A história esquecida dos soldados indianos e africanos na Segunda Guerra Mundial
Exposição resgata a participação de milhares de combatentes das colônias britânicas na Segunda Guerra Mundial, no front do sul da Ásia

A contribuição de soldados africanos e indianos na luta contra as forças japonesas na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial, frequentemente omitida dos relatos históricos, ganha luz na nova exposição ‘Além da Birmânia: Exércitos Esquecidos’, em cartaz no Museu Nacional do Exército, em Londres.
O acervo reúne medalhas, fotografias e obras de arte que revelam o cotidiano de tropas que enfrentaram a selva hostil da Birmânia (atual Mianmar) e de outros territórios do sudeste asiático durante a Segunda Guerra Mundial. Entre os combatentes estavam cerca de 340 mil soldados indianos, 100 mil britânicos e 80 mil africanos — sendo os nigerianos mais da metade das forças enviadas pela África Ocidental após 1943.
Apesar da relevância numérica e estratégica, esses combatentes foram apagados do discurso oficial da bravura na Segunda Guerra Mundial. O general William Slim, comandante aliado do 14º Exército, sequer mencionou os soldados africanos em seu discurso de agradecimento. Para o Dr. Alan Jeffreys, curador da mostra, essa omissão reforçou a ideia de que a campanha foi conduzida apenas por britânicos, conforme afirma ao The Guardian.
Entre as obras expostas está a pintura E o Mundo Estava Coberto de Escuridão (1943), de Conrad “Dick” Richardson, que traduz em arte a atmosfera claustrofóbica da selva. A Força-D, da qual ele fazia parte, realizava missões atrás das linhas inimigas sob o comando de Peter Fleming, irmão do escritor Ian Fleming.
Segunda Guerra Mundial
A mostra também resgata as consequências da Segunda Guerra Mundial, que se estenderam até a independência da Birmânia em 1948, e reposiciona a narrativa sobre um dos capítulos menos lembrados da guerra. “Queremos mostrar que muitos soldados indianos e africanos estiveram envolvidos. Normalmente, o foco são os britânicos retornados ou os prisioneiros de guerra. Essa é a memória mais comum no Reino Unido”, afirma Jeffreys ao jornal.
Nos últimos anos, documentários e romances como Burma Boy (2007), de Biyi Bandele, já haviam tentado dar visibilidade ao tema, mostrando tanto o tratamento hostil recebido pelos africanos — muitas vezes comparados a “escravos” — quanto as experiências de solidariedade, sobretudo em encontros com soldados afro-americanos.
Para descendentes dos veteranos da Segunda Guerra Mundial, essa memória ainda é uma ferida aberta. “Eu sabia que os nigerianos lutavam, mas era algo tão distante que eu não conseguia entender como isso me afetou como nigeriano”, contou ao Guardian o neto de um dos combatentes.



























