[Áudios] Sindicalista faz graves denúncias contra o Hospital Regional e a falência da saúde em Juazeiro
Da Redação do AP
O delegado regional do SindSaúde, Geraldo Miranda, esteve na última sexta-feira (22) no programa de Waltermário Pimentel quando fez graves denuncias sobre os problemas enfrentados pelos funcionários do Hospital Regional de Juazeiro.

“Os trabalhadores do Hospital Regional estão passando por uma situação difícil, uma vez que não está tendo nem vale transporte para ir trabalhar, e se o funcionário faltar ao trabalho é punido ou recebe suspensão seguido de advertência. O fato já foi comunicado à Doutora Edésia Barros e Cintia [Ministério do Trabalho]”, informou o sindicalista. Ele afirmou ainda que o Ministério do Trabalho lavrou 60 autos de infração contra o hospital. “Toda vez que atrasa salário, deixa de depositar o FGTS – por sinal está em atraso há três meses – o valor aumenta. Juntando as multas do período em atraso, o débito é de R$ 4.618.903, 79”, denunciou.
“O hospital que está sendo administrado pela Associação de Proteção a Maternidade e a Infância de Castro Alves, este pessoal [empresa]não era mais para estar em Juazeiro porque quando se recebe multa com valores exorbitantes não se consegue certidões negativas para continuar exercer suas funções. Este pessoal administra mais seis hospitais na Bahia, e quando esta multa chega, abrange todo o CPJ da empresa”, informou Miranda.

Além do Ministério do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho também esteve nas dependências do hospital quando detectou mais irregularidades. “Acabou a TAC, a negociação, o caso agora é com o Poder Judiciário. O juiz pode mandar até prender alguém, e sem contar que esta unidade vem há sete meses se apropriando das mensalidades dos associados do sindicato. Independente do Estado está em atraso, a empresa não pode se apropriar do dinheiro dos trabalhadores”, disparou. Ele aproveitou para criticar o comportamento dos políticos. “Eles estão calados”, desabafou.
Fogo na sala vermelha do hospital
A ouvinte do programa, Rosana Buquete entrou em contato quando fez o seguinte questionamento à Geraldo Miranda, se o mesmo tinha conhecimento que hospital está sem material para cirurgia ortopédica, e que na UPA tem vários pacientes na fila à espera de cirurgias; e que ainda no Hospital Regional está faltando álcool cloratina, e se o mesmo teve conhecimento que a sala vermelha da unidade quase pegou fogo sendo obrigada a ser interditada. “Eu fiquei sabendo desta situação, mas esta parte cabe ao Ministério Público do Estado que pode tomar providência sobre esta situação. Eu como sindicalista posso procurar a promotora e passar esta situação. Na maioria das vezes quando fazemos uma denuncias, eles já sabem dos fatos (…) O hospital tem 606 funcionários e todos estão sendo prejudicados por atraso de salários e a falta do vale transporte”.
Humilhação
O Secretário de Saúde do Estado da Bahia, Flávio Vilas Boas foi criticado devido ao seu comportamento desprezivo para com as pessoas. “O secretário para receber a secretária municipal de Juazeiro [Fabíola Ribeiro] tem que estar com um deputado do lado, porque se ela chegar sozinha não é recebida.”

Hospital ameaçado
“O estado cortou o convênio com o Hospital Sote mandando as demandas para o Hospital Regional. Agora quero saber como vai atender os pacientes se não está dando conta dos 21 pacientes que estão jogados nos corredores. Em Juazeiro foram fechados os hospitais: Semec, Pronto Socorro Infantil, Santa Casa de Misericórdia, Só Baby, Maternidade São José. Juazeiro perdeu mais de 500 AIH – Autorização de Internação Hospitalar. Agora com esta ação contra a Sote, para onde vai este povo? Juazeiro está de uma forma de quem não tiver dinheiro não será atendido nos hospitais. A UPA não dá conta, o Hospital Regional não tem condições de atender casos de auta complexidades. A Sote é um hospital que tem 42 anos de experiência na área de ortopedia. O engraçado que os políticos deveriam se manifestar porque o povo está morrendo. Esse povo doido que anda correndo de moto, tem que parar porque não existe hospital para atender”, alertou.
Drama no Hospital Sote
“Eu sou funcionário do Hospital, técnico em radiologia, mas a preocupação da dona é para que não atrase os salários – muitos pais de famílias serão demitidos porque não tem cirurgias para fazer. Os atrasos já vinha acontecendo e a dona já estava se rebolando para manter a folha em dias, porque ela sabe se atrasar é multada. A preocupação com a Sote estou sentindo na pele, assim como todos os funcionários”.
Problemas no Sanatório Nossa senhora de Fátima
“Os atendimentos no Sanatório terão que passar antes pela UPA, mesmo porque ela [UPA] não tem condições de atender doido porque não está aparelhada para isso. De repente o cara pode surtar, bater em todo mundo e não se pode registar um BO porque a pessoa é uma desvalida. O que eu sei, que ela [Diretora do Sanatório] terá que trabalhar como hospital particular, mas para isso teria que tirar o convênio, ou parte dele, para poder manter a casa funcionando. Ela está endividada, existe constantes atrasos de salários e agora com esta nova mudança de atender através da regulação não vai mais poder atender diretamente. Hoje tem que ir para a UPA, passar pelo médico para que ele encaminhe. Agora como é que um clinico geral vai atender um maluco? Neste caso, quem deve fazer esse serviço é um psiquiatra. Eu queria que o prefeito Paulo Bomfim se manifestasse”.
Insanidade dos deputados médicos
“Na verdade Juazeiro tinha muitos hospitais, o dinheiro que vinha, não vem mais, e com isso o povo é quem está pagando (…) Muitos médios são deputados, a tabela do SUS está com mais de 15 anos defasada e esses médicos não tem interesse em melhorar a tabela, com isso os hospitais não sobrevivem, o estado que poderia fazer algo, não faz porque tem deputado ligado a ele”, concluiu.


























