{"id":9442,"date":"2013-08-12T14:53:09","date_gmt":"2013-08-12T17:53:09","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=9442"},"modified":"2013-08-12T14:53:09","modified_gmt":"2013-08-12T17:53:09","slug":"geisel-admitiu-fazer-bomba-atomica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/geisel-admitiu-fazer-bomba-atomica\/","title":{"rendered":"Geisel admitiu fazer bomba at\u00f4mica"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9443\" alt=\"geisel\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/geisel-300x95.jpg\" width=\"300\" height=\"95\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/geisel-300x95.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/geisel-620x197.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/geisel.jpg 630w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Arquivos secretos do Estado-Maior das For\u00e7as Armadas (EMFA) mostram que o ex-presidente Ernesto Geisel admitiu a possibilidade de o Brasil construir sua arma at\u00f4mica dentro de sua pol\u00edtica nuclear. Em exposi\u00e7\u00e3o feita ao Alto Comando das For\u00e7as Armadas, em 10 de junho de 1974, Geisel reconhece a preocupa\u00e7\u00e3o do governo e dos militares em rela\u00e7\u00e3o ao fato de a \u00cdndia ter detonado uma bomba at\u00f4mica e \u00e0 possibilidade de os vizinhos argentinos tamb\u00e9m o fazerem.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify\">Por conta disso, afirmou que considerava como um dos pontos b\u00e1sicos a serem adotados &#8220;desenvolver uma tecnologia para a utiliza\u00e7\u00e3o da explos\u00e3o nuclear para fins pac\u00edficos, o que nos permitir\u00e1, inclusive, se necess\u00e1rio, dispor de nossa pr\u00f3pria arma&#8221;, disse o general.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A fala de Geisel aos militares \u00e9 um momento marcante de seu mandato, quando decidiu se encontrar com o Alto Comando em Bras\u00edlia, numa reuni\u00e3o secreta no in\u00edcio de seu mandato presidencial e apresentar o que considerava como aspectos mais importantes. A reprodu\u00e7\u00e3o da fala do presidente faz parte do acervo do EMFA, que acaba de ser liberado pelo Arquivo Nacional, em Bras\u00edlia, e ao qual o Estado teve acesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Geisel fez quest\u00e3o de abordar a quest\u00e3o nuclear com o Alto Comando. &#8220;Por seus importantes reflexos sobre a seguran\u00e7a nacional, n\u00e3o desejo encerrar esta exposi\u00e7\u00e3o sem uma refer\u00eancia especial \u00e0 pol\u00edtica nacional para o uso da energia nuclear&#8221;, avisou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E demonstra sua preocupa\u00e7\u00e3o em evitar que o Brasil fique para tr\u00e1s em quest\u00e3o de desenvolvimento no setor, tanto para fins econ\u00f4micos, atrav\u00e9s da produ\u00e7\u00e3o de energia, quanto no campo militar. Nesse momento, ele trata abertamente da preocupa\u00e7\u00e3o com eventuais avan\u00e7os da Argentina nesse setor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;A explos\u00e3o recente de uma bomba nuclear pela \u00cdndia provocou como\u00e7\u00e3o mundial e temos que considerar a hip\u00f3tese de, em futuro n\u00e3o long\u00ednquo, a Argentina tamb\u00e9m pode explodir a sua. Evidentemente, isto gera inquieta\u00e7\u00e3o entre n\u00f3s e todos indagam qual ser\u00e1 a posi\u00e7\u00e3o do Brasil face \u00e0 situa\u00e7\u00e3o&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Geisel lembra aos presentes que, em anos anteriores, o Brasil teve &#8220;a preocupa\u00e7\u00e3o de preservar relativa liberdade de a\u00e7\u00e3o nesse campo&#8221;. E que, &#8220;por isso, o governo Castello Branco decidiu que o Brasil n\u00e3o deveria abrir m\u00e3o do direito de realizar explos\u00e3o nuclear para fins pac\u00edficos, bem como n\u00e3o assinou, mais tarde, o Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares, a despeito das fortes press\u00f5es exercidas pelas pot\u00eancias at\u00f4micas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O \u00a0general compara o quadro nuclear brasileiro com o da Argentina, lembrando que os vizinhos tiveram &#8220;relativa facilidade de encontrar ur\u00e2nio&#8221;, sendo &#8220;mais favorecida pela natureza que o Brasil&#8221;. E avaliou que ficaram em situa\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel para produzir armas nucleares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;Ora, dispondo de ur\u00e2nio, orientaram-se para a gera\u00e7\u00e3o de energia partindo do ur\u00e2nio natural, ficando na depend\u00eancia, apenas, da importa\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pesada. Certamente consideraram, tamb\u00e9m, que a solu\u00e7\u00e3o adotada, embora muito menos econ\u00f4mica, permite obter consider\u00e1veis quantidades de plut\u00f4nio, que pode servir para construir a arma nuclear&#8221;, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;O governo brasileiro, com vistas \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, preferiu o processo atualmente mais econ\u00f4mico, que \u00e9 o da utiliza\u00e7\u00e3o do ur\u00e2nio enriquecido. Por essa raz\u00e3o, contratou-se com firmas americanas a constru\u00e7\u00e3o da Usina de Angra dos Reis, \u00e0 base de ur\u00e2nio enriquecido. Pelas condi\u00e7\u00f5es do contrato, o ur\u00e2nio que ser\u00e1 usado em Angra dos Reis est\u00e1 sujeito a salvaguardas da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica e por isso teremos que restituir o plut\u00f4nio produzido&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;Nesse quadro, devemos evitar a abordagem passional do problema, capaz de nos conduzir a decis\u00f5es precipitadas, por influ\u00eancia das supostas possibilidades ou inten\u00e7\u00f5es da Argentina&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Apesar disso, Geisel avisa aos militares presentes que estava em fase de revis\u00e3o o conceito estrat\u00e9gico nacional &#8220;formulado anos atr\u00e1s&#8221;. E foi direto: &#8220;Dentro da necessidade de atualiza\u00e7\u00e3o, ressaltada pelo EMFA, o conceito dever\u00e1 abranger a hip\u00f3tese de guerra continental envolvendo a Argentina&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No discurso, Geisel trata de tudo, de pol\u00edtica interna a economia. Feito dez anos depois da tomada do poder pelos militares \u00e9 quase uma carta de inten\u00e7\u00f5es do presidente, que avisa considerar uma anormalidade os militares exercerem o poder no Pa\u00eds, al\u00e9m do uso de atos de exce\u00e7\u00e3o. Afirmou tamb\u00e9m que fazia parte de sua miss\u00e3o preparar o Brasil para retomar o governo democr\u00e1tico. E que se n\u00e3o o fizesse a miss\u00e3o caberia ao seu sucessor \u2013 como acabou acontecendo com o general Jo\u00e3o Batista de Figueiredo, \u00faltimo presidente militar. Geisel, por\u00e9m, avisou que n\u00e3o abriria m\u00e3o de utilizar os instrumentos de que dispunha para manter a ordem no Pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O documento com a \u00edntegra da fala de Geisel foi registrado nos arquivos do EMFA pelo general Hugo Abreu, ent\u00e3o ministro do gabinete militar do presidente. O jornalista Elio Gaspari faz refer\u00eancia a trechos desse discurso na sua monumental s\u00e9rie de livros sobre a ditadura. Seu acesso a essa fala presidencial, segundo registra sua obra, foi feita atrav\u00e9s de um calhama\u00e7o de 40 folhas anotadas por Heitor Ferreira, ent\u00e3o secret\u00e1rio de Geisel. (Estado de S. Paulo)<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arquivos secretos do Estado-Maior das For\u00e7as Armadas (EMFA) mostram que o ex-presidente Ernesto Geisel admitiu a possibilidade de o Brasil construir sua arma at\u00f4mica dentro de sua pol\u00edtica nuclear. 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