Opinião: Um deserto de líderes
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2017/Y/C/HckrUySyCcIBKNieDKYg/saara.jpg)
Opinião
O estudo do Banco Mundial, instituição insuspeita, apontando Recife como o pior ambiente para se fazer negócios entre as 27 capitais do País, só confirma, de forma insofismável, que era falsa e oportunista a campanha midiática do ex-prefeito Geraldo Júlio, o Covidão (PSB), vendendo a então propalada Veneza Brasileira como a Capital do Nordeste.
Covidão deveria se envergonhar por ter passado ao seu sucessor uma cidade abaixo até da pequena Macapá, capital do Amapá, em tratamento decente e respeitoso a quem deseja abrir um negócio, gerar empregos e reduzir as desigualdades sociais, como identificou o Banco Mundial. Mas a culpa não é apenas dele. O governador Paulo Câmara e as principais lideranças políticas do seu arco de aliança são igualmente responsáveis.
Pernambuco, notadamente Recife, que virou o patinho feio entre as capitais brasileiras, são vítimas de um modelo que se exauriu, o socialismo disfarçado, que reina há 16 anos. Uma monarquia na qual o rei é uma rainha, os áulicos batem palmas para a mediocridade, porque não têm a mínima capacidade nem um lampejo de discernimento para enxergar que o Leão do Norte há muito não ruge.
O ranking do Banco Mundial reflete, também, numa outra ponta, um Pernambuco sem liderança política, um governador amorfo, uma Assembleia Legislativa lagartixa, uma bancada federal silenciosa, conivente com os disparates que acontecem no Estado. Mesmo com suas contradições e atos não republicanos, como foram descobertos após a sua morte, o ex-governador Eduardo Campos foi a última lamparina neste deserto de líderes.
Foi altivo, quando Pernambuco exigiu firmeza dele. Corajoso, quando bateu de frente com aqueles que queriam contrariar os interesses dos pernambucanos. Sua morte abriu uma lacuna indiscutível. Nenhum Estado prospera sem liderança. Eduardo se foi, mas deixou uma herança maldita. Seus herdeiros fracassaram.
Se o governador lá fora precisa de cartão de apresentação, no Recife o prefeito João Campos é um aprendiz de gestor, verde, assessorado por menudos, fazendo uma gestão Zé Gotinha, o Papa da vacina. No Senado, como líder do Governo, Fernando Bezerra Coelho (MDB) até poderia fazer a diferença, mas só carreia recursos para sua Petrolina. Cadê a voz respeitada nacionalmente do senador Jarbas Vasconcelos?
Sem voz, a quem os pernambucanos devem recorrer? A ninguém, porque o Estado não tem mais lideranças. Tem a Bahia, com ACM Neto, sucessor do avô Antônio Carlos Magalhães. Tem o Ceará, com Camilo Santana (PT), governador competente, respeitado e tocador de obras. Fortaleza se orgulha do ex-prefeito Roberto Cláudio, campeão em popularidade, que bateu Salvador, deixando a capital cearense na liderança regional do PIB.
Certa vez, o cacique baiano ACM disse: “Nós trazemos fábricas para a Bahia, usamos o talento dos baianos para dar as fórmulas de que a Bahia precisa. Em toda parte, a Bahia cresce. Por que? Cresce porque trabalhamos, porque temos vontade de lutar por essa terra que tanto amamos”.
A mão que embala o berço governa o mundo, ensinou Abraham Lincoln, ex-presidente americano, que influenciou o curso da história mundial ao assumir a liderança do Norte durante a Guerra de Secessão.
Fica a sua lição!
Por: Magno Martins























