Hipnose pode tratar a depressão e as dores crônicas

HIPNOSE

Dos picadeiros aos consultórios

No final dos anos 1990, um aparelho de tomografia registrou o comportamento do cérebro durante o estado hipnótico. Desde então, a técnica deixou de ser vista como piada e passou a ser utilizada como recurso no tratamento de diversos quadros psicossomáticos. Seu efeito pode inclusive ser medido em exames feitos por tomografia por emissão de pósitrons (PET).

A SAGA DA HIPNOSE

980 – 1037
Avicena

A mente tem muita influência sobre a saúde do corpo. Esse conceito, conhecido na Grécia antiga e compartilhado pelos chineses e pelos romanos, ganhou forma definitiva com o filósofo e médico árabe. Suas obras se tornaram referência para as universidades europeias de medicina por 600 anos. Em uma delas, conhecida como Cânone da Medicina, ele explica a diferença entre o estado de sono e o transe hipnótico, que ele chama em árabe de “al-Wahm al-Amil”.

1734 – 1815
Franz Mesmer

A expressão “mesmerismo” faz referência ao pesquisador alemão que descreveu o transe e chegou a usá-lo para tratar uma paciente, Francisca Österlin. Mas ele caiu em descrédito por falhar em usar a técnica para curar um caso de cegueira. Morreu com a fama de charlatão.

1795-1860
James Braid

O escocês melhorou a teoria de Franz Mesmer e, em 1843, batizou a técnica em homenagem a Hypnos, o deus do sono. Sabe-se hoje que a hipnose não tem nenhum paralelo com o estado de sono.

1808-1859
James Esdaile

Na década de 1840, o médico escocês James Esdaile realizou mais de 300 cirurgias na Índia usando o “sono mesmérico” como única anestesia.

1856-1939
Sigmund Freud

As pesquisas de Braid estimularam pesquisadores como Sigmund Freud e Ivan Pavlov a usá-la como apoio para terapia. Freud foi usuário da técnica, até trocá-la pela livre associação de ideias da psicanálise.

1900-1967
Dave Elman

Comediante americano, lançou, em 1864, o livro Hipnoterapia, que ensinava a hipnose em três minutos e serviu de base para os métodos utilizados hoje pela medicina.

1901-1980
Milton Erickson

Nos anos 1960, a técnica ganharia fama e reconhecimento pelas mãos do psicólogo americano Milton Erickson. Marcado pela poliomielite, ele deu mais liberdade aos pacientes e criou a hipnose moderna.

1942-
Henry Szechtman

Junto com Pierre Ranville, provou que o processo funcionava, com um estudo realizado em 1997. Suas experiências demonstraram que a hipnose é uma simulação da realidade, que acontece quando estimulamos estados profundos da mente.

Ilustrações: Diego Sanches

O CÉREBRO EM HIPNOSE

A hipnose ganhou aval definitivo da ciência em 1997: o psiquiatra Henry Szechtman provocou alucinação auditiva e o neurologista Pierre Ranville fez voluntários colocarem as mãos em água fervendo. Usando a tomografia por emissão de pósitrons, os dois perceberam que o neocórtex estava ignorando os estímulos externos. Desde então, dezenas de pesquisas identificam outras áreas afetadas.

Passe o mouse sobre os itens para visualizar qual área do cérebro é afetada:

  • Aumento da atividade no:
    • » Córtex cingulado anterior
  • Diminuição da atividade de
    • » Córtex pré-frontal
    • » Córtex dorsolateral
    • » Precúneo

A FAVOR DA SAÚDE

A hipnose é um estado de atenção extrema: desligado dos estímulos externos, o cérebro pode ser induzido de forma a ajudar no tratamento de três tipos de problemas: alívio da dor, comportamentos indesejáveis e doenças psicossomáticas.

No primeiro caso estão pessoas como o inglês Alex Lenkei, hipnoterapista profissional que já passou por seis cirurgias sem anestesia. Mas a técnica também ajuda mulheres em trabalho de parto e é recomendada pelo Conselho Federal de Odontologia. No segundo caso, a hipnose atua para reduzir vícios e comportamentos compulsivos: com a guarda baixa, o paciente pode ser convencido a abandonar o jogo ou as drogas.

Por fim, problemas com base emocional, como o vitiligo, têm no transe hipnótico um aliado. A terapia estimula a produção dos moduladores imunológicos, moléculas que se ligam às células de defesa e evitam que elas ataquem tecidos do corpo.

Fonte: Veja

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