Do Blog Sertão Central.com
O Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu pela cassação do exercício profissional do médico que atuava no Hospital Regional Inácio de Sá (HRIS), em Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, unidade de referência para a região.
Após a divulgação da decisão, uma ex-paciente veio a público relatar um drama vivido durante o parto, que, segundo ela, terminou da forma mais dolorosa possível: a morte da criança.
De acordo com o relato, a gestante realizou diversos exames ao longo da gravidez, incluindo pré-natais, ultrassonografias e exames morfológicos. No dia do parto, um exame realizado no período da tarde teria apontado a ausência de líquido amniótico, condição que exige intervenção imediata. Mesmo assim, segundo a mãe, a cesariana só foi realizada horas depois, já à noite.
Ela descreve que o parto foi marcado por desorganização, sofrimento intenso e condutas que considera desumanas. A criança teria nascido em estado gravíssimo, após horas de sofrimento fetal, e não resistiu, falecendo pouco depois.
Em um depoimento emocionado divulgado nas redes sociais, a mãe afirma que não ingressou com ação judicial na época por estar psicologicamente abalada e por entender que nenhuma medida traria sua filha de volta. Ainda assim, relata que sempre acreditou que a responsabilidade seria cobrada.
Com a confirmação da cassação do médico pelo CFM, a ex-paciente diz sentir uma sensação de justiça, ressaltando que sua dor não se transforma em comemoração, mas em alívio por acreditar que outras famílias podem ser poupadas de viver uma tragédia semelhante.
“Não é felicidade pela desgraça alheia, é a sensação de justiça. Minha filha não volta, mas espero que ninguém mais passe pelo que eu passei”, resume o relato.
A cassação do exercício profissional é a pena máxima aplicada pelos conselhos de medicina e ocorre apenas em casos considerados de extrema gravidade, após processo ético-profissional com direito à ampla defesa.
Até o momento, não há posicionamento público do médico sobre a decisão. O espaço permanece aberto para manifestação.
O caso reforça a necessidade de debate sobre responsabilidade médica, humanização do atendimento obstétrico e fiscalização rigorosa dos serviços de saúde, especialmente em unidades públicas que atendem a população do Sertão.


























