{"id":86204,"date":"2015-09-28T02:04:35","date_gmt":"2015-09-28T05:04:35","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=86204"},"modified":"2015-09-28T02:04:35","modified_gmt":"2015-09-28T05:04:35","slug":"filmes-nacionais-passam-anos-no-aguardo-da-estreia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/filmes-nacionais-passam-anos-no-aguardo-da-estreia\/","title":{"rendered":"Filmes nacionais passam anos no aguardo da estreia"},"content":{"rendered":"<div class=\"news_heading\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"news_heading\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"news_heading\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong><span class=\"gallery_desc\">Distribuidores cobram maior planejamento e envolvimento da Ancine. Festivais s\u00e3o oportunidade para filmes autorais<\/span><\/strong><\/em><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a class=\"yellowlight\" href=\"mailto:jornalismo@uai.com.br\">Carolina Braga<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"news_body\">\n<div class=\"font_change\">\n<div id=\"abanoticia\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_86205\" aria-describedby=\"caption-attachment-86205\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-86205 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/jose-wilker.jpg\" alt=\"jose wilker\" width=\"600\" height=\"398\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/jose-wilker.jpg 600w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/jose-wilker-300x199.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/jose-wilker-464x307.jpg 464w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/jose-wilker-160x106.jpg 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-86205\" class=\"wp-caption-text\">Filme com Jos\u00e9 Wilker gravado em 2009 est\u00e1 no circuito em apenas 32 salas<\/figcaption><\/figure>\n<p>Desde quinta-feira nos cinemas, A hora e a vez de Augusto Matraga, adapta\u00e7\u00e3o do diretor fluminense Vinicius Coimbra para o conto hom\u00f4nimo de Guimar\u00e3es Rosa, est\u00e1 sendo exibido em poucas salas brasileiras &#8211; duas delas em Pernambuco. N\u00e3o \u00e9, de forma alguma, a maneira que o diretor esperava lan\u00e7ar o longa-metragem, rodado em Diamantina, em Minas Gerais, estado no qual \u00e9 projetado tamb\u00e9m em apenas dois locais.<\/p>\n<p>&#8220;O lan\u00e7amento est\u00e1 sendo bem menor do que eu gostaria (32 salas em meia d\u00fazia de cidades), mas a demora acabou amortecendo a expectativa&#8221;, afirma Coimbra. Augusto Matraga, protagonizado por Jo\u00e3o Miguel e Jos\u00e9 Wilker, foi filmado em 2009. Pronto em 2011, teve sua premi\u00e8re no Festival do Rio daquele ano \u2013 onde venceu cinco pr\u00eamios, incluindo os de melhor filme pelos j\u00faris oficial e popular.<\/p>\n<p>Quatro anos de espera para que a segunda adapta\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica da hist\u00f3ria de Matraga e Jo\u00e3ozinho Bem-Bem (a primeira, de 1965, \u00e9 a hist\u00f3rica vers\u00e3o de Roberto Santos lan\u00e7ada em Cannes) chegasse ao circuito acabam mudando a perspectiva. Coimbra, que lan\u00e7a em 10 de outubro, tamb\u00e9m no Festival do Rio, seu novo filme (A floresta que se move, inspirado em Macbeth, com Ana Paula Ar\u00f3sio e Gabriel Braga Nunes), fala em &#8220;sensa\u00e7\u00e3o de gratid\u00e3o&#8221; ao ver o longa chegar aos cinemas, mesmo com tanto atraso. &#8220;Eu sabia que a hora do filme iria chegar&#8221;.<\/p>\n<p>O exemplo de Augusto Matraga \u00e9 apenas um no universo do cinema nacional. Produzir um filme \u00e9 dif\u00edcil, mas lan\u00e7\u00e1-lo, mais ainda. Bonitinha, mas ordin\u00e1ria, adapta\u00e7\u00e3o de Moacyr G\u00f3es para a obra de Nelson Rodrigues, foi lan\u00e7ado, tamb\u00e9m num circuito bastante restrito, em 2013. Estava pronto desde 2008. Tamb\u00e9m filmado em 2008, Ins\u00f4nia, de Beto Souza, s\u00f3 conseguiu chegar ao circuito comercial no ano passado. Ambos os filmes passaram quase despercebidos nos cinemas.<\/p>\n<p>Distribui\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>&#8220;Muitos filmes n\u00e3o conseguem ser lan\u00e7ados porque n\u00e3o existe (no Brasil) um pensamento voltado para o lan\u00e7amento. A verba da comercializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 embutida na da produ\u00e7\u00e3o&#8221;, comenta Priscila Miranda, da distribuidora Tucum\u00e1n Filmes. Para ela, o mundo da distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 mut\u00e1vel em sua ess\u00eancia. Entre os motivos que interferem na escolha da data, est\u00e1 o perfil do filme, os concorrentes que ele vai ter no per\u00edodo e a verba para o lan\u00e7amento. Isto ocorre com todo tipo de filme, at\u00e9 mesmo com os famigerados blockbusters norte-americanos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-86206 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/trucu.jpg\" alt=\"trucu\" width=\"615\" height=\"385\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/trucu.jpg 615w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/trucu-300x188.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/trucu-464x290.jpg 464w\" sizes=\"auto, (max-width: 615px) 100vw, 615px\" \/><br \/>\nA Tucum\u00e1n havia previsto lan\u00e7ar, na \u00faltima quinta-feira,A luneta do tempo, primeiro longa-metragem dirigido por Alceu Valen\u00e7a. Filmado em duas etapas, 2009 e 2011, o projeto s\u00f3 foi finalizado ano passado, quando foi lan\u00e7ado no Festival de Gramado (levou os pr\u00eamios de trilha sonora e dire\u00e7\u00e3o de arte). Por causa dos mesmos fatores citados por Priscila, o lan\u00e7amento comercial foi adiado. Por ora, n\u00e3o h\u00e1 data prevista. No caso, ela ainda tem que conciliar a agenda do cinema com a do pr\u00f3prio Alceu.<\/p>\n<p>&#8220;Tem que haver um m\u00ednimo de divulga\u00e7\u00e3o, uma verba para o chamado P&amp;A (prints and advertising, ou c\u00f3pia e publicidade). Apoia-se o filme brasileiro na produ\u00e7\u00e3o, mas, na distribui\u00e7\u00e3o, s\u00e3o poucos os editais (a Ancine tem o Prodecine, que contemplou, entre outros, Real beleza, de Jorge Furtado, lan\u00e7ado em agosto). E filmes mais art\u00edsticos, autorais, precisam deste apoio de publicidade e marketing&#8221;, continua Priscila.<\/p>\n<p>Ela exemplifica com um lan\u00e7amento recente da pr\u00f3pria Tucum\u00e1n. Campo de jogo, de Eryk Rocha, foi lan\u00e7ado em 15 salas. Ficou sete semanas em cartaz. Seu p\u00fablico total no per\u00edodo foi de exatas 2.416 pessoas. &#8220;Eu coloquei dinheiro do bolso para o lan\u00e7amento e n\u00e3o vai haver retorno&#8221;, comenta Priscila.<\/p>\n<p>Festivais<\/p>\n<p>O filme de arte, quando chega \u00e0 rede comercial, geralmente \u00e9 exibido em um circuito restrito e alternativo. O realizador paulista Greg\u00f3rio Graziosi lan\u00e7ou em agosto seu primeiro longa-metragem, Obra. At\u00e9 hoje em cartaz em uma sala pequena de S\u00e3o Paulo, a produ\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o atingiu os 4 mil espectadores.<\/p>\n<p>&#8220;Os filmes pequenos acabam sendo mais vistos nos festivais de cinema do que no circuito comercial&#8221;, comenta Graziosi, que fez a premi\u00e8re do longa na edi\u00e7\u00e3o de 2014 do Festival de Toronto. &#8220;Num s\u00f3 festival, seu filme pode ser visto por 2 mil, 3 mil pessoas&#8221;. Para ele, o ideal para esse perfil de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 conseguir fazer o lan\u00e7amento comercial casado com algum festival importante.<\/p>\n<p>&#8220;As sess\u00f5es em festivais costumam ser lotadas, e os filmes menores precisam do embasamento que um festival traz. Se um evento do porte da Mostra de S\u00e3o Paulo ou do Festival do Rio criasse seu pr\u00f3prio selo de distribui\u00e7\u00e3o, as produ\u00e7\u00f5es poderiam circular mais&#8221;, sugere Graziosi.<\/p>\n<p>Outro que acredita que o circuito de festivais \u00e9 essencial para a vida de um longa-metragem \u00e9 o produtor mineiro Thiago Macedo Correia, integrante do coletivo Filmes de Pl\u00e1stico, de Contagem, que vem realizando curtas e longas celebrados em festivais nacionais e internacionais. Correia foi o produtor de Ela volta na quinta, primeiro longa-metragem de Andr\u00e9 Novais.<\/p>\n<p>O filme sobre a crise no relacionamento de um casal, que tem os pr\u00f3prios pais do realizador como protagonistas, foi exibido em premi\u00e8re no Festival de Marselha, em julho de 2014. J\u00e1 em setembro do mesmo ano chegou ao circuito de festivais brasileiros, levando dois Candangos em Bras\u00edlia. &#8220;Hoje, 100% dos filmes independentes brasileiros estreiam em festival. Sem esse circuito, os filmes com um perfil mais autoral n\u00e3o existem&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Para Correia, o festival serve para balizar um filme. Ele anuncia para dezembro a chegada de Ela volta na quinta ao circuito comercial. Mesmo assim, o filme continua fazendo carreira em festivais. Nos \u00faltimos meses, participou de competi\u00e7\u00f5es no Canad\u00e1, no Rio e em Vit\u00f3ria. &#8220;Se ele for bem, a carreira de um filme em festival pode durar pelo menos um ano&#8221;, finaliza.<\/p>\n<p>Matraga domestica Guimar\u00e3es Rosa<\/p>\n<p>Se a ousadia \u00e9 uma virtude, o primeiro ponto \u00e9 a favor de Vinicius Coimbra: ela n\u00e3o falta a um estreante que, tendo por lastro seu trabalho em TV, atreve-se a adaptar um monumento liter\u00e1rio como A hora e a vez de Augusto Matraga, de Guimar\u00e3es Rosa, e, mais ainda, propor o remake de um cl\u00e1ssico \u2013 o filme de Roberto Santos (1965). Mas tamanho desafio coloca o autor em situa\u00e7\u00e3o delicada. Logo de cara, topamos com um plano a\u00e9reo, desses que sobrevoam suavemente as serras. Pouco depois, encontramos Augusto num tiroteio, t\u00e3o picotado quanto convencional (ah, podia ter se inspirado nos de Glauber).<\/p>\n<p>Os problemas n\u00e3o param por a\u00ed. Ora vamos \u00e0 c\u00e2mera lenta, ora a evoca\u00e7\u00f5es de Deus que n\u00e3o se assemelham \u00e0 religi\u00e3o tal como nos parece comunicar Rosa. Cada plano parece nos afastar de Rosa e nos projetar numa novela de TV. Talvez seja exagero usar a palavra vulgaridade. Mais pr\u00f3ximo do que acontece seria notar que o novo Matraga nos entrega uma esp\u00e9cie de Rosa atapetado, domesticado, destitu\u00eddo da aridez sertaneja de seu texto. Parte vem do elenco: uma Diad\u00f3ra muito urbana, um Jo\u00e3ozinho Bem-Bem que parece chegado de Ipanema&#8230;<\/p>\n<p>Assim tamb\u00e9m o falar, pitoresco, n\u00e3o arrasta consigo nenhum significado, nada disso que faz dos contos de Rosa uma par\u00e1bola, algo que transcende o acontecimento. Se essas e outras afastam o filme de Guimar\u00e3es Rosa, em troca lhe conferem uma qualidade comunicativa evidente. Al\u00e9m do conforto da formula\u00e7\u00e3o, da maneira como se faz imediatamente familiar ao espectador, um elenco com Irandhir Santos, Jos\u00e9 Wilker, Chico Anysio e alguns outros rostos conhecidos refor\u00e7a essa virtude. Por fim, Jo\u00e3o Miguel \u00e9 uma bela escolha para Matraga.<\/p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Fonte: Di\u00e1rio de Pernambuco<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Distribuidores cobram maior planejamento e envolvimento da Ancine. 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