Opinião: Um secretário desleal 

Quando governou Pernambuco, especialmente pela terceira e última vez, depois de ser cassado no primeiro mandato, o tarimbado e sabido Miguel Arraes, bisavô do prefeito do Recife, João Campos (PSB), não se envolvia diretamente na nomeação de auxiliares. Só tirava a caneta do tinteiro depois que um grupo de olheiros bisbilhotava a vida dos indicados.

O antigo SNI, hoje ABIN, cuida em Brasília de levantar a vida de nomes indicados para o Ministério e até estatais, para checar se tem algum indicado sem condições de levantar uma ficha corrida na polícia. Se estivesse assessorado por uma gente mais experiente e não menudos, certamente João Campos não teria nomeado José Manoel da Silva para presidir a Fundação de Cultura da Cidade do Recife.

Carimbar o passaporte para cargos, por menos importantes que sejam, exige de quem assina um mínimo de critérios. Não se pode confiar cegamente em secretários que já chegam com o prato pronto. O secretário de Cultura, Ricardo Melo, foi desonesto com o prefeito. Fez João bancar o dirigente de um órgão que cuida da política cultural da cidade que lá, atrás, chamou o pai dele, Eduardo Campos, de corrupto, Paulo Câmara “governador de merda” e Geraldo Júlio de “pior prefeito do Recife”.

Melo foi desleal na medida, também, que não passou ao prefeito e amigo pessoal a ficha de José Manoel, ativista político de esquerda, que antes de virar presidente da Fundação de Cultura matava o ócio nas redes sociais malhando os governos socialistas de Pernambuco, desde a sua implantação pelo ex-governador Eduardo Campos aos dias atuais capitaneados por Paulo Câmara, cria de Eduardo.

Com sua deslealdade jogou no colo de João a primeira crise da sua gestão em menos de 30 dias, que não será debelada apenas pela anulação do ato de nomeação de José Manoel. Se quiser se livrar desse fantasma que bateu à porta do seu Governo, o prefeito será obrigado a demitir, também, o secretário de Cultura.

Por: Magno Martins

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