STF reage após Milei chamar Alexandre de Moraes de “lixo careca”

As declarações de Milei ocorreram enquanto ele criticava a decisão de Moraes sobre visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro.  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Instagram | Rosinei Coutinho/STF

Por Daniel Serrano

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, repudiou as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, contra o ministro Alexandre de Moraes durante a Convenção Nacional do PL, realizada neste sábado (25), em São Paulo. Na oportunidade, o argentino chamou o magistrado de “lixo careca”.

Em nota, Fachin classificou a fala de Milei como uma “referência desrespeitosa ao magistrado da mais alta Corte do País” e reforçou a autonomia do Poder Judiciário brasileiro.

“Tomei conhecimento da declaração do Presidente da Argentina sobre Ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil”, afirmou.

“Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”, completou Fachin.

Ataques durante convenção do PL

As declarações de Javier Milei ocorreram durante o evento que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

Convidado para discursar na convenção, o presidente argentino chamou Alexandre de Moraes de “lixo careca” ao criticar a decisão do ministro que negou autorização para que ele visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

“Estimado Jair, mando-lhe um abraço à distância. Tenho certeza de que, quando os obstáculos burocráticos forem superados, poderemos nos reencontrar e dar um abraço pessoalmente”, disse Milei.

“A Justiça brasileira não me permitiu visitar meu amigo injustamente encarcerado, quando Lula se cansou de receber dirigentes estrangeiros enquanto esteve preso, entre eles o então presidente da Argentina, Alberto Fernández. Isso não é nada além de mais uma clara demonstração da injustiça de sua detenção e do caráter vingativo de seus responsáveis”, emendou.

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