{"id":86721,"date":"2015-09-30T01:49:12","date_gmt":"2015-09-30T04:49:12","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=86721"},"modified":"2015-09-30T01:49:12","modified_gmt":"2015-09-30T04:49:12","slug":"stj-tranca-acao-contra-advogados-que-apontaram-irregularidades-de-juiz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/stj-tranca-acao-contra-advogados-que-apontaram-irregularidades-de-juiz\/","title":{"rendered":"STJ tranca a\u00e7\u00e3o contra advogados que apontaram irregularidades de juiz"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"title\" style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<div class=\"wysiwyg\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Para configura\u00e7\u00e3o da denuncia\u00e7\u00e3o caluniosa, \u00e9 indispens\u00e1vel que os fatos atribu\u00eddos \u00e0 v\u00edtima n\u00e3o correspondam \u00e0 verdade e que haja certeza de sua inoc\u00eancia por parte do autor. Com esse entendimento, a 6\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a trancou a\u00e7\u00e3o penal contra um grupo de advogados de Santa Catarina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-86722 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/justi\u00e7a-balan\u00e7a1.jpg\" alt=\"justi\u00e7a balan\u00e7a\" width=\"369\" height=\"136\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/justi\u00e7a-balan\u00e7a1.jpg 369w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/justi\u00e7a-balan\u00e7a1-300x111.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 369px) 100vw, 369px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles denunciaram \u00e0 Ordem dos Advogados do Brasil irregularidades que teriam sido cometidas pelo juiz, com a concord\u00e2ncia t\u00e1cita do promotor, em audi\u00eancia de julgamento de uma a\u00e7\u00e3o penal. A OAB comunicou os fatos \u00e0 Corregedoria-Geral de Justi\u00e7a e \u00e0 Corregedoria do Minist\u00e9rio P\u00fablico, que instauraram procedimentos disciplinares contra o juiz e o promotor, posteriormente arquivados \u201cpor aus\u00eancia de ind\u00edcios de pr\u00e1tica de infra\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O juiz e o promotor ofereceram representa\u00e7\u00e3o criminal contra os advogados por denuncia\u00e7\u00e3o caluniosa. Ao fim do inqu\u00e9rito, a Pol\u00edcia Civil concluiu pela inexist\u00eancia do crime, mas mesmo assim o Minist\u00e9rio P\u00fablico denunciou os investigados como incursos no artigo 339 do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Habeas Corpus impetrado no Tribunal de Justi\u00e7a de Santa Catarina, a defesa pediu o trancamento da a\u00e7\u00e3o penal com o argumento de que os advogados \u201capenas exerceram seu leg\u00edtimo e constitucional direito de peti\u00e7\u00e3o\u201d. Negado o pedido, a defesa recorreu ao STJ.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ci\u00eancia da inoc\u00eancia<\/strong><br \/>\nO relator do recurso, ministro Rogerio Schietti Cruz, observou que a den\u00fancia n\u00e3o aponta circunst\u00e2ncias capazes de levar \u00e0 suposi\u00e7\u00e3o de que os advogados tivessem narrado fatos falsos ou agido cientes da inoc\u00eancia do juiz e do promotor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o ministro, a doutrina e a jurisprud\u00eancia do STJ consideram imprescind\u00edvel para a ocorr\u00eancia da denuncia\u00e7\u00e3o caluniosa que a imputa\u00e7\u00e3o de crime seja objetivamente e subjetivamente falsa. Em outras palavras, al\u00e9m de a v\u00edtima ser inocente, o denunciante deve ter a inequ\u00edvoca ci\u00eancia dessa inoc\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Schietti reconheceu que o elemento subjetivo do crime de denuncia\u00e7\u00e3o caluniosa n\u00e3o precisa estar comprovado j\u00e1 no in\u00edcio da a\u00e7\u00e3o penal. No entanto, al\u00e9m de estar mencionado na imputa\u00e7\u00e3o, deve tamb\u00e9m ser dedut\u00edvel dos pr\u00f3prios termos da den\u00fancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Risco \u00e0 advocacia<\/strong><br \/>\n\u201cQualquer pessoa \u2014 advogado ou n\u00e3o \u2014 pode representar e pedir provid\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a fatos que afirme ilegais ou que configurem abuso de poder. S\u00f3 haver\u00e1 crime se esse direito for exercido por quem, intencionalmente, falsear os fatos, ciente de que acusa um inocente\u201d,\u00a0 disse Schietti.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do contr\u00e1rio, continuou o ministro, haveria o risco de cercear o pr\u00f3prio exerc\u00edcio da advocacia, \u201cque compreende a possibilidade de que eventual abuso de poder seja comunicado aos \u00f3rg\u00e3os de representa\u00e7\u00e3o classista ou mesmo aos \u00f3rg\u00e3os correicionais do Poder Judici\u00e1rio, sem o risco de rea\u00e7\u00f5es punitivas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os demais ministros acompanharam o voto do relator e consideraram ileg\u00edtima a a\u00e7\u00e3o penal. A turma concluiu que, \u201ccomparando-se o tipo penal apontado na den\u00fancia com as condutas atribu\u00eddas aos denunciados\u201d, n\u00e3o est\u00e3o satisfeitos os requisitos do artigo 41 do C\u00f3digo de Processo Penal, necess\u00e1rios ao exerc\u00edcio do contradit\u00f3rio e da ampla defesa. <em>Com informa\u00e7\u00f5es da Assessoria de Imprensa do STJ.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para configura\u00e7\u00e3o da denuncia\u00e7\u00e3o caluniosa, \u00e9 indispens\u00e1vel que os fatos atribu\u00eddos \u00e0 v\u00edtima n\u00e3o correspondam \u00e0 verdade e que haja certeza de sua inoc\u00eancia por parte do autor. 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