A proposta protocolada nesta terça-feira, 21, prevê o estudo das escrituras sagradas para o cristianismo sob a perspectiva histórica, literária, filosófica e cultural, como instrumento de compreensão da formação ética, linguística e sociocultural da humanidade. O projeto indica que a abordagem dos textos bíblicos deverá integrar as disciplinas de História, Literatura, Filosofia ou Ensino Religioso.
O texto pondera que em respeito à liberdade de consciência e de crença, a participação dos estudantes nas atividades relacionadas a matéria será facultativa, devendo ser assegurado o direito de dispensa sem prejuízo acadêmico àqueles que não desejarem participar.
Independentemente da fé ou crença de cada indivíduo, o texto bíblico constitui um referencial civilizatório, cuja compreensão é essencial ao entendimento da trajetória histórica da humanidade, da evolução do pensamento moral e da construção dos valores universais de solidariedade, justiça, liberdade e dignidade humana
Aval em Salvador
No final de setembro, a Câmara Municipal de Salvador (CMS) aprovou uma lei que estabelece a Bíblia Sagrada como material paradidático nas escolas públicas e particulares do município. A proposta foi apresentada pelo vereador Kênio Rezende (PRD).
Com a aprovação na Câmara, o projeto seguiu agora para sanção do Executivo municipal. A aplicação prática da lei dependerá de regulamentação que defina parâmetros para o uso do livro em sala de aula.
Críticas
A influenciadora baiana Bárbara Carine usou suas redes sociais para fazer um desabafo nesta segunda-feira, 20, sobre a proposta. Indignada, Bárbara alegou que as escolas não devem ser vistas como um “quintal da igreja” e que as instituições de ensino devem respeitar a diversidade religiosa do país, que é considerado laico.
“Ah, Bárbara, você está fazendo cristofobia, você está sendo contra… Gente, a Bíblia é um livro religioso, que as pessoas que pregam a fé cristã, elas vão adotar o seu livro dentro das suas igrejas. A escola não é um quintal da igreja de ninguém. A escola não é a extensão da igreja de ninguém. A Bíblia tem a sua liberdade de transitar nos ambientes religiosos, dentro da sua família, da sua casa, se é assim que você deseja”, disse ela.
A escritora ainda reforçou que este tipo de imposição reforça o preconceito e a intolerância contra religiões de matrizes africanas, que são demonizadas diariamente pelos evangélicos e católicos.
“Violentam, quebram tempos, matam pessoas. Construíram uma concepção de mundo unilateralizada, que só eles têm verdade da fé, só eles têm a noção do que é divindade. O resto tudo é demonizado, principalmente quando é vinculado a religiões de matriz africana. E aí, a gente está falando de uma cidade com 84% de população negra e aí vem a Câmara Municipal e faz um negócio desse? É um absurdo”, disparou.




























