Hoje, dia internacional da mulher, dia de celebração!
Nada melhor para comemorarmos essa data do que reverenciando mulheres que contribuíram, contribuem e influenciam o pensar irreverente, onde espaços sociais são ressignificados e transmutam em avanços da nossa sexualidade, construção de posicionamento do feminino no mundo de ontem e de hoje.
Vou citar três vertentes importantes desta representação: a literatura, as artes visuais, e os movimentos feministas de rua, entrelaçando-se na irreverência e transgressão de uma nova ordem.
Na literatura, não poderia deixar de referenciar duas grandes escritoras que muito influenciaram a minha trajetória e de muitas mulheres da minha geração.
Anais Nïn, escritora da década de 30, foi uma revolucionária da literatura, escreveu vários diários (Diário de Anais Nïn; Vênus Erótica; Incesto, entre outros), hoje considerados obras de grande importância literária, psicanalítica e antropológica do século 20. Suas obras mostram uma trajetória de irreverência e amadurecimento emocional e sexual. Uma mulher ocidental que vive seus anseios e luta por sua emancipação.

Clarica Lispector nossa grandiosa escritora, que viveu por um tempo na cidade de Recife, trouxe através dos seus escritos o pensar do corpo feminino e suas necessidades sexuais “despojado dos pudores ditados pela sociedade patriarcal”. Para citar alguns dos seus livros: “Laços de Família” – 1960, refere o seu pensar sobre a mulher em relação à sociedade e à instituição familiar. “A Via Crucis do Corpo” – 1974, contos que refletem o pensar do corpo feminino, suas necessidades sexuais e o perfil de múltiplas mulheres no seu papel social.

Outra vertente desse processo atual são os Movimentos Feministas de rua com expressão mundial, como o Pussy Power, Pussy Hat e Marcha das Vadias.
A Marcha das Vadias surgiu de um protesto realizado em Toronto, no Canadá, e tomou proporções mundiais. A marcha protesta contra a crença de que “as mulheres que são vítimas de estupro teriam provocado a violência por seu comportamento”. Tudo começou em janeiro de 2011, quando ocorreram diversos casos de abuso sexual em mulheres na Universidade de Toronto. Um policial fez a observação para que “as mulheres evitassem se vestir como vadias”. Pronto, ali começou um dos mais vigorosos protestos contra a naturalização do discurso machista da história.

Por fim, cito aqui as artistas plásticas Pernambucanas e contemporâneas, Christina Machado, Suzana Costa, Clara Moreira, Joana Liberal e Ana Flávia Mendonça
Suas obras falam do corpo feminino desde o gozo expresso na obra de Suzana Costa, o protesto da arquitetura fálica na leitura de Clara Moreira ou o olhar debochado e poético na obra de Joana Liberal, à representação de identidade da vulva de cada mulher, por Ana Flávia Mendonça, bem como o protesto contra o estupro de Chistina Machado.
Além da competência criativa, essas artistas trazem através da expressão e reflexão, o lugar da mulher liberta de toda a construção normativa de séculos, onde não podíamos falar, pensar e sentir o nosso próprio corpo.

As mulheres aqui referidas, entre muitas outras, de vários segmentos que permeiam por diferentes tempos históricos, marcam um cenário de luta através do tempo, onde o sofrimento não desconstrói a ludicidade e alegria expressa através da Arte de Viver!
Salve, salve o nosso dia, MULHER!!!
Por Magali Marino
























