Evangélico e cearense: empresário Adolfo Hitler conta como aprendeu a conviver com nome polêmico

‘Uma vez no aeroporto começaram a anunciar meu nome no alto-falante. Todo mundo parou pra ver quem era e eu fiquei sem graça’, conta

Por Fernanda Varela

Adolfo Hitler

Adolfo Hitler Crédito: Reprodução

Em Joinville, Santa Catarina, vive um homem que carrega um dos nomes mais pesados da história e, ainda assim, aprendeu a transformá-lo em símbolo de fé. Aos 32 anos, o empresário Adolfo Hitler Devillart Mascarenhas diz que nunca pensou em mudar o registro escolhido pelo pai, já falecido, mesmo sabendo do impacto que o nome provoca.

“Meu pai escolheu esse nome e nunca explicou o motivo. Eu cresci entendendo que não posso ser julgado por isso. O que define a minha vida é o que eu faço com ela”, afirma.

Nascido em Fortaleza, ele viveu no Rio de Janeiro antes de se mudar para Santa Catarina em 2019. Foi durante a lua de mel em Balneário Barra do Sul que decidiu recomeçar a vida no Sul do país. Hoje, administra uma loja de estofados e participa ativamente da igreja evangélica que frequenta.

Apesar da reação de espanto que o nome causa, ele garante nunca ter enfrentado bullying. “Uma vez no aeroporto começaram a anunciar meu nome no alto-falante. Todo mundo parou pra ver quem era e eu fiquei sem graça. Mas levo com humor, porque sei quem eu sou.”

Em outra ocasião, conta que viveu uma coincidência curiosa ao comprar um terreno. “O dono se chamava Jesus. No cartório todo mundo riu da situação, porque parecia uma cena montada”, lembra.

Adolfo diz que aprendeu a lidar com as reações com naturalidade e fé. “Sou cristão, tenho uma família linda e dois filhos. Eu cultivo um lar sem violência e com amor. Acredito que Deus usa até as situações mais estranhas para nos ensinar algo”, diz.

Dados do IBGE mostram que, entre as décadas de 1930 e 2010, apenas 188 pessoas foram registradas com o nome Hitler no Brasil — e nenhuma em Santa Catarina no período.

Para o historiador Wilson de Oliveira Neto, da Univille, nomes ligados ao nazismo carregam um desconforto global e precisam ser tratados com seriedade. “O nome está associado a um dos períodos mais violentos da história e ao genocídio de milhões de pessoas. Escolher nomes assim é uma falta de responsabilidade e de consciência histórica”, avalia.

Mesmo assim, o empresário diz que prefere ver a própria história por outro ângulo. “As marcas que a gente carrega nos tornam mais fortes. Eu não sou o meu nome, sou as minhas atitudes. E quero que meus filhos cresçam sabendo que é possível reescrever qualquer história”, conclui. As informações são do História do Mundo.

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