SDS em conflito aberto com a Associação dos Delegados de Polícia

Alessandro Carvalho - Foto Paulo Sérgio Sales-SEI

Por meio de nota divulgada nesta segunda-feira (5), o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, reconheceu que a não adesão dos delegados de polícia ao “Programa de Jornada Extra de Segurança” vulnerabilizou a segurança pública em algumas cidades do interior do Estado.

Por sua vez, a Associação dos Delegados de Polícia (Adeppe) também divulgou nota contestando a propaganda do Governo do Estado na televisão dizendo que os índices de violência continuam caindo na gestão do governador Paulo Câmara.

Veja a íntegra da nota da SDS:

A Secretaria de Defesa Social informa que vem acompanhando diariamente, em conjunto com a Polícia Civil, o gerenciamento dos plantões das delegacias do Estado, após o início do movimento dos delegados, com a não adesão ao Programa de Jornada Extra de Serviço – PJES, que é voluntário. Houve prejuízo em algumas cidades do interior, mas o plano de contingência previamente elaborado e colocado em prática tem sido até agora suficiente para não trazer transtornos mais graves à sociedade. A solução definitiva da questão ocorrerá com a chegada dos novos concursados no início de 2017. A SDS lembra que a mobilização dos profissionais de segurança tem natureza salarial, num momento de grave fragilidade econômica dos Estados brasileiros.

Este movimento já foi realizado no segundo semestre do ano passado, e foi um componente do aumento nos índices da criminalidade no final de 2015. Não obstante os prejuízos à segurança da população, o Governo do Estado, como sempre, está aberto ao diálogo com a categoria.

Veja a íntegra da nota da Adeppe:

Recentemente, o Governo de Pernambuco fez uso de custosa propaganda em rede de televisão, divulgando questionáveis bons resultados na área da Segurança Pública. Não bastasse o uso de números que não refletem a insegurança da população e de imagens que mostram estruturas e funcionamento que destoam da realidade, não há qualquer referência à Polícia Civil de Pernambuco, que é instituição de “apenas” 199 anos de existência e de serviços prestados à população.

Acontece que a Polícia Civil não é de nenhum governo passageiro, mas de Pernambuco e de seu povo. Não se curva à política e tem causado insatisfação de muitos ao realizar grandes Operações de Repressão Qualificada contra políticos, a exemplo das recentemente deflagradas nas cidades de Caruaru e Catende, com a prisão de vereadores e prefeito.

Talvez seja esse o motivo pelo qual a Polícia Civil tenha sido esquecida em propaganda do Governo de Pernambuco. Outro relevante motivo é o fato de que, atualmente, há pouco o que mostrar na estrutura da Polícia Civil, que vem sendo sucateada e destruída pelo descaso e abandono.

A carência, até mesmo de material de limpeza e de escritório, impede o adequado atendimento ao cidadão, que sofre duas vezes: com a violência e a falta de amparo estatal. O crescimento da violência é mero reflexo do tratamento inadequado das questões de segurança pública.

Mas nossa instituição não precisa de propaganda ilusória, pois há honra na verdade e o trabalho fala por si só. Não há Operação Qualificada sem Polícia Civil, nem mandados de prisão para cumprimento e nem a elucidação de crimes graves, como os que são diariamente solucionados através de um trabalho complexo de investigação.

Diante de tudo isso resta apenas a pergunta: “A quem interessa sucatear, abandonar e esquecer a Polícia Civil?”

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