A cidade do sertão que foi submersa, depois reconstruída do zero e hoje é modelo de planejamento
Localizada no sertão cearense, Jaguaribara foi planejada após a antiga sede ser inundada pelo Açude Castanhão
Por Matheus Ribeiro

Saiba como Jaguaribara se tornou modelo de planejamento urbano após o sertão virar mar no interior do Ceará Crédito: Flickr/Viktor Braga/UFC
Jaguaribara, no sertão do Ceará, é um destino único que precisou ser totalmente reconstruído. A antiga sede da cidade foi engolida pelas águas do Açude Castanhão, o maior reservatório de múltiplos usos da América Latina.
Esse processo de reconstrução transformou o município em um modelo de planejamento urbano. Hoje, a localidade atrai visitantes interessados em sua história de superação, belas paisagens e na imensidão das águas locais.
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Atualmente, a nova Jaguaribara impressiona pela organização de suas ruas e praças. Além disso, o destino oferece uma experiência diferenciada para quem busca turismo no semiárido e um contato direto com a natureza vibrante.
O dia em que o sertão virou mar
Tudo começou em 1985 com o anúncio da construção do Castanhão. O objetivo era garantir o abastecimento de Fortaleza e controlar as enchentes. Contudo, essa obra exigiu que dois terços do território fossem inundados.
Entre os anos de 2000 e 2001, cerca de 8 mil moradores deixaram suas casas originais. Com muita resistência e participação popular, eles ajudaram a desenhar o futuro da nova sede, onde a cidade nasceu duas vezes no Ceará.
O imenso reservatório tem capacidade para 6,7 bilhões de metros cúbicos de água. Além de reforçar o sistema hídrico durante as secas, ele criou um cenário onde o passado permanece guardado sob o vasto espelho d’água.
Planejamento urbano e infraestrutura moderna
A nova cidade foi inaugurada em 2001 com uma infraestrutura surpreendente para a região. Diferente de vilas antigas, ela já nasceu com saneamento básico e rede de esgoto, além de 100% de energia elétrica na zona urbana.
Projetada para abrigar até 70 mil pessoas, Jaguaribara possui ruas largas e praças amplas. Essa organização incomum no sertão garante um clima tranquilo e um visual aberto, facilitando o crescimento ordenado no futuro.
A economia local também se transformou com a chegada da água em abundância na região. A piscicultura de tilápia tornou-se um pilar importante, movimentando o comércio e atraindo investimentos para o setor pesqueiro.
O que fazer e como chegar ao destino
Quem visita o local encontra um cenário que mistura o semiárido com o imenso espelho d’água. Em períodos de seca, ruínas da antiga cidade surgem na superfície, criando uma atmosfera nostálgica e fascinante para os turistas.
Para aproveitar melhor o passeio, os visitantes podem utilizar as seguintes informações práticas:
- Melhor época: Janeiro a maio para ver o açude cheio e a paisagem verde.
- Pesca esportiva: Ideal entre agosto e dezembro, quando o nível da água baixa.
- Acesso: Siga pela BR-116 saindo de Fortaleza em uma viagem de 3 horas.


























