{"id":85289,"date":"2015-09-23T01:30:09","date_gmt":"2015-09-23T04:30:09","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=85289"},"modified":"2015-09-23T01:30:09","modified_gmt":"2015-09-23T04:30:09","slug":"escola-e-condenada-por-obrigar-crianca-a-desentupir-vaso-sanitario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/escola-e-condenada-por-obrigar-crianca-a-desentupir-vaso-sanitario\/","title":{"rendered":"Escola \u00e9 condenada por obrigar crian\u00e7a a desentupir vaso sanit\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<div class=\"clearFix\">\n<nav class=\"sharing\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/nav>\n<\/div>\n<p class=\"authors\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.conjur.com.br\/2015-set-22\/escola-condenada-obrigar-crianca-desentupir-vaso-sanitario#author\">Por\u00a0Giselle Souza<\/a><\/p>\n<div class=\"wysiwyg\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Situa\u00e7\u00f5es constrangedoras n\u00e3o caracterizam os m\u00e9todos pedag\u00f3gicos, sobretudo quando aplicados a\u00a0crian\u00e7as. Com esse entendimento, a 10\u00aa C\u00e2mara C\u00edvel do Tribunal de Justi\u00e7a do Rio de Janeiro condenou uma escola a pagar R$ 5 mil por danos morais a um aluno de seis anos por t\u00ea-lo obrigado a retirar objetos de um vaso sanit\u00e1rio que ele teria entupido. Segundo a institui\u00e7\u00e3o de ensino, a puni\u00e7\u00e3o teve por objetivo fazer o estudante mudar o ato de indisciplina.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-85290 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/vaso-sanitario-sujo.jpg\" alt=\"vaso sanitario sujo\" width=\"300\" height=\"168\" \/><\/p>\n<div class=\"wysiwyg\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o\u00a0foi movida pela m\u00e3e do aluno. Ela contou que a crian\u00e7a foi acusada de entupir o vaso sanit\u00e1rio com pap\u00e9is e uma garrafa de refrigerante. Como puni\u00e7\u00e3o, a diretora o obrigou a retirar os objetos. A primeira inst\u00e2ncia condenou a institui\u00e7\u00e3o de ensino a pagar R$ 20 mil de danos morais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escola recorreu da senten\u00e7a. Ao TJ-RJ, a institui\u00e7\u00e3o\u00a0argumentou que n\u00e3o agiu com ilicitude. Disse que o menor tem comportamento anormal e agitado em decorr\u00eancia de problemas familiares. Sustentou que ele atribuiu a responsabilidade a outro colega de classe, mas que em seguida confessou ter entupido o vaso sanit\u00e1rio. Argumentou tamb\u00e9m que a\u00a0puni\u00e7\u00e3o\u00a0representa um m\u00e9todo pedag\u00f3gico a fim de evitar atos semelhantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o desembargador <strong>Bernardo Moreira Garcez Neto<\/strong>, que relatou o caso, a escola n\u00e3o pode presumir que qualquer ocorr\u00eancia escolar seja causada por alunos com hist\u00f3rico de problemas pessoais ou com dificuldades de aprendizagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o se pode presumir que uma crian\u00e7a agitada ou com o quadro de desestrutura familiar tenha necessariamente problemas escolares. Nesse ponto, bem assinalou a senten\u00e7a: \u2018se a escola segrega, tacha, rotula o aluno que est\u00e1 passando por problemas emocionais, ent\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 preparada para ser escola [&#8230;] faz parte do dever educacional da escola atentar para o estado emocional dos alunos e oferecer-lhe amparo e condi\u00e7\u00f5es de transpor os obst\u00e1culos que encontram no caminho\u201d, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desembargador destacou que\u00a0n\u00e3o havia &#8220;provas contundentes&#8221; de que o aluno foi o respons\u00e1vel pelo entupimento do vaso sanit\u00e1rio da escola. No entanto, na opini\u00e3o dele, o\u00a0ponto nodal da a\u00e7\u00e3o estava em saber se a conduta da escola pode ser considerada um m\u00e9todo pedag\u00f3gico e correicional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o\u00a0relator, o\u00a0artigo 17 do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente\u00a0diz que o direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade f\u00edsica, ps\u00edquica e moral dos menores.\u00a0\u201c\u00c9 dever de todos velar pela dignidade do menor, evitando que ele seja v\u00edtima de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexat\u00f3rio ou constrangedor. O Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente tamb\u00e9m assegura \u00e0 crian\u00e7a o direito de ser respeitada por seus educadores. Nesse sentido, n\u00e3o se caracteriza como m\u00e9todo pedag\u00f3gico uma situa\u00e7\u00e3o que cause constrangimento ao menor, sob pena de viola\u00e7\u00e3o \u00e0 prote\u00e7\u00e3o integral\u201d, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E acrescentou: \u201cAssinala-se que nem mesmo um adulto que entupisse um vaso sanit\u00e1rio seria submetido a esse tipo de puni\u00e7\u00e3o, caso assim procedesse. Diante de tudo isso, houve viola\u00e7\u00e3o aos direitos da personalidade diante da situa\u00e7\u00e3o vexat\u00f3ria a que foi submetida a crian\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relator reduziu o valor do dano moral para R$ 5 mil ap\u00f3s levar em considera\u00e7\u00e3o a condi\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica das partes. A decis\u00e3o foi un\u00e2nime e j\u00e1 transitou em julgado.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Situa\u00e7\u00f5es constrangedoras n\u00e3o caracterizam os m\u00e9todos pedag\u00f3gicos, sobretudo quando aplicados a crian\u00e7as. 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