“Não é estética, é saúde”: Paciente denuncia Bradesco Saúde por suspensão de tratamento da obesidade e reajuste de quase 90%

Bnews
A relação que deveria ser de segurança e pacificidade entre paciente e plano de saúde transformou-se em um pesadelo para Rosemary Brito e dezenas de outros beneficiários do plano Bradesco Saúde. Cliente desde novembro de 1999, ela foi surpreendida com a suspensão de seu tratamento no Hospital da Obesidade, localizado em Camaçari, Região Metropolitana de Salvador.
Em contato com a reportagem do BNews, a beneficiária informou que o motivo alegado pela unidade de saúde foi que a seguradora estaria há quatro meses sem realizar os repasses financeiros.

“Sentimento de abandono”
Rosemary, que realizava acompanhamento contínuo e possui laudos comprovando a necessidade médica do tratamento, relata o impacto devastador da decisão.
“Eu fiquei indignada porque fiz um tratamento que não é por boniteza, nem por estética, é saúde. Eu sou obesa, eu sou doente”, desabafa a paciente ao BNews.
Ela detalha que soube da suspensão por meio de uma mensagem enviada pela clínica, pouco antes de embarcar, já que possuía passagens compradas para dar continuidade aos cuidados. “Essa situação tem sido extremamente desgastante. A interrupção abrupta gera insegurança, ansiedade e sentimento de abandono, além de colocar em risco todo o progresso conquistado com muito esforço ao longo do tratamento”, afirma.
O mais revoltante é perceber que o paciente, mesmo pagando um plano de saúde, acaba tendo que lutar para garantir acesso a um tratamento necessário.
O corte no atendimento ocorreu no exato momento em que a paciente, com as obrigações financeiras em dia, enfrentou um reajuste financeiro. Ao completar 60 anos em abril, Rosemary viu o valor de sua mensalidade saltar de R$1.945,29 para R$3.685,85 em maio, um aumento de quase 90% de um mês para o outro.
“O meu plano de saúde não estava atrasado, mas agora está, porque eu pagava 2 mil e veio 3.685. Como é que você aumenta um plano nesse absurdo? Eles podem aumentar pra mais de 1.700 reais e têm o direito de cortar? De impedir que eu continue meu tratamento?”, questiona ao apresentar comprovantes de pagamento à reportagem.
Outros problemas com o plano
O histórico da paciente com o plano já acumula outros impasses. Ao BNews, ela relata que já chegou a ter exames negados em Salvador sob a justificativa de que o plano havia sido contratado em Alagoas. “[…] Isso não existe, no meu cartão diz nacional.”
Segundo Rosemary, isso a obrigou acionar a Justiça para garantir a cobertura nacional que consta em seu contrato. “E assim, eu preciso fazer a manutenção, como é que eu continuo com o meu tratamento se o Bradesco não tá cumprindo com a obrigação dele?”
Dezenas de pacientes afetados
Conforme noticiado pelo site Noticiário Baiano, a interrupção afeta diretamente pelo menos 57 pacientes. De acordo com a publicação, o hospital detalha que o bloqueio do suporte terapêutico coloca em risco beneficiários com comorbidades e diferentes graus de obesidade, havendo, inclusive, casos com sérios riscos de morte devido à falta de continuidade no acompanhamento médico.
O que diz o Bradesco Saúde
A reportagem do BNews entrou em contato formal com a assessoria do Bradesco Saúde cobrando explicações sobre as denúncias. A seguradora foi questionada sobre a falta de repasse de quatro meses ao Hospital da Obesidade, bem como sobre as alternativas imediatas para o encaminhamento dos 57 pacientes que correm risco de retrocesso clínico.
A reportagem também solicitou justificativas sobre o reajuste aplicado à mensalidade da paciente idosa e sobre a recusa em manter os serviços mesmo diante das normativas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que determinam a continuidade do atendimento em casos de problemas com prestadores.
Até o fechamento desta matéria, o Bradesco Saúde não emitiu uma nota oficial. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

























