{"id":87606,"date":"2015-10-05T08:58:45","date_gmt":"2015-10-05T11:58:45","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=87606"},"modified":"2015-10-05T08:58:45","modified_gmt":"2015-10-05T11:58:45","slug":"ano-fechara-com-mais-de-10-milhoes-de-pessoas-sem-emprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/ano-fechara-com-mais-de-10-milhoes-de-pessoas-sem-emprego\/","title":{"rendered":"Ano fechar\u00e1 com mais de 10 milh\u00f5es de pessoas sem emprego"},"content":{"rendered":"<div class=\"news_heading\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"news_heading\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong><span class=\"gallery_desc\">Trabalhadores que, at\u00e9 bem pouco tempo, tiravam proveito dos benef\u00edcios da carteira assinada agora lutam, na informalidade, para n\u00e3o deixar faltar comida em casa<\/span><\/strong><\/em><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure id=\"attachment_87607\" aria-describedby=\"caption-attachment-87607\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-87607 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/desempregados.jpg\" alt=\"desempregados\" width=\"620\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/desempregados.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/desempregados-300x200.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/desempregados-160x107.jpg 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-87607\" class=\"wp-caption-text\">Thiago e P\u00e2mela j\u00e1 deixaram de comer para n\u00e3o faltar comida para os filhos<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"news_body\">\n<div class=\"font_change\">\n<div id=\"abanoticia\" style=\"text-align: justify;\">\nO desemprego est\u00e1 roubando o sonho das fam\u00edlias e, pior, jogando fora a dignidade de trabalhadores que, nos \u00faltimos anos, puderam, com o emprego formal, satisfazer muitas das necessidades de consumo comuns a qualquer mortal. Sem dinheiro para abastecer a despensa de casa e sem perspectiva de voltarem a ter carteira assinada, que garante uma s\u00e9rie de benef\u00edcios, a op\u00e7\u00e3o tem sido mergulhar na informalidade, sujeitando-se a todo tipo de adversidades, inclusive a viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Demitida em fevereiro de um sal\u00e3o de beleza, onde trabalhava como recepcionista, P\u00e2mela Magalh\u00e3es Costa, 28 anos, tentou o quanto p\u00f4de se recolocar no mercado. Bateu em muitas portas, mas nenhuma lhe foi aberta. A op\u00e7\u00e3o que lhe restou foi vender panos de pratos nas ruas. Ou era isso, ou as tr\u00eas filhas ficariam sem ter o que comer. Os ganhos do marido, Thiago Alves Thomaz, 24, que \u00e9 ambulante, n\u00e3o eram suficientes para bancar todas as despesas de casa.<\/p>\n<p>P\u00e2mela conta que, como recepcionista, ganhava R$ 1 mil por m\u00eas. Mas a estabilidade que acreditava ter no emprego e a renda do marido, tamb\u00e9m pr\u00f3xima de R$ 1mil, permitia a fam\u00edlia fazer planos. O mais imediato deles, comprar um carro. Mas a demiss\u00e3o, que chegou de forma inesperada, enterrou qualquer chance de melhora de vida. Agora, dependendo das ruas, a ex-recepcionista reza todos os dias para ter o b\u00e1sico que uma pessoa de bem pode ter. \u201cMeu maior medo \u00e9 chegar em casa e n\u00e3o ter o que dar de comer as minhas filhas. Eu e meu marido j\u00e1 deixamos de comer para n\u00e3o faltar nada a elas\u201d, diz.<\/p>\n<p>As mem\u00f3rias da perda do emprego ainda est\u00e3o frescas na mente de P\u00e2mela. \u201cQuando fui desligada, n\u00e3o sabia o que dizer em casa\u201d, ressalta ela, que cancelou o curso de ingl\u00eas e, agora, luta para garantir o dinheiro suficiente para o aluguel, de R$ 650. \u201cPara mim, a perda do emprego tamb\u00e9m significou a perda da estabilidade de um teto. Se n\u00e3o pagamos o aluguel, n\u00e3o teremos onde morar.\u201d<\/p>\n<p>Assim como P\u00e2mela, um ex\u00e9rcito de brasileiros foi despejado na informalidade desde o in\u00edcio deste ano, devido aos erros cometidos pelo governo na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica. Para esconder a dura realidade que se impunha e garantir um segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff estra\u00e7alhou as contas p\u00fablicas e deixou a infla\u00e7\u00e3o correr solta. O resultado foi uma onda de desconfian\u00e7a que varreu o pa\u00eds, derrubou a produ\u00e7\u00e3o, levou empresas a fecharem as portas e destruiu o emprego de milhares de pessoas. Desde 2004, n\u00e3o se v\u00ea tanta gente sobrevivendo de bico para n\u00e3o passar fome.<\/p>\n<p>Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) mostram que a quantidade de informais aumentou 2,2% em todo o pa\u00eds somente em agosto. Em regi\u00f5es metropolitanas como as de Belo Horizonte e de Recife, o salto foi de 6,9% e 13,2%, respectivamente. Os n\u00fameros, no entanto, pouco refletem o drama de atuar sem registro. \u201cSa\u00edmos para a rua sem a garantia de que vamos vender algo. J\u00e1 perdi as contas de quantas vezes cheguei chorando em casa, envergonhado, me sentindo um lixo por n\u00e3o ter dinheiro para comprar um quilo de arroz que fosse\u201d, conta Thomaz, o marido de P\u00e2mela. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3. A ex-recepcionista, ao abordar as pessoas nas ruas, tem de lidar com a humilha\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 comum ouvir um: ah, v\u00e1 trabalhar. Como se eu estivesse mendigando. N\u00e3o estou nessa situa\u00e7\u00e3o humilhante porque quero\u201d, lamenta ela.<\/p>\n<p><strong>Frustra\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA pouco mais de um quil\u00f4metro do Pal\u00e1cio do Planalto, aos gritos, Renata Moura, 42 anos, tenta ganhar a clientela. Todos os dias, desde o in\u00edcio do ano, a rotina \u00e9 mesma. Ela monta uma mesinha na rua, na qual exp\u00f5e aqu\u00e1rios e roupas para cachorro que ela mesmo fabrica. \u201c\u00c9 um luta di\u00e1ria pela sobreviv\u00eancia\u201d, diz. \u201cMas ou \u00e9 essa luta ou \u00e9 a falta de tudo em casa.\u201d A qualidade de vida de Renata vem se deteriorando nos \u00faltimos tr\u00eas anos, desde que o marido, Nelson Aleixo, 36, perdeu o emprego de vigilante.<\/p>\n<p>Num primeiro momento, Aleixo conseguiu sustentar a casa sozinho, mesmo vivendo da informalidade. O combinado era que de Renata s\u00f3 cuidasse das tr\u00eas filhas. Mas, como a economia entrando em recess\u00e3o, os bicos j\u00e1 n\u00e3o rendiam o suficiente para o sustento da fam\u00edlia. Ciente das dificuldades, Renata saiu \u00e0 procura de um emprego com carteira assinada. Queria recuperar o que tinha perdido com a demiss\u00e3o do marido: plano de sa\u00fade para ela e as filhas e t\u00edquete-alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A frustra\u00e7\u00e3o foi geral. \u201cDistribu\u00ed dezenas de curr\u00edculos, mas n\u00e3o consegui nenhuma oportunidade\u201d, conta Renata. A solu\u00e7\u00e3o foi se juntar ao marido na venda de produtos pelas ruas. Contudo, a batalha di\u00e1ria tem sido um paliativo. \u201cApenas tem amenizado o aperto nas contas\u201d, relata ela. Endividado, o casal devolveu, neste ano, o carro comprado em 2014, ap\u00f3s ter pago apenas tr\u00eas presta\u00e7\u00f5es. A viagem que a fam\u00edlia faria para Caldas Novas (GO), no Dia das Crian\u00e7as, foi cancelada.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 hav\u00edamos fechado o pacote, de R$ 800. Mas n\u00e3o podemos nos dar mais a esse luxo\u201d, lamenta Aleixo. O marido de Renata relata que a situa\u00e7\u00e3o financeira est\u00e1 t\u00e3o dif\u00edcil, que a fam\u00edlia abriu m\u00e3o de dormir com o ventilador ligado durante a noite e tem regulado at\u00e9 o banho. \u201cLavo as tr\u00eas meninas ao mesmo tempo para economizar \u00e1gua. E \u00e9 s\u00f3 um banho por dia para todos, porque a conta de luz ficou cara demais\u201d, diz a mulher. \u201cEstamos controlando os centavos\u201d, admite.<\/p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a class=\"yellowlight\" href=\"mailto:mailto:\">Correio Braziliense<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalhadores que, at\u00e9 bem pouco tempo, tiravam proveito dos benef\u00edcios da carteira assinada agora lutam, na informalidade, para n\u00e3o deixar faltar comida em casa<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":87607,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[4,6],"tags":[],"class_list":["post-87606","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/desempregados.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87606","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87606"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87606\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/87607"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87606"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87606"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87606"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}