Obra de posto da guarda municipal no Parque das Graças está abandonada há um ano; unidade da Rua da Aurora está desativada

Falta de prioridades da Prefeitura do Recife em relação à guarda municipal expõe descaso da gestão do PSB com políticas de prevenção na segurança pública

Do Blog Manoel Medeiro

A situação de dois postos de vigilância da Guarda Municipal do Recife, em áreas de grande visibilidade da capital pernambucana, expõe o sucateamento e o descaso da gestão do ex-prefeito João Campos (PSB) em relação às políticas de prevenção na segurança pública, responsabilidade da Prefeitura. Prometido desde março de 2024, o posto que sediaria a base 24 horas da Guarda no Parque das Graças está com as obras abandonadas desde o primeiro semestre do ano passado enquanto na Rua da Aurora a unidade inaugurada às vésperas do carnaval de 2020 está abandonada.

Obra de base da Guarda Municipal no Parque das Graças se arrasta desde 2024 e está abandonada

O status das duas unidades se soma a uma série de vácuos deixados pela Prefeitura, sobretudo nos últimos cinco anos, sublinhando a ausência de medidas do ex-prefeito na cooperação com os governos estadual e federal para o enfrentamento dos índices de violência. Embora como pré-candidato ao governo de Pernambuco esteja afirmando que “bandido não terá vez”, João Campos deixou a Prefeitura do Recife com o menor efetivo de guardas municipais dos últimos nove anos (cerca de 1,6 mil), não realizou concursos, além de ser alvo de críticas pela falta de valorização remuneratória dos agentes, muitos deles vinculados às funções de fiscalização de trânsito em detrimento da atuação de vigilância de espaços públicos como praças e parques.

No caso do Parque das Graças, a obra foi prometida por João Campos quando da inauguração da última etapa do Parque, em março de 2024. Na ocasião, a Prefeitura anunciou que seriam construídos dois quiosques com banheiros públicos e uma unidade para garantir o trabalho de guardas municipais na região.

Contratada pela Autarquia de Urbanização do Recife (URB) junto à construtora EKS Construções e Serviços Ltda., a unidade, que é uma obra de baixa complexidade, deveria ter sido entregue em três meses, mas se arrasta há quase dois anos. O contrato teve as obras paralisadas por atrasos no pagamento. Trata-se de uma intervenção – apenas em relação à unidade da Guarda, situada próxima à Rua Amélia – de cerca de R$ 150 mil.

Em relação à unidade da Aurora, foi inaugurada no último ano da gestão Geraldo Julio e prometia funcionar 24 horas com a presença rotativa de 48 guardas municipais. Desde meados do Carnaval deste ano, moradores da região – que sedia nos finais de semana um dos eventos gratuitos mais procurados pelos recifenses, a Feirinha da Aurora – notaram que o espaço estava desativado. A situação do equipamento é de sucateamento.

Inaugurado em fevereiro de 2020 para funcionar 24 horas, unidade da Rua da Aurora está sucateada e sem funcionamento desde o início de 2026

LEGADO? – A situação das políticas de segurança pública municipais no Recife deixada pela gestão Campos se equipara, dentro da possibilidade de comparação, com o legado da gestão do PSB à frente da segurança pública do Estado de Pernambuco, sobretudo nos oito anos da gestão do ex-governador Paulo Câmara, de quem João Campos foi chefe de gabinete.

Entre as marcas, o menor efetivo de policiais militares, a criação das faixas salariais – criando distorções de remuneração dentro da própria tropa -, a desvalorização dos policiais em início de carreira com um dos menores soldos base do País e o sucateamento de delegacias e de equipamentos de uso das operativas, como veículos, armamentos e coletes à prova de bala.

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