Invadida três vezes, escola se abre à comunidade para combater violência
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— A escola é de todos. É da comunidade. Os filhos deles estão aqui. Por enquanto, só aconteceu em fim de semana. Mas pode acontecer dia de semana, né? — diz Daniela Cordeiro.

A primeira ação foi a recuperação de um muro. Os galões de tintas foram doados e o mutirão foi promovido na última quinta-feira. Do lado de fora, as pequenas mãos das crianças foram marcadas na parede. Tudo para lembrar que, ali, é um lugar que deve ser preservado.
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— Chamamos os pais para alertar desse problema. Para eles também cuidarem da escola. Eles abraçaram a ideia e estão ajudando nessa campanha — vibra a diretora.
O EXTRA mostra desde domingo o impacto da violência nas crianças da rede com cartinhas escritas por elas — as desta página foram feitas por alunos da Vila Kennedy.

Em Ricardo de Albuquerque, o próximo passo do EDI Noronha Santos é um novo muro que vai ganhar cores. Depois será a construção de uma horta. E mais o que a imaginação coletiva puder criar.

Caminho da paz deu certo em SP
A decisão de abrir a escola para a comunidade é comprovadamente bem sucedida. Exemplo disso é a Escola Municipal de Ensino Fundamental Presidente Campos Salles, em Higienópolis, área violenta de São Paulo.
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Lá, a mudança também começou com um muro. Mas o então diretor Braz Nogueira foi mais radical. Em vez de reformar, destruiu. Em 2002, derrubou as paredes que separavam a escola da comunidade porque entendeu que elas não protegiam a escola. O que faria aquele um local mais seguro era estar aberto.
A ideia veio quando os 21 computadores da unidade foram roubados antes de serem ligados. Braz, então, gritou para quem quisesse ouvir: “Estão roubando os seus filhos!”. Três dias depois, os equipamentos foram todos devolvidos na comunidade.

A transformação, a partir daí, foi gradual. A comunidade entrou na escola e passou a participar mais. Foi criado um sistema de decisão entre alunos que escolhem prefeitos e vereadores, entre eles, para se representarem. A escola, que registrava cinco brigas por dia, passou a ter tempos de paz.

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