Estamos acompanhando a Guerra entre a Rússia e a Ucrânia, com destruições, boicotes e sanções econômicas, disparada nos preços dos combustíveis e perspectivas sombrias, além de testemunharmos os horrores e tragédias humanitárias decorrentes da insanidade e impetuosidade bélicas e armamentistas.
Feitas as contextualizações e guardadas as devidas proporções, aqui em Juazeiro, no coração da cidade, estamos assistindo à destruição da Praça da Bandeira pela atual gestão. De concepção e autoria do Dr. Cleber Ribeiro, um dos mais brilhantes arquitetos deste País, o espaço foi projetado para receber grandes massas populares, com pavimentos, bancos e brinquedos de alta resistência, sendo ali, sobretudo, área de escape dos circuitos oficiais do carnaval, onde se instalam bandas fixas e também acolhendo concentrações religiosas em torno do Santuário de Nossa Senhora das Grotas, nos festejos de nossa Padroeira.
Todos esses equipamentos públicos precisam, periodicamente, de revitalização, remodelação, melhorias e recuperação de paisagismo, modernização de iluminação, pinturas, respeitando-se suas características originais, símbolos de uma época, de uma determinada quadra de sua história, em respeito aos direitos autorais arquitetônicos, bem como aos gestores que executaram, além de atenderem à necessidade, adequação, razoabilidade,
proporcionalidade, eficiência dos atos administrativos, evitando-se lesão às finanças públicas. Por que, ao invés de destruir uma bela Praça no centro da cidade não se construir outra nos bairros populares?
A Praça Imaculada da Conceição, popular e carinhosamente chamada de Praça da Bandeira, está sendo totalmente
modificada, ganhando os frágeis pisos intertravados e outros elementos meramente decorativos.
Fala-se muito, aqui em Juazeiro, que um Prefeito destrói o que o outro fez, buscando apagar e de forma hostil a memória do anterior, com ações de demolição. É verdade que o então prefeito que executou a praça que está sendo destruída e descaracterizada, fez o mesmo, lá atrás, neste mesmo espaço, que tinha um aspecto bucólico e outras características.
E neste espaço, também, se demoliu o antigo Fórum, em cujo entorno acompanhávamos por dias as apurações das eleições estaduais e municipais. Sem ainda nos recuperarmos do trauma passado, eis que vem a atual gestão e destrói o que se tornou um espaço homogêneo e integrado entre três calçadões, o do Santuário e das duas praças originais, uma delas com uma ponte sobre um pequeno córrego.
A bem da verdade, apesar de ter ofendido o patrimônio histórico e arquitetônico e suas características originais, tornou-se uma praça capaz de abrigar grandes encontros populares e de beleza reconhecida. Fala-se, também, e bastante, nos cantos e recantos da cidade, numa “Guerra Fria” entre a atual gestora e o então prefeito que construiu a praça que está sendo destruída como uma das motivações para tamanha violência. Por essa ótica, a prefeita, em exercício arrogante e personalista de poder, estaria passando o seguinte recado: “olha, quem manda sou eu” e cometendo, em tese, improbidade administrativa. Inovação, atualização, revitalização, são importantes. Destruição é destruição, não tem outro nome.
Recentemente, num inusitado respeito ao patrimônio histórico e arquitetônico, tivemos a restauração e modernização da antiga Estação de Trem, hoje Estação do Saber, conservando as características originais daquele espaço e exemplo a ser observado.
Jaime Badeca de Oliveira Filho



























