Um parto que parecia sem fim

Magno Martins

O pernambucano Jorge Messias vai ter, enfim, seu processo retomado para ocupar a vaga de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), destravou, ontem, a indicação do ainda advogado-geral da União. A sabatina foi marcada para 29 de abril, segundo garantiu o senador Weverton Rocha (PDT-MA), relator da indicação.

Já na próxima quarta-feira será feita a leitura do relatório na Casa Alta. Jorge teve que esperar mais de quatro meses após o anúncio do seu nome pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A leitura do relatório marca o início formal do processo e abre caminho para a realização da sabatina e, posteriormente, da votação no plenário.

Weverton afirmou que vai conversar com Messias e seguir ajudando na busca de votos. O avanço ocorre após uma semana de intensificação da articulação política em torno do nome de Messias. O governo montou uma força-tarefa envolvendo o líder no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), o líder no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), que conversaram com Alcolumbre sobre o tema.

Como parte dessa estratégia, Messias participou, na noite de quarta-feira passada, de um jantar com senadores no Lago Sul, em encontro organizado por Lucas Barreto (PSD-AP). Ao longo da noite, cerca de 38 parlamentares passaram pelo local, em conversas reservadas voltadas a medir o ambiente na Casa.

Messias chegou acompanhado de Otto Alencar e de Jaques Wagner, e circulou entre os presentes em um ambiente desenhado para reduzir a formalidade da negociação. A presença do ministro do STF Cristiano Zanin foi interpretada como gesto de apoio ao indicado, ao cumprimentá-lo e conversar com os senadores.

O PIVÔ CEDEU – A decisão de Alcolumbre ocorre em meio a um movimento mais amplo de destravamento de indicações que estavam paradas na Casa. Nesta semana, o Senado aprovou 18 embaixadores e marcou sabatinas de indicados ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), sinalizando a retomada do fluxo de nomeações. Interlocutores atribuem a mudança de postura a uma combinação de fatores, incluindo a pressão do governo, a necessidade de reorganizar a pauta e o custo político crescente de manter indicações represadas. Alcolumbre também vinha sendo apontado como peça central no travamento do processo e passou, nos últimos dias, a sinalizar que não pretendia mais segurar o andamento do nome.

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