Por Júlio Lossio*
Conta a lenda que, na Segunda Guerra Mundial, um jovem piloto de caça alemão patrulhava a costa europeia em missão de combate. Arrojado e com uma habilidade muito acima da média, ele já era considerado um fenômeno na arte da guerra, acumulando diversas vitórias sobre aviões inimigos.
Contudo, o “galeguinho” – como era carinhosamente chamado pelos colegas de farda – ainda não estava plenamente adaptado aos combates noturnos. Tomado por uma autoconfiança perigosa, não percebeu a aproximação silenciosa de um caça inimigo. Com um único e preciso disparo, o adversário atingiu o motor de sua aeronave.
Voando em alta altitude, o piloto demorou a notar que, pouco a pouco, os comandos deixavam de responder. O avião agora apenas planava sobre o oceano. Acostumado ao triunfo e traído pelos próprios sentidos, ele olhou para baixo e viu o reflexo das estrelas na imensidão espelhada da água.
Naquele momento crítico, teve a ilusória certeza de que ainda navegava em um “céu de brigadeiro”. No entanto, o horizonte era uma miragem: seu caça já beijava as águas geladas do mar europeu. Entre o reflexo do céu e a realidade do abismo, restava-lhe apenas a escolha final: ejetar-se para um recomeço ou descansar nas profundezas do mar.
*Ex-prefeito de Petrolina



























