Por Larissa Rodrigues – Blog Magno Martins
A denúncia do presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), deputado Álvaro Porto (PSDB), de que um assessor direto da governadora Raquel Lyra (PSD) seria o grande operador de uma milícia digital financiada com dinheiro público para atacar autoridades na internet cai como uma bomba na imagem de seriedade que a gestão tenta transmitir.
De acordo com Álvaro Porto, a deputada Dani Portela (PSOL) foi vítima de um ataque do suposto “gabinete do ódio” comandado de dentro do Palácio do Campo das Princesas dias após pedir, na Alepe, a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar contratos de publicidade do Governo do Estado. Seria, segundo Álvaro, uma tentativa de intimidar o trabalho parlamentar.
“O tal do gabinete do ódio parece ser, para a nossa surpresa, exatamente o gabinete da governadora. O ineditismo dessa situação dentro da história do Estado é lamentável e vergonhoso”, declarou Porto.
Intimidação e ataque à reputação de opositores são práticas pouco republicanas, típicas de governos autoritários e ditatoriais. Apequena quem faz e demonstra imensa ignorância sobre a dimensão, a grandeza e o alcance de certos cargos públicos, como o de chefe do Poder Executivo de um Estado revolucionário como Pernambuco, terra que já emprestou tantos políticos à nação, como o próprio atual presidente, Lula (PT), e o ex-vice-presidente Marco Maciel, entre outros.
Álvaro Porto evitou afirmar que a governadora Raquel Lyra ordenou o trabalho questionável (para dizer o mínimo). Mas a comprovação de que um secretário-executivo extremamente ligado à vice-governadora, Priscila Krause, é, nas palavras de Porto, “o mentor intelectual e executor das ações milicianas”, além de autor da denúncia “anônima” contra Dani Portela, já é péssimo para a gestão.
Trata-se do secretário-executivo de Políticas Estratégicas do Estado, o jornalista Manoel Pires Medeiros Neto, que há anos integra a equipe de Priscila Krause. Como já escrevi neste espaço em outras ocasiões, Raquel e Priscila se venderam como diferentes, representantes da nova política. Foram eleitas carregando um ar de superioridade moral, olhando de cima para baixo para a política.
Montaram uma gestão técnica e sempre tiveram dificuldade em lidar com a Alepe. Entretanto, sabendo ou não da existência de uma milícia digital atuando de dentro do Palácio, enfrentam esse episódio com as imagens arranhadas, porque fica parecendo que a seriedade tão alardeada é só discurso para inglês ver.
Aliás, pelo tom dos discursos dos deputados da base governista, ontem (20), em apartes ao pronunciamento de Álvaro Porto, tudo indica que a estratégia a ser utilizada pelo Palácio vai ser mesmo a de desassociar a imagem de Raquel da imagem de Manoel Medeiros.
É uma missão difícil fazer a sociedade acreditar que a governadora Raquel Lyra e a vice, Priscila Krause, não sabiam de nada. Se não sabiam, é ainda pior, pois, se as gestoras não têm conhecimento do que se passa dentro do Palácio, imagine no restante das secretarias e no Estado de maneira geral.
O outro lado – Manoel Medeiros enviou nota ao Blog Cenário, ontem, afirmando que não seria intimidado e confirmando a autoria do documento contra Dani Portela. O assessor disse que levantou informações e solicitou apurações dos órgãos competentes, como um ato de exercício de sua cidadania. “O combate à corrupção está no meu DNA. Exercer livremente a cidadania é uma conquista da Constituição, expressa na garantia do Estado Democrático de Direito. Como jornalista, esse sempre foi o meu caminho. É e continuará sendo. Nesse âmbito, recebi com surpresa o fato de a Polícia Legislativa do Estado de Pernambuco ter sido acionada para me investigar – simplesmente porque, repito, no exercício da minha cidadania, levantei e solicitei aos órgãos competentes apuração sobre indícios de irregularidades”, disse Manoel, no início do texto.

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