
Na passagem por Afrânio, o último pedaço de vidas secas em Pernambuco, já na divisa com o Piauí, 780 km distante do Recife, bati continência para um homem público sábio, sério, nunca envolvido em atos de desvios éticos: Peron Cavalcanti, cinco vezes vereador do município, o carrasco do ex-deputado federal Adalberto Cavalcanti.
Graças ao poder de fogo de Peron que Adalberto foi, literalmente, enterrado politicamente no município. Ao cumprir seu último mandato no parlamento municipal, impôs duas derrotas seguidas ao grupo de “Bode Rouco”, como o truculento ex-deputado é conhecido em Afrânio e na região.
Com o seu herdeiro político, o filho Rafael, um jovem advogado de apenas 35 anos, Peron fecha um ciclo na vida pública de alma levada: derrotou o grupo adversário por duas vezes na disputa pela Prefeitura. A primeira, em 2016, Rafael impediu a reeleição da então prefeita Lúcia Mariano (PTB), esposa de Adalberto.

Na eleição seguinte, em 2020, candidato à reeleição, Rafael derrotou o próprio Adalberto Cavalcanti. O que se diz na cidade é que Peron prestou um grande serviço à população do município: livrar a cidade do político mais atrasado, truculento e perseguidor que Afrânio já teve em toda a sua história.
Pelo sucesso da gestão do filho, que tem um acervo de obras em cinco anos e meio, Bode Rouco está fadado a não se eleger nem a vereador. Nos próximos dias, Rafael inaugura a nova sede da Prefeitura Municipal, um minicentro administrativo, construído no lugar de uma obra inacabada, o fórum da cidade.
Rafael está asfaltando as principais ruas da cidade e em breve entrega à população uma das escolas mais bem equipadas, amplas e modernas para atender alunos do ensino fundamental. “Estamos fazendo em Afrânio, em cinco anos, o que o grupo adversário não fez em 20 anos”, orgulha-se o jovem prefeito.
Histórias

O velho Peron não tem apenas fama na cidade por ser um homem honrado, sério e devotado às causas públicas. Da escola de políticos múltiplos, transita em todos os segmentos partidários. Sua força política é tamanha que elegeu, pela quarta vez, a mulher Marlene Peron. Ela é a poderosa presidente da Câmara de Vereadores.
Peron nunca foi prefeito, como seu inimigo Adalberto. Mas como vereador tinha mais poderes que o próprio prefeito.
Graças a projetos de Leis de sua autoria e de solicitações a governadores, de Roberto Magalhães a Miguel Arraes, conseguiu a construção do prédio da Câmara, a Comarca de Afrânio, o campo de pouso, a subestação da Celpe, o Centro de Detenção Provisória, um conjunto habitacional, a Escola Irene Ramos, a estrada de Afrânio para Dormentes, além da Adutora no Governo Jarbas Vasconcelos.
O poderoso Peron tem histórias que entraram para o folclore da política de Afrânio. Dizem que o ex-governador Miguel Arraes, numa visita ao município, atrasou a chegada, o que levou a dispersão da multidão que o aguardava no aeroporto. Peron ligou para ele e o convenceu a fazer um voo rasante na cidade, antes do pouso, como sinal de que estava chegando.
“A barulheira foi tamanha na cidade que o povo se escondeu em suas casas achando que o avião iria cair”, relembra, com uma gostosa gargalhada, o próprio Peron.
O velho líder guarda em seus arquivos uma cartinha escrita à mão pelo presidente Bolsonaro quando deputado federal. Embora tendo convivido com lideranças de esquerda, como Arraes e Jarbas Vasconcelos, Peron é um bolsonarista radical.
Aposta na reeleição do presidente e afirma que jamais votaria em Lula. “Lula é desonesto. Seu legado é podre, promoveu um assalto aos cofres públicos. Permitiu que uma quadrilha promovesse a quase falência da Petrobras”, destacou.
Fonte: Blog do Magno Martins


























