Por Magno Martins
Em 2009, faltando um ano para tentar a reeleição, o então governador Eduardo Campos (PSB) detinha percentuais baixos, tanto de aprovação da gestão quanto de intenção de voto para a reeleição. A inauguração do primeiro grande hospital de emergência prometido ao longo da campanha na Região Metropolitana, o Miguel Arraes, em Paulista, concluído e entregue com uma grande festa e mídia agressiva nos meios de comunicação, impulsionou a popularidade do seu Governo, carimbando a sua reeleição.
Deu uma surra histórica em Jarbas Vasconcelos (MDB), mais de dois milhões de votos de diferença. Mais tarde, Eduardo entregou o Pelópidas Silveira, no Recife, e o Hospital Metropolitano Sul, no Cabo. Além destes, construiu hospitais no interior, totalizando seis novas unidades hospitalares em dois mandatos. Na sua gestão, Paulo Câmara deu continuidade ao trabalho na saúde e inaugurou em Serra Talhada um hospital regional com o nome do saudoso governador.
Diferentemente de Eduardo, a governadora Raquel Lyra (PSD) fecha o terceiro ano de sua gestão sem uma grande obra estruturadora e de visibilidade para entregar à população. Nem as creches, que deu a ela a alcunha de “Racreche”, conseguiu viabilizar. As obras de restauração do Hospital da Restauração, que se arrastam há três anos, também não estão concluídas.
A saúde, que Eduardo melhorou, criando três unidades de emergências para desafogar o HR, piorou — e muito — na gestão dela. O Governo de Raquel não tem marca, tampouco identidade. Aliás, tem um slogan, mas é falso: o “Estado de mudanças”.
Que mudanças? Boa parte das poucas estradas que fez já estavam em andamento, iniciadas pelo governo anterior. O programa Cozinha Comunitária, que propagueia na mídia paga com os nossos impostos, também tem o DNA do governo passado.
A decepção com os governantes é diretamente proporcional à expectativa que se tinha neles e em Raquel havia muito disso, ou seja, expectativa frustrante. Delfim Netto dizia que a ineficiência ou incapacidade de um gestor é, muitas vezes, pior do que a corrupção.
DERROTA ACACHAPANTE – Em 2010, o governador Eduardo Campos foi reeleito no primeiro turno. Derrotou o senador Jarbas Vasconcelos, naquele que foi um momento de gozo para os socialistas. Eduardo devolvera a surra eleitoral de 1998, que Jarbas deu em Arraes por mais de um milhão de votos. O troco do neto foi acachapante, por uma diferença muito maior: exatos 2.865.150 votos — ou 82,8%, superando o recorde de 72% obtido por Etelvino Lins no distante ano de 1952. Após a euforia da vitória, o governador passou a ter a pretensão de ser uma unanimidade em Pernambuco. Acreditava ser essa uma das condições para a consolidação da futura candidatura à Presidência da República. O avô, naquela altura já falecido, costumava pensar o contrário. Dizia que “precisava de adversários para o povo saber quem nós somos”.



























