A farra de Orson Welles nos cabarés do Recife

Da coluna de João Alberto 

Um dos mais famosos diretores da história do cinema, Orson Welles, que em 1941 lançou o clássico “Cidadão Kane” (revisado no filme “Mank”, candidato ao Oscar deste ano), no ano seguinte encantou-se com a história de quatro jangadeiros que viajaram 61 dias entre Fortaleza e o Rio de Janeiro, enfrentando as ondas e tempestades sem bússola e sem o menor aparato náutico, para exigir a inclusão dos profissionais do mar nas Leis Trabalhistas.

E decidiu incluir a aventura no seu filme “It’s all true” (“É tudo verdade”), que serviria de instrumento diplomático para os Estados Unidos, documentando a cultura da América Latina. Numa escala entre Fortaleza e o Rio de Janeiro, esteve no Recife em 1942. Ficou dois dias na cidade, hospedado no Grande Hotel.

Ganhou fama mundial a farra que fez e que durou uma noite inteira, nos cabarés da cidade, acompanhado do jornalista Caio Souza Leão, do fotógrafo Benício Dias e do poeta Tomas Seixas. A aventura foi mostrada no curta-metragem “It’s a Lero Lero”, que Lírio Ferreira fez em 1994. O famoso diretor também visitou a Meridional Filmes, principal produtora do estado à época, tendo ficado impressionado com as imagens que viu de maracatu e caboclinhos. Prometeu voltar no carnaval, mas nunca mais veio.

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