Como estava a tumba do rei Tut logo após sua abertura?

Saiba o que foi encontrado na tumba de Tutancâmon, o faraó menino, à época de seu descobrimento

O túmulo de Tutancâmon – Getty Imagem

A descoberta da tumba de Tutancâmon, no Vale dos Reis, em Tebas, acabou se tornando um grande marco da arqueologia. Antes da revelação desse tesouro, em meados da década de 1920, milhares de turistas e estudiosos já haviam passado a poucos metros do local sem perceber o que estava sob seus pés.

Tudo mudou graças à paciência e a determinação do egiptólogo Howard Carter, financiado por Lord Carnarvon. Em novembro de 1922, após dezesseis anos de trabalho, Carter encontrou uma escadaria selada que conduzia à entrada de uma tumba intacta: tratava-se do túmulo de Tutancâmon, que recebeu o código KV62.

Filho de Akhenaton — rei que tentou impor o monoteísmo no Egito, abolindo o culto a Amon e transferindo a capital para Tell el-Amarna —, Tutancâmon reinou brevemente, entre 1332 e 1323 a.C. Ainda criança, subiu ao trono e, orientado por seus conselheiros, restaurou o poder dos sacerdotes de Amon e devolveu a Tebas o título de capital.

Esse gesto garantiu-lhe o favor dos templos e a gratidão do clero, que preparou para sua morte um funeral digno de um soberano restaurador da ordem divina, mesmo que sua tumba fosse pequena em comparação às de seus antecessores.

Como destacou Maynard Owen Williams, correspondente da National Geographic que visitou o local no ano de 1923, o túmulo de Tutancâmon se destacou não por seu tamanho, mas por seu conteúdo extraordinário. Embora o espaço fosse reduzido, abrigava um acervo de móveis funerários, joias, estátuas, carruagens e objetos de culto que jamais haviam sido vistos em tamanha abundância e estado de conservação.

Eram os pertences destinados à jornada do faraó pelo submundo, símbolos de poder e proteção espiritual. Quando Carter iluminou a câmara pela primeira vez e viu o brilho do ouro refletindo nas paredes, exclamou as famosas palavras: “Vejo coisas maravilhosas”.

Interior da tumba do faraó Tutancâmon – Crédito: Getty Images

Artefatos encontrados

Entre os objetos mais impressionantes estava o sarcófago de ouro maciço, contendo o corpo mumificado do rei, envolto em tecidos e adornado com amuletos. Havia ainda tronos, cofres, estátuas de deuses, armas cerimoniais e até alimentos para a eternidade.

A descoberta do túmulo mobilizou o mundo. Repórteres, fotógrafos e curiosos lotaram o Vale dos Reis, aguardando notícias sobre cada nova câmara aberta. Até mesmo a rainha Elizabeth da Bélgica visitou o local, tornando-se a primeira realeza moderna a descer até a tumba de Tutancâmon em mais de três mil anos. A comoção era tamanha que o pequeno vilarejo de Luxor se transformou em um centro de atenção internacional.

Múmia de Tutancâmon no interior de sua tumba – Crédito: Getty Images

Quando as câmaras foram finalmente abertas, os visitantes se depararam com duas estátuas negras de madeira dourada, guardiãs simbólicas do rei, de pé diante da porta que levava à câmara mortuária. Dentro, o enorme sarcófago dourado ocupava quase todo o espaço. As paredes eram decoradas com cenas vibrantes, representando o faraó diante de deuses como Osíris e Anúbis.

A maldição do faraó

Mas nem tudo foi deslumbramento. A descoberta foi acompanhada de tragédias que deram origem à famosa “maldição do faraó”.

Poucos meses após a abertura da tumba, Lord Carnarvon morreu subitamente, e rumores se espalharam de que forças sobrenaturais vingavam a profanação do túmulo real. Embora as mortes associadas ao episódio tenham explicações naturais, o mito persistiu, reforçando o fascínio de muitas pessoas ao redor do mundo pela figura de Tutancâmon. Embora o faraó menino teve morrido jovem, com cerca de 19 anos, seu túmulo o transformou em símbolo imortal do Antigo Egito.

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