{"id":97721,"date":"2015-11-26T03:09:30","date_gmt":"2015-11-26T06:09:30","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=97721"},"modified":"2015-11-26T03:09:30","modified_gmt":"2015-11-26T06:09:30","slug":"travestis-pagam-r-50-a-cafetinas-para-trabalhar-na-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/travestis-pagam-r-50-a-cafetinas-para-trabalhar-na-rua\/","title":{"rendered":"Travestis pagam R$ 50 a cafetinas para &#8216;trabalhar&#8217; na rua"},"content":{"rendered":"<div id=\"topoNot\">\n<h2 class=\"titMateria colorNot\" style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<p class=\"creditoMateria\" style=\"text-align: justify;\">Andrezza Moura e Euzeni Daltro<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"materia\">\n<div id=\"fotoFullHoriz\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"flexslider\">\n<ul class=\"slides\">\n<li><img decoding=\"async\" title=\"Sabrina, que tem 18 anos, \u00e9 de Aracaju (SE) e faz programas na orla da Pituba - Foto: Jo\u00e1 Souza l Ag. A TARDE\" src=\"http:\/\/fw.atarde.uol.com.br\/2015\/11\/650x375_sabrina-travesti-garota-de-programa_1586340.jpg\" alt=\"Sabrina, que tem 18 anos, \u00e9 de Aracaju (SE) e faz programas na orla da Pituba - Foto: Jo\u00e1 Souza l Ag. A TARDE\" \/>\n<p class=\"flex-caption\">Sabrina, que tem 18 anos, \u00e9 de Aracaju (SE) e faz programas na orla da Pituba<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prostitui\u00e7\u00e3o das travestis vai muito al\u00e9m do livre arb\u00edtrio de fazer o que quiser com o pr\u00f3prio corpo. Descer para a pista, em Salvador, est\u00e1 condicionado ao pagamento de R$ 50 por semana \u00e0s cafetinas ou \u00e0s pessoas designadas por elas para fazerem a cobran\u00e7a. Quem n\u00e3o paga est\u00e1 pass\u00edvel de sofrer repres\u00e1lias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reportagem percorreu oito \u00e1reas de prostitui\u00e7\u00e3o de travestis localizadas na orla, no centro e na Cidade Baixa durante a noite e a madrugada dos dias 2, 3 e 4 de outubro. E constatou um estruturado esquema de &#8220;cafetinagem&#8221; em sete dessas \u00e1reas. S\u00e3o elas: Avenida 7 de Setembro, Avenida Barros Reis, Dois Le\u00f5es, Itapu\u00e3, Piat\u00e3, Pituba e Sete Portas. Entre as \u00e1reas percorridas pelos jornalistas, apenas no Largo de Roma n\u00e3o existe cafetina, conforme depoimentos das travestis que atuam nesse ponto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os relatos d\u00e3o conta de que a cobran\u00e7a por &#8220;pagar a rua&#8221; existe em todo o pa\u00eds e geralmente \u00e9 feita \u00e0s travestis que v\u00eam de outras cidades ou estados. Da\u00ed o nome &#8220;pagar a rua&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/fw.atarde.uol.com.br\/2015\/11\/travesti-prostituicao_1586342.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Travesti negocia com cliente no bairro da Pituba (Foto: Jo\u00e1 Souza l Ag. A TARDE)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As cobran\u00e7as s\u00e3o feitas sempre na sexta-feira e, geralmente, s\u00e3o realizadas por outras travestis, prostitutas ou ex-prostitutas, acompanhadas por outras travestis e at\u00e9 mesmo homens que trabalham com elas. Mas quem controla o esquema n\u00e3o vai \u00e0 rua cobrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A cafetina vem, no carro, cobrar a pista acompanhada por mais cinco travestis. Se a travesti n\u00e3o tiver dinheiro para pagar, ela d\u00e1 multa. Leva tudo que a pessoa tem. Se n\u00e3o tiver nada, descem as cinco [travestis do carro] para bater e at\u00e9 expulsar da pista&#8221;, contou uma travesti, que faz ponto na Pituba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na madrugada do dia 2 de outubro, uma sexta-feira, havia um carro preto com cinco travestis percorrendo as esquinas de prostitui\u00e7\u00e3o na Pituba. E tamb\u00e9m uma travesti que percorria outros pontos a p\u00e9 e, inclusive, conversou com a motorista do carro. Tanto esta \u00faltima quanto a motorista do ve\u00edculo vieram perguntar o que a reportagem estava fazendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu j\u00e1 me prostitu\u00ed, mas hoje fa\u00e7o um trabalho social com as travestis aqui na Pituba. Distribuo camisinhas e aconselho sobre sexo seguro e a import\u00e2ncia de n\u00e3o se envolverem em brigas e crimes&#8221;, disse ela, ao mostrar uma sacola com dezenas de preservativos. A distribui\u00e7\u00e3o de camisinhas foi o mesmo argumento dado por uma suposta cafetina na Avenida Orlando Gomes, em Itapu\u00e3, no dia \u00faltimo dia 21. Ambas negaram a pr\u00e1tica do crime.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem reside em casa de cafetina paga pela estada e n\u00e3o precisa pagar a rua. O pagamento tamb\u00e9m \u00e9 semanal e varia de R$ 120 a R$ 150. &#8220;Quando a gente chega em um ponto, algu\u00e9m vem logo perguntar &#8216;voc\u00ea \u00e9 filha de quem? Est\u00e1 na casa de quem?&#8217;. Se for uma cafetina conhecida, ningu\u00e9m mexe com voc\u00ea. Mas, se n\u00e3o for, corre o risco de pagar duas vezes. Paga na casa e paga aqui na rua&#8221;, contou a travesti Sabrina, 18 anos, que \u00e9 natural de Aracaju (SE) e est\u00e1 na casa de uma cafetina na Pra\u00e7a Castro Alves, pr\u00f3ximo ao cinema Glauber Rocha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A travesti Ticiele, 21, diz que j\u00e1 foi agredida quando trabalhava na Pituba. Mas preferiu n\u00e3o entrar em detalhes. A agress\u00e3o fez com que ela optasse por pagar a rua mesmo n\u00e3o sendo obrigada, pois \u00e9 da cidade. &#8220;Eu cheguei nova. Pago a rua para as antigas n\u00e3o mexerem comigo, n\u00e3o ficarem pedido para eu pagar lanche e bebidas. Nada for\u00e7ado, mas \u00e9 um constrangimento. Para n\u00e3o acontecer dessas coisas, para n\u00e3o ser mexida por outras, eu pago a rua. Pago para ter seguran\u00e7a&#8221;, disse ela. Isso porque, se acontecer alguma coisa com as travestis na rua, as cafetinas tomam provid\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O neg\u00f3cio da cafetina s\u00f3 \u00e9 pagar. Se n\u00e3o pagar, elas viram monstro. O neg\u00f3cio \u00e9 n\u00e3o ficar devendo a rua, n\u00e3o passar do dia. Se n\u00e3o pagar na sexta-feira e n\u00e3o respeitar o prazo que elas deram, ganha doce&#8221;, contou a travesti Adriquiele, 21, cujo ponto \u00e9 no Largo de Roma. E doce pode ser uma agress\u00e3o f\u00edsica, a exemplo de corte no corpo com estilete, ter os pertences roubados, ser alvo de fofoca ou at\u00e9 mesmo ser expulsa do ponto de prostitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3 class=\"tituloGaleria\" style=\"text-align: justify;\">Travesti: a luta de todos os dias<\/h3>\n<div id=\"gallery\" class=\"ad-gallery\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"ad-image-wrapper\">\n<div class=\"ad-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/fw.atarde.uol.com.br\/2015\/11\/g_2015112521621876.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"436\" \/><\/p>\n<p class=\"ad-image-description\">Travesti Sabrina, 25 anos, em momento descontra\u00eddo na esquina onde trabalha na Avenida Oct\u00e1vio Mangabeira, em Itapu\u00e3<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ad-nav\">\n<div class=\"ad-forward\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Explorar prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 crime<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tirar proveito da prostitui\u00e7\u00e3o alheia \u00e9 crime previsto no C\u00f3digo Penal Brasileiro (CPB). A pena \u00e9 reclus\u00e3o de um a quatro anos e multa, para os casos em que o explorador participa diretamente dos lucros ou se sustenta, no todo ou em parte, por quem se prostitui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os delegados Adailton Adam, da 1\u00aa DT (Barris), ACM Santos, da 12\u00aa DT (Itapu\u00e3), e Nilton Tormes, da 16\u00aa DT (Pituba), afirmaram ter conhecimento da prostitui\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas de responsabilidade das respectivas unidades policiais, mas afirmaram desconhecer a pr\u00e1tica de &#8220;cafetinagem&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Vamos investigar&#8221;, afirmou ACM Santos. O mesmo foi dito pelo tenente-coronel Saulo Roberto, comandantes da 13\u00aa CIPM (Pituba), pelo major Robson Pacheco, da 15\u00aa CIPM (Itapu\u00e3), e pelo major Edmilton Reis, da 37\u00aa CIPM (Liberdade).<\/p>\n<div class=\"modServicos\">\n<h4 class=\"colorNot\" style=\"text-align: justify;\">Pontos de prostitui\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Orla<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pituba: nos cruzamentos das ruas Maranh\u00e3o, Par\u00e1 e Esp\u00edrito Santo com as avenidas Manoel Dias da Silva e Oct\u00e1vio Mangabeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Itapu\u00e3 e Piat\u00e3: avenidas Dorival Caymmi e Oct\u00e1vio Mangabeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Centro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Avenida 7 de Setembro, pr\u00f3ximo ao Rel\u00f3gio de S\u00e3o Pedro, Avenida Barros Reis, na ladeira de acesso ao bairro do IAPI, Dois Le\u00f5es, e Sete Portas, nas proximidades da Ladeira C\u00f4nego Pereira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cidade Baixa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Largo de Roma, no cruzamento da Avenida Fernandes da Cunha com a Rua Frederico Lisboa. Esse foi o \u00fanico trecho visitado pela reportagem em que n\u00e3o h\u00e1 atua\u00e7\u00e3o de cafetinas, conforme relatos das travestis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: A Tarde<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os relatos d\u00e3o conta de que a cobran\u00e7a por &#8220;pagar a rua&#8221; existe em todo o pa\u00eds e geralmente \u00e9 feita \u00e0s travestis que v\u00eam de outras cidades ou estados. Da\u00ed o nome &#8220;pa<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":97722,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327],"tags":[],"class_list":["post-97721","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/prostituicao.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97721","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=97721"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/97721\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/97722"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=97721"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=97721"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=97721"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}