Opinião
Em plena Semana Santa, três passagens bíblicas já dominam a percepção dos mais fiéis familiares, amigos e correligionários do candidato a governador da Frente Popular, Danilo Cabral (PSB), com relação aos acontecimentos que rondam sua campanha.

A primeira é a de Pôncio Pilatos, prefeito que governava a província romana da Judeia entre os anos de 23 e 36, mais conhecido como aquele que lavou às mãos nas horas mais decisivas. Nessa sucessão, esse personagem já tem nome: João Campos, o prefeito do Recife.
Danilo não entendeu patavinas nenhuma o Infante sair de férias, se dar ao luxo de um recesso, descansar, passear e namorar neste momento em que sua candidatura está em xeque e sofrendo turbulências dentro da própria aliança. Apuramos que ele lembrou aos mais próximos que Arraes e Eduardo Campos nunca abandonaram o território e os companheiros nas circunstâncias em que esses mais se precisavam deles. E que o prefeito João Campos deu um péssimo sinal para o conjunto de lideranças da Frente Popular.
A segunda passagem é a de Judas. Aquele que, na tradição cristã, deu beijos e se dizia o mais amigo, mas que traiu nas caladas da noite. Paulo Câmara é o Judas de Danilo Cabral. Todas as pesquisas de opinião pública feitas pelo Palácio das Princesas, todas, davam conta que a melhor chapa majoritária que poderia eleger a Frente Popular para mais um novo mandato era Geraldo Julio governador e Marília Arraes senadora. Mesmo sem Geraldo, a ex-deputada do PT era o melhor nome para fortalecer a campanha de Danilo, a quem Paulo beijou juras de amizade como seu sucessor. Mas, nos bastidores, com o apoio do prefeito João Campos e do senador Humberto Costa, conspirou o quanto pôde junto ao presidente Lula para rifar Marília da disputa assim como limou Geraldo Júlio. Mas Lula não deu ouvidos. Vai ter Marília no seu palanque presidencial.
A terceira e última passagem é a Cova dos Leões. No Antigo Testamento, há um capítulo onde se narra uma trama causada por oficiais do Império Aquemênida, no reinado de Dario, o Medo, que por um decreto real, no qual não era permitido a adoração a nenhum Deus, senão, somente ao rei. Renata Andrade Lima é a expressão viva dessa passagem da Cova dos Leões na sucessão estadual. Viúva e herdeira do espólio político e eleitoral do ex-governador Eduardo Campos, foi ela quem construiu todo o cenário para favorecer e assegurar a perpetuação da dinastia familiar, através dos filhos João e Pedro Campos.
Renata jogou, de forma fria e calculista, para limpar o território de concorrentes contra sua prole, visando as eleições de 2024 e 2026 em favor de João, e a desse ano para consagrar Pedro como deputado federal mais votado do Estado. Primeiro, articulou com Paulo Câmara a desistência de Geraldo Julio como candidato natural à sucessão. Em seguida, convenceu o próprio governador a não mais disputar mandato. Manobrou também contra o secretário da Casa Civil, Zé Neto, a quem cunhou de “representante de direita”. Só restou Danilo, a quem Eduardo chamava na intimidade de “Cara de Cantor Brega” e escolhido por ela, Renata, para ser jogado na cova dos leões.
Renata defendeu o nome de Danilo por ser o último remanescente da geração Eduardo Campos que ainda exercia influência razoável nas hostes socialistas. Convencida que outros dois nomes, Milton Coelho e Tadeu Alencar, não reuniam chances sequer de se reelegerem deputados federais, viu em Danilo uma espécie de “Cristo” que, na linguagem política, traduz aquele que precisa ser crucificado para salvar os seus.
Por: Magno Martins

























