Após polêmicas na Bahia, projeto quer proibir entrada de militares israelenses no país

Três turistas foram presos durante um protesto em Itacaré, no sul do estado, no último sábado (14)

Por Maysa Polcri

Confusão em manifestação contra israelenses em Itacaré Crédito: Reprodução/Plantão de Notícias Itacaré

Os casos polêmicos envolvendo turistas israelenses na Bahia motivaram o envio de uma indicação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A

proposta

 prevê a proibição da entrada de militares de Israel no país. O texto alega que os turistas podem ser responssáveis pelo “genocídio” na Palestina.

A indicação propõe medidas concretas para proibir a entrada dos militares israelenses, como a identificação, pela Polícia Federal, daqueles que tenham participado de operações em Gaza e no Líbano. Além do impedimento imediato de entrada no país e articulação internacional para impedir que “envolvidos em genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade utilizem o Brasil como refúgio ou destino turístico”. A indicação é de autoria do deputado estadual Hilton Coelho (Psol).

O parlamentar afirma que a Constituição Federal estabelece a prevalência dos direitos humanos, a defesa da paz e o repúdio à violência como princípios das relações internacionais. Ele diz ainda que a Lei nº 13.445/2017 (Lei de Migração) já autoriza o impedimento de ingresso de estrangeiros envolvidos em graves violações.

No último sábado (14), três israelenses foram presos em Itacaré, destino turístico do litoral sul da Bahia, durante uma manifestação contra a presença de turistas de Israel na cidade. Vídeos gravados por moradores e visitantes registraram confusão e a ação da polícia no protesto.

O tema divide, inclusive, os moradores da cidade.Segundo a Polícia Militar, foram realizadas duas manifestações com posicionamentos opostos, em pontos distintos da cidade. Uma delas se posicionava contra a presença de turistas vindos de Israel. A manifestação contrária reuniu diversas pessoas na Praça das Mangueiras, uma das áreas mais movimentadas do bairro Pituba.

Parte dos comerciantes e empresários são favoráveis à chegada de turistas por questões, sobretudo, econômicas. Bares e restaurantes de lugares como Itacaré e Morro de São Paulo contam com cardápios em hebraico e bandeiras de Israel. Ao mesmo tempo, moradores já relataram casos de racismo, agressão e barulho praticados pelos israelenses.

Como já mostrou uma reportagem do CORREIO, as motivações para o turismo no Brasil têm relação com o serviço militar obrigatório em Israel: são dois anos para as mulheres e três para os homens. Muitos jovens costumam juntar os salários como reservistas para realizar mochilões ao redor do globo e o Brasil é um dos principais destinos escolhidos.

Além das belezas naturais e da infraestrutura turística, a adaptação do comércio local à demanda internacional, com restaurantes oferecendo cardápios em hebraico e pousadas com atendimento personalizado para israelenses, tem sido um fator determinante para a fidelização desse público.

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