ah&#8230; foi normal. Primeiro, eu acho que as pessoas est\u00e3o acostumadas a nos ver com um corpo, o de atleta (43 kg, 1,44 m). Por\u00e9m, quando a gente para de treinar, o nosso corpo n\u00e3o \u00e9 mais o de atleta. Hoje, eu tenho o corpo de uma pessoa normal (extraoficialmente seu peso \u00e9 de 53 kg).\u00a0 Fiquei 19 anos trabalhando diariamente, oito a nove horas. Eu mesmo estranhei a mudan\u00e7a do corpo. N\u00e3o estou comendo muito, a pr\u00f3pria diminui\u00e7\u00e3o de carga de atividade j\u00e1 faz\u00a0 isso acontecer. Ent\u00e3o eu levo como uma situa\u00e7\u00e3o normal.<\/p>\n<p><strong>Em entrevista \u00e0 r\u00e1dio Jovem Pan, voc\u00ea afirmou: &#8220;O preconceito n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no esporte, \u00e9 fora do esporte e deve ser levado com seriedade em todas as suas formas&#8221;. Voc\u00ea j\u00e1 foi alvo de preconceito?<\/strong><\/p>\n<p>S\u00f3 o fato de sermos negros, j\u00e1 nascemos com v\u00e1rias dificuldades. Existe, sim, o preconceito no Brasil, mesmo o pa\u00eds tendo 52% de pessoas negras. N\u00f3s ainda temos esses conflitos. Mas o preconceito n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 com ra\u00e7a, \u00e9 com sexo, \u00e9 com cor, tamanho&#8230; O ser humano \u00e9 naturalmente preconceituoso. Mas n\u00f3s\u00a0 todos somos iguais. N\u00e3o \u00e9 porque a gente sofreu com uma atitude preconceituosa, que vamos agir da mesma forma com as outras pessoas. Temos que dar o exemplo e agir com consci\u00eancia. Fazer com que o preconceito, seja qual for, termine.<\/p>\n<p><strong>No Mundial de\u00a0 Anaheim, nos Estados Unidos, sua apresenta\u00e7\u00e3o teve como base uma das m\u00fasicas mais conhecidas do pa\u00eds,\u00a0 Brasileirinho,\u00a0 composta em 1947 por Waldir Azevedo. De onde surgiu veio aquela ideia?<\/strong><\/p>\n<p>Na verdade, Brasileirinho veio como um presente. Foi uma ideia em conjunto com o\u00a0 Oleg Ostapenko (treinador ucraniano de Daiane) de valorizar e homenagear a m\u00fasica brasileira. Na \u00e9poca que fiz o Brasileirinho, todas as atletas da sele\u00e7\u00e3o se apresentavam tamb\u00e9m com uma m\u00fasica nacional. O pa\u00eds \u00e9\u00a0 forte na cultura e na musicalidade. Foi uma chance de mostrarmos isso ao mundo e acho que deu certo.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o suas perspectivas para a Olimp\u00edada Rio-2016?<\/strong><\/p>\n<p>Poxa, eu n\u00e3o posso falar sobre isso porque voc\u00ea \u00e9 da imprensa. S\u00f3 posso falar sobre esse tema para a Globo, da qual sou contratada. Mas, estou confiante e esperan\u00e7osa.<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 que ponto atuar em casa, com a press\u00e3o da torcida, pode ser favor\u00e1vel aos atletas brasileiros?<\/strong><\/p>\n<p>Competir em casa sempre \u00e9 muito bom. Primeiro, porque a gente pode estar pr\u00f3ximo da nossa fam\u00edlia, da torcida. Ver as pessoas que amamos e sentir o calor do povo brasileiro. Mas, ao mesmo tempo, causa uma maior ansiedade no atleta que compete por estar em casa. Acho que a press\u00e3o sempre temos, n\u00e9? De vencer, de trazer medalhas e t\u00edtulos. Isso vai ser no Brasil ou fora dele. Convivemos com isso todos os dias, j\u00e1 estamos acostumados. Mas\u00a0 estar perto da torcida d\u00e1 uma ansiedade maior.<\/p>\n<p><strong>Em 2016, voc\u00ea n\u00e3o competir\u00e1. Ao contr\u00e1rio, vai trabalhar como\u00a0 comentarista. J\u00e1 se imagina como tal?<\/strong><br \/>\n(risos) Bem&#8230; \u00e9 diferente um pouco, n\u00e9?\u00a0 A gin\u00e1stica \u00e9 um esporte t\u00e9cnico, ent\u00e3o eu tenho que falar de uma forma simples. Normalmente, n\u00f3s treinamos para\u00a0 fazer as apresenta\u00e7\u00f5es, as competi\u00e7\u00f5es&#8230; Mas d\u00e1 um friozinho na barriga. Pois, \u00e9 claro, \u00e9 um pouco diferente do que eu sempre fiz. Antes eu mais atuava do que falava. Mas no geral \u00e9 bom falar do esporte que eu amo para outras pessoas.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea avalia o atual cen\u00e1rio da gin\u00e1stica art\u00edstica no pa\u00eds e dos outros esportes ol\u00edmpicos?<\/strong><br \/>\nO Brasil ainda tem muito problema com a inicia\u00e7\u00e3o esportiva. A falta de\u00a0 investimento n\u00e3o \u00e9 exclusividade da Bahia, por exemplo. Em todos os estados ainda temos dificuldades para os atletas se manterem. Em alguns esportes, ainda mais. Eu acho que j\u00e1 melhorou um pouco do que era antes. Hoje em dia, j\u00e1 tem Lei Piva, Lei do Incentivo, Bolsa Atleta &#8230; Temos algumas fontes para os atletas conseguirem se manter. Mas \u00e9 claro que ainda precisa mais. N\u00e3o adianta acharmos que depende s\u00f3 do governo, precisamos da empresa privada, ou seja, de patroc\u00ednio para que as coisas consigam continuar evoluindo.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o s\u00f3 na gin\u00e1stica, mas \u00e9 cada vez mais comum a presen\u00e7a de t\u00e9cnicos estrangeiros no Brasil.\u00a0 Voc\u00ea \u00e9 favor\u00e1vel a essa importa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Esse interc\u00e2mbio \u00e9 sempre bom. Acho que n\u00f3s temos uma oportunidade de mostrar tudo o que sabemos para eles e aprender um pouco do que eles sabem. Trazer um pouco de doutrinas diferentes para estarmos colocando em pr\u00e1tica aqui. Acho que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds miscigenado, feito de m\u00faltiplas culturas, e trazer pessoas de fora para c\u00e1 engrandece mais isso.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 se imaginou sendo comentarista de uma competi\u00e7\u00e3o aqui em Salvador?<\/strong><\/p>\n<p>(risos) Me falaram do CPJ (Centro Pan-Americano de Jud\u00f4, em Lauro de Freitas). N\u00e3o conhe\u00e7o n\u00e3o, mas tenho muitos amigos judocas que elogiaram o CPJ. Tenho vontade, sim,\u00a0 de vir\u00a0 para c\u00e1 comentar uma competi\u00e7\u00e3o.\u00a0 Se eu puder vir a Salvador comentar n\u00e3o s\u00f3 a gin\u00e1stica, mas outros esportes, e ver outras competi\u00e7\u00f5es acontecendo, sempre vou ficar feliz. Precisamos disso acontecendo para as pessoas verem os esportes, gostarem e come\u00e7arem a praticar.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea se deparou com o acidente de La\u00eds Souza (ex-ginasta que ficou tetrapl\u00e9gica)?<\/strong><\/p>\n<p>Para todos n\u00f3s, foi uma situa\u00e7\u00e3o muito triste, complicada. \u00c9 uma les\u00e3o muito s\u00e9ria (tor\u00e7\u00e3o na coluna cervical). Mas estou com bastante f\u00e9 que ela vai se recuperar.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daiane ainda marcou presen\u00e7a em outras duas edi\u00e7\u00f5es: Pequim (2008) e Londres (2012).  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