A fome volta a ‘maltratar’ o Brasil

A crise econômica causada pela pandemia de covid-19 trouxe de volta ao Brasil o drama da fome. A falta de comida na mesa é uma realidade cruel para milhares de brasileiros, vítimas do desemprego e da recessão.

O reflexo dessa problemática social pode ser visto nas favelas. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva / Data Favela / Cufa (Central Única das Favelas) aponta que a maioria das pessoas não conseguem fazer nem duas refeições por dia.

Reportagem veiculada ontem (16) no Jornal Nacional, da TV Globo, mostrou que na favela de Paraisópolis, em São Paulo, muita gente estava preocupada em garantir o almoço e muitos desses não haviam nem tomado café.

Como forma de amenizar esse sofrimento, os próprios moradores de Paraisópolis arrecadam alimentos, cozinham e distribuem em marmitas, mas, com a gravidade da pandemia, o número de arrecadação reduziu.

No início da pandemia, pessoas e empresas ajudaram com muitas doações. De acordo com o líder comunitário, Gilson Rodrigues, Paraisópolis chegou a entregar dez mil refeições por dia. Hoje, são apenas 700, porque as doações diminuíram, devido ao aumento dos preços dos alimentos essenciais, como feijão, arroz e carne.

E para fazer a comida chegar ao maior número possível de famílias, eles estão distribuindo hoje apenas duas marmitas para cada família. Quem tem mais bocas do que isso para alimentar fica em uma outra fila esperando para ver se vai sobrar alguma marmita no fim.

“Tem dias que a gente só consegue oferecer macarrão, ou macarrão com alguma coisa, às vezes não tem feijão, não tem arroz. Praticamente é muito difícil conseguir ter carne, ter proteína. Então aqui a gente precisa um pouco de tudo para manter essas marmitas funcionando e muitas famílias da semana passada voltaram sem a marmita, sem a comida, porque não tinha o suficiente”, contou o líder comunitário Gilson Rodrigues, em entrevista à TV Globo.

O porteiro Luís Carlos Batista, que está desempregado, disse à reportagem que tem dias que só almoça, que não tem janta em casa e já passou dois dias sem se alimentar.

“Passei dois dias sem comer. Passei um sábado e um domingo sem comer nada. Bebi só café, porque café tinha em casa e acabei tomando café. E na minha casa só tem água na geladeira. Não tem nada para comer em casa”, relatou.

Números da pesquisa:

O estudo que foi feito em favelas de todo o país mostra que, para 71% das famílias, a renda caiu a menos da metade durante a pandemia, e 82% dos entrevistados disseram que, sem doações, não conseguem alimentar a família. Essas pessoas estão sobrevivendo com menos de duas refeições por dia, em média.

O presidente do instituto que fez a pesquisa lembra que, nas favelas do Brasil, moram muitos trabalhadores que dependem do que ganham dia após dia com trabalhos que são presenciais.

“Justamente essa parcela da população que não tem emprego formal, não trabalham em profissões onde o home office é permitido. São pessoas que não tendo alternativa para alimentar a sua família, estão tendo que sair de casa se expondo a um risco muito maior de serem contaminados. Hoje, um ano depois da pandemia, a situação é ainda pior”, alertou o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles.

Fonte: Blog Ricardo Antunes

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