Os brasileiros retornados a África

Os descendentes de mercadores de escravos e ex-escravos no Brasil retornados a África são conhecidos como “Agudás”. Numerosos, esses brasileiros estabeleceram-se na região da antiga costa dos Escravos – que abrangia todo o golfo de Benim, indo da atual cidade de Lagos, na Nigéria, até Acra, em Gana – entre os séculos XVIII e XIX. Calcula-se que entre 7000 e 8000 são o número de retornados a se instalarem na região no Século XIX.
Segundo Milton Duran ” Os Agudas são diferentes dos outros, vestem-se como brancos, comem com talheres e possuem profissões no sentido capitalista do termo, como pedreiros, marceneiros, carpinteiros, alfaiates, entre outras. Muito frequentemente, são alfabetizados e se consideram do lado do progresso e da modernidade diante de uma sociedade que eles percebem agora como primitiva a atrasada.”
Todos possuem sobrenomes em português, mesmo que não tenham nascido no Brasil pois como escravos libertos adotaram o sobrenome de seu antigo senhor.
Possuem nomes de família como Souza, Silva, Almeida, Vieira e Olympio, festejam Nosso Senhor do Bonfim, dançam a burrinha (uma forma arcaica do bumba-meu-boi), fazem desfiles de Carnaval e se reúnem frequentemente em torno de uma feijoada ou de um kousidou. Ainda hoje é comum os agudás mais velhos se cumprimentarem em Português. Os Agudás constituem até hoje grande parte da elite política e econômica da África Ocidental.
Fonte: A Vitória Sobre As Correntes Os libertos no Brasil e seu retorno à África, 1830-1870 Mônica Lima. Eurídice Figueiredo, Os Brasileiros Retornados à África

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