Uma lágrima para Francisco Cuoco

Ontem nos despedimos de Francisco Cuoco, um verdadeiro monumento da dramaturgia brasileira, que aos 91 anos encerra sua jornada entre nós. Sua carreira foi marcada por uma presença magnética nas telas e palcos, mas também por escolhas curiosas e inspiradoras.
Poucos sabem que, antes de brilhar como ator, Cuoco vendia frutas na feira ao lado do pai e chegou a estudar Direito — até ser fisgado, de vez, pelo teatro. E como esquecer que foi ele quem protagonizou Redenção, a novela mais longa da TV brasileira, com quase 600 capítulos? Um feito digno de maratona e memória afetiva.
Mesmo com décadas de carreira, Cuoco nunca se acomodou. Aos 87 anos, surpreendeu novamente: lançou um canal nas redes sociais onde recitava poesias, contava causos e compartilhava reflexões com um público jovem e fiel. A criatividade, no caso dele, nunca teve prazo de validade.
Francisco Cuoco foi mais que um galã ou um ator talentoso. Foi símbolo de reinvenção, de entrega apaixonada à arte, de elegância que não envelhece. Fica o aplauso de pé, e a saudade que já se instala — porque certos artistas nunca se vão por completo. Eles viram parte da nossa história.

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