Diamante rosa que pertenceu a Maria Antonieta vai a leilão por até R$ 28 milhões

Diamante rosa de 10,38 quilates teria pertencido a rainha Maria Antonieta e, depois, à sua filha, Maria Teresa da França (Marie-Thérèse de France)

Maria Antonieta e diamante que será leiloado – Getty Images; Divulgação/Sotheby’s

Um raro diamante rosa de 10,38 quilates, com provável origem nas históricas minas de Golconda, na Índia, será leiloado no dia 17 de junho pela Sotheby’s, em Nova York (EUA).

Avaliada entre US$ 3 milhões e US$ 5 milhões (cerca de R$ 17 milhões a R$ 28 milhões), a joia teria pertencido à rainha Maria Antonieta e, depois, à sua filha, Maria Teresa da França (Marie-Thérèse de France), a única descendente sobrevivente da monarquia após a Revolução Francesa.

Com corte em forma de pipa e tonalidade rosa-púrpura, a gema está atualmente montada em um anel assinado por Joel Arthur Rosenthal, mais conhecido como JAR, renomado joalheiro parisiense.

A pedra é acompanhada por um estojo de veludo contendo um antigo prendedor de cabelo, no qual ainda se pode distinguir um brasão imperial austríaco desbotado — provável vestígio de uma encomenda feita por Maria Teresa de Chambord em 1868, sobrinha de Maria Teresa.

Maria Antonieta possuía um olhar extraordinário para a beleza e uma profunda apreciação por gemas excepcionais — valorizando-as não apenas por sua raridade e valor, mas por sua elegância e singularidade”, afirmou Rahul Kadakia, chefe internacional de joias da Christie’s, em comunicado.

Essa linhagem real extraordinária e contínua — intimamente documentada e profundamente pessoal — faz desse diamante não apenas uma maravilha da natureza, mas um testemunho vivo da história europeia”, acrescentou.

História do diamante

A história do diamante remonta ao colapso da monarquia francesa. Em março de 1791, na iminência da fuga da família real, Maria Antonieta reuniu suas joias mais preciosas e as enviou discretamente a Bruxelas, aos cuidados do conde Mercy d’Argenteau, seu antigo mentor e embaixador austríaco em Versalhes.

Após sua execuçãoem 1793, parte dessas joias foi preservada e entregue à sua filha, Maria Teresa, libertada da prisão em 1795 e exilada posteriormente na Áustria. Ao longo do século 19, as joias passaram por várias mãos dentro da família Bourbon, com registros de partilhas minuciosas: tiaras, colares, brincos e pulseiras foram distribuídos entre sobrinhos, sobrinhas e descendentes diretos da duquesa d’Angoulême.

Segundo Kadakia, um testamento localizado nos arquivos de Viena menciona explicitamente a tiara de diamantes recebida pelo conde de Chambord como parte de sua herança. Posteriormente, sua esposa, a condessa de Chambord, desmontou a peça para presentear sobrinhos e sobrinhas com os diamantes soltos em ocasiões de casamento.

Foi justamente uma dessas pedras — a segunda maior da tiara original, com peso de 10,24/32 quilates, avaliada na época em 30 mil francos — que teria sido entregue à rainha Teresa da Baviera, sobrinha da condessa de Chambord.

O diamante foi vendido pela primeira vez ao público em um leilão em Genebra, em 1996, após mais de um século mantido fora dos holofotes. Embora sua origem exata nunca tenha sido oficialmente documentada, a tradição familiar e o contexto histórico sustentam fortemente a atribuição à coleção de Maria Antonieta.

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