Para mostrar-se ao mundo quem de fato é

Coluna Fogo Cruzado – 25 de setembro de 2019

Foto: Agência Brasil

 

Nesta terça-feira, no decorrer do seu discurso na abertura da Assembleia Geral das ONU, em Nova York, o presidente Bolsonaro foi o tema mais debatido no mundo. Criara uma grande expectativa de que falaria sobre a Amazônia (tema central do seu discurso), a demarcação de terras indígenas, a corrupção nos governos petistas (cujo combate creditou na conta do ministro Sérgio Moro), o alinhamento automático do Brasil com os Estados Unidos e a crítica ao socialismo (à moda de cada qual) de Cuba, da Venezuela e da China. Nada de novo foi dito por ele na tribuna mais importante do planeta que já não o tivesse feito no Brasil, inclusive a repetição da bobagem de que o Brasil estava à beira do socialismo, o que foi evitado por ele em 2018.

Ora, se se pode dizer que em algum momento o Brasil esteve perto do socialismo foi em 1964, mas nem mesmo isso é verdadeiro. Havia alguns governadores como Arraes (em Pernambuco) e Seixas Dória (em Sergipe) que eram a favor da emancipação do povo pobre, porém nenhum dos dois se levantou contra a ordem vigente como Bolsonaro quer fazer crer. Tampouco os governos do PT podem ser rotulados de “socialistas”. Lula, é verdade, criou programas sociais importantes como Bolsa Família, Farmácia Popular, Prouni e Luz para todos, mas virou também amigo de banqueiros, empreiteiros e latifundiários, que acabaram sendo a causa de sua ida para o xilindró. Enfim, o discurso de Bolsonaro pode ser interpretado sob várias óticas, mas de pelo menos uma ele não escapa: usou a tribuna da ONU para mostrar ao mundo quem de fato ele é: um presidente de direita que se comporta à frente do Brasil como se ainda estivéssemos na “guerra fria”. (Inaldo Sampaio)

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