Por Larissa Rodrigues
Como era esperado, a segunda semana de março encerrou com um cardápio de fatos políticos em Pernambuco que demonstrou o clima de fervura nos bastidores, diante das negociações para a montagem das chapas dos principais grupos políticos do Estado e que disputarão a cadeira de chefe do Poder Executivo. A temperatura está mais alta porque o calendário eleitoral obriga que as decisões sejam tomadas a partir dos prazos da janela partidária e da desincompatibilização até 4 de abril.
Mas outros fatores contribuem para o cenário agitado: o acirramento entre os grupos da governadora Raquel Lyra (PSD) e do prefeito João Campos (PSB), algo perceptível desde os primeiros dias de gestão de Raquel, no início de 2023; a quantidade de estrelas para pouco céu nas vagas ao Senado; e a busca por segurança de quem vai disputar as vagas proporcionais.
Em resumo: ninguém quer perder a eleição, seja na disputa majoritária ou na proporcional, e todo mundo quer garantir o melhor espaço para encarar as urnas. Como disse ontem (13) a própria governadora Raquel Lyra, em entrevista à Rádio Pajeú, “nesse momento é todo mundo conversando com todo mundo”.
Nessas conversas, teve até ameaça de rebelião interna e debandada no PP, na última semana, com o deputado estadual Antônio Moraes declarando que deixará a sigla se o presidente estadual do Progressistas, o deputado federal Eduardo da Fonte, sair do grupo de Raquel Lyra para disputar o Senado na chapa de João Campos.
A declaração de Moraes corrobora informações de outros membros do PP. Em reserva, alguns já haviam revelado resistência à travessia de Dudu ao grupo do PSB, escancarando o acirramento e revelando a preocupação com os prefeitos aliados, muitos ligados a Raquel. Em contrapartida, mesmo com as discordâncias internas, o PP atraiu, na última semana, a deputada Gleide Ângelo, ex-PSB, uma liderança de prestígio e que chega à legenda com uma das pautas mais fortes deste ano: o combate à violência contra as mulheres.
No quesito “pouco céu”, a semana foi recheada de fatos, como a vinda do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, a Pernambuco, para defender o nome da ex-deputada Marília Arraes ao Senado em qualquer chapa que a receba. Como são muitas estrelas para apenas quatro vagas (duas na chapa de Raquel e duas na de João), o senador Humberto Costa, que já tem espaço garantido no grupo do prefeito, fez questão, na última semana, de reforçar publicamente que tem o apoio do presidente Lula (PT), ao divulgar o encontro com o líder petista na última quinta-feira (12), no mesmo dia das agendas de Lupi no Recife.
Já na questão “segurança”, o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Álvaro Porto, fez uma aposta na mudança ancorada pela janela partidária. Deixou o PSDB, no qual não sentia segurança de que conseguiria montar chapas competitivas, e ingressou no MDB, com direito à assinatura da ficha de filiação prestigiada, em Brasília. Porto achou que seria mais seguro disputar a reeleição no partido presidido nacionalmente por Baleia Rossi, visando também eleger seu filho, Gabriel Porto, a uma vaga na Câmara. As próximas semanas de março prometem ainda mais.


























