Médico inclui ‘igreja’ em receita de antidepressivo para paciente em UPA
Caso ganhou repercussão após a receita ser compartilhada nas redes sociais e será analisado pela prefeitura
Por Carol Neves

Prescrição aconteceu após consulta Crédito: Reprodução e Divulgação
Um médico da rede pública de Piracicaba, no interior de São Paulo, incluiu a recomendação de frequentar “igreja” em uma prescrição entregue a um paciente de 22 anos que procurou atendimento com dores abdominais, dores na cabeça e no ouvido, além de paralisia facial. O caso ganhou repercussão após a receita ser compartilhada nas redes sociais e será analisado administrativamente pela Prefeitura.
No documento, o profissional relacionou os sintomas a um possível quadro de ansiedade e orientou o uso de fluoxetina 20 mg, acompanhado de uma lista de recomendações: alimentação, exercícios físicos, cuidar de si, igreja, terapia com psicólogo ou psicanalista e medicação. Ao final, acrescentou: “Observação: só fazer o uso da medicação se fizer todo o esquema”.
Segundo o portal G1, o paciente afirmou que não possui histórico de ansiedade, não abordou religião durante a consulta e se sentiu desconsiderado pelo médico. Segundo ele, o profissional teria descartado suas queixas físicas, atribuído os sintomas à ansiedade e passado a conversar apenas com sua mãe após ser questionado sobre o diagnóstico. “Ele falou que eu não estava com nada, que era ansiedade”.
O jovem relatou ainda que vinha sofrendo há mais de um mês com dores sem um diagnóstico definitivo. Depois do atendimento, feito na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Sônia, buscou assistência em outra unidade de saúde, onde iniciou tratamento com corticoides e fisioterapia facial. Também conseguiu encaminhamento prioritário para neurologista e gastroenterologista, enquanto a família procura atendimento na rede particular.
Em nota, a Prefeitura de Piracicaba informou que o caso será apurado e afirmou que o paciente recebeu avaliação clínica completa, incluindo exame físico, análise de exames, administração de medicamentos e encaminhamentos para continuidade do tratamento.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a referência à participação em atividades religiosas foi feita apenas como orientação complementar para fortalecimento de hábitos saudáveis, suporte emocional e manutenção de vínculos sociais, sem substituir o tratamento médico. O órgão também reforçou que respeita a autonomia do paciente, a liberdade de crença e a laicidade do serviço público, ressaltando que qualquer imposição religiosa na assistência não é admissível.
























