O risco eleitoral de ignorar o 6×1

Políticos da direita temem que o rótulo de “inimigo da folga” destrua candidaturas em outubro

O deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL, não mediu palavras ao classificar como “horrorosos” os textos das propostas que preveem o fim da escala 6×1. Mas não se engane: o que move a oposição e o Centrão de Hugo Motta não é apenas uma preocupação técnica com a economia ou com o trabalhador. O que dita o ritmo, na verdade, é o temor do impacto eleitoral.

Com a pauta ganhando força nas redes e nas ruas, a direita se viu em um beco sem saída. Votar abertamente contra a redução da jornada em pleno ano de eleições é um risco que poucos querem correr. A estratégia, então, virou o adiamento.

Sóstenes quer empurrar qualquer mudança para bem longe das urnas, sugerindo que a discussão e a implementação só ocorram em anos futuros. É o clássico “cozinhar o galo” para esvaziar o palanque do adversário e evitar que o governo fature politicamente sobre o tema.

A briga de narrativas é feroz. O PL ensaia discursos sobre o risco de desemprego, enquanto o PT contra-ataca usando uma bandeira historicamente cara à direita: a defesa da família. O argumento é direto: quem trabalha seis dias por semana, de forma exaustiva, não tem tempo para os seus.

No cotidiano de Brasília, enquanto Hugo Motta tenta equilibrar as pressões na presidência da Câmara, o governo aciona o regime de urgência para forçar uma definição.

No fim das contas, a preocupação real com o esgotamento do trabalhador parece secundária diante da disputa para ver quem leva o crédito junto ao eleitor.

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