A maquiagem da Restauração derreteu

Por Magno Martins

Uma máxima na política é a de que, para render dividendos eleitorais aos governantes, as obras precisam ser vistas pela população. E Raquel Lyra (PSD) parece ter levado esse conceito a sério. Insatisfeita com a falta de repercussão da reforma de apenas dois andares do Hospital da Restauração (HR), que ninguém viu e acabou sucumbindo diante da continuidade dos problemas históricos da unidade, ela resolveu apostar na pintura da fachada, que causa impacto visual na Avenida Agamenon Magalhães, em pleno reduto de seu principal adversário nas eleições deste ano, o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB).

Desde 28 de abril, as redes sociais da governadora e de seu governo postaram à exaustão imagens da intervenção externa. Influenciadores e páginas patrocinadas pela gestão estadual também foram escalados para turbinar o conteúdo positivo, assim como a vice-governadora Priscila Krause (PSD). O ex-secretário Daniel Coelho (PSD) fez o mesmo, mas não teve muita sorte.

Ele publicou um vídeo elogioso sobre a fachada do HR na manhã de ontem, mas, horas depois, acabou desmoralizado pela notícia da queda de parte do forro de gesso de uma ala do 7º andar reformada recentemente.

Não é a primeira vez que o teto do HR desaba na gestão de Raquel Lyra. Em 15 de maio de 2025, parte do gesso que cobria um posto de enfermagem do 5º andar despencou. Em 26 de outubro, o problema aconteceu em uma copa do 4º andar.

Na mesma época, a recém-reformada Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Barão de Lucena, também no Recife, foi cenário de um incidente similar sobre duas incubadoras que estavam em uso, mas, por sorte, não houve feridos.

O episódio ocorrido na Restauração, contudo, é emblemático porque se abate sobre o Governo Raquel Lyra após quase quatro anos de gestão. Seria tempo mais que suficiente não só para intervenções profundas na unidade, mas para a governadora se empenhar no cumprimento de sua promessa de campanha, que projetava a reforma completa da unidade.

Até agora, só estão prontos dois andares inteiros e metade do 7º andar, exatamente onde houve o desabamento. Falta serviço em outros seis andares e meio, um ocaso melancólico para uma governadora que não costuma cumprir metas.

Com atrasos significativos tão perto de sua busca pela reeleição, faz sentido Raquel investir em pinturas de fachadas. O problema é quando a maquiagem derrete e revela a face real do problema, como aconteceu no HR, a máscara cai.

Para quem passa na frente, a pintura transmite a impressão de que vai tudo bem lá por dentro, desde que o cidadão não tenha a desventura de precisar de atendimento em corredores superlotados e com tetos desabando. Aí não tem obra de fachada que resista.

CONFRONTO RADICAL – Num claro sinal de que radicalizou a contenda aberta contra o Governo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não compareceu, ontem, ao lançamento do programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, no Palácio do Planalto, apesar de ter sido convidado. A ausência ocorre em meio ao agravamento da crise entre o senador e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Já o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), discursou e circulou ao lado de Lula, em gesto visto por aliados como tentativa de preservar a relação institucional com a Câmara.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *