Por Larissa Rodrigues
O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, reuniu a imprensa no Recife, ontem (12). Falou muito, mas não disse quase nada. Confirmou que a ex-deputada Marília Arraes, que vai ingressar na sigla, andou conversando com a governadora Raquel Lyra (PSD) sobre uma possível vaga na chapa da gestora para disputar o Senado, o que todo mundo já sabia.
Disse que Raquel manifestou interesse nessa composição, o que também não é novidade, uma vez que a governadora ainda não conseguiu começar a circular com nenhum pré-candidato à Casa Alta, enquanto seu adversário, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), vem há meses aparecendo em agendas ao lado de dois ou três nomes dispostos a subirem no palanque dele.
Essa é uma queixa da própria Raquel a aliados, alguns do PP. Por isso, a pressão da governadora para que o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) resolva logo sua vida. Voltando a Lupi, o presidente do PDT também disse que falou com João Campos, mas não saiu animado da conversa.
“Não fiquei animado, porque ele já colocou uma posição que praticamente… Ele até disse que não está nada certo depois, mas já estava colocado o fechamento dele, o vice e as duas vagas do Senado. Então, não me quer”, afirmou Lupi. Na mesma conversa, disse que João Campos o telefonou reforçando que o diálogo sobre Marília ainda está aberto, deixando a dúvida se ainda existe chance ou não para Marília na chapa do prefeito.
Lupi ainda caiu em uma contradição, na confusa entrevista, quando afirmou que a situação de Marília é incomum, porque em nenhum estado da federação um candidato que lidera as pesquisas é rejeitado, ou subtraído. Sugeriu que os jornalistas pesquisassem para comprovar o que estava ressaltando.
No entanto, alguns minutos depois, garantiu: “Hoje todo mundo quer Marília no palanque. Se ela não tivesse importância nenhuma, se não tivesse força política, por que tanta gente queria ela?”, enfatizou. “Ela pode não ser muito benquista em parcela do mundo político, mas tem povo. Quem não vive de povo não ganha eleição”, acrescentou.
Como é que Marília estaria sendo subtraída nas composições, mesmo sendo líder nas pesquisas, algo que não é visto em outro lugar do Brasil, mas, ao mesmo tempo, todo mundo quer Marília no palanque? Lupi não conseguiu explicar essa matemática para os jornalistas. Marília, por sua vez, não quis conversar com a imprensa na ocasião, dizendo apenas que a entrevista era só com o presidente.
O discurso de Lupi, ontem, foi confuso, assim como está confusa a articulação de Marília. Em 2020, protagonizou uma eleição duríssima contra o primo, João Campos, pela Prefeitura do Recife, com trocas de acusações pesadas e difíceis de esquecer. Saiu derrotada, mas o tempo passou, fez as pazes com João, o eleitorado aceitou e o jogo continuou. Há meses, inclusive, aparece ao lado de João em agendas, com direito a registros postados em blogs e redes sociais.
Em 2022, protagonizou outra dura campanha, dessa vez contra Raquel Lyra, pelo Governo de Pernambuco. Inclusive, não aceitou, na época, o pedido feito pela equipe de Raquel para adiar o início do guia eleitoral, uma vez que a então candidata Raquel Lyra vivia um momento de luto após a perda do marido, Fernando Lucena, que morreu no dia da eleição. E, hoje, na eleição seguinte, Marília estaria prestes a rodar o Estado em campanha ao lado justamente de Raquel? Aquela mesma Raquel que não moveu um dedo em prol da eleição do presidente Lula em 2022, mesmo com todo o universo sabendo qual seria o significado para Pernambuco de Lula ou Bolsonaro vencer? Ninguém sabe quem está mais confuso nesse jogo, que mais parece oportunismo eleitoreiro: Lupi, Marília ou a própria Raquel.


























