A ciência da corrupção
Opinião
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Em meio a tamanho assalto aos cofres públicos no Brasil da pandemia, cujo destinação do dinheiro era para salvar vidas ameaçadas pela Covid-19, recordei de uma frase lapidar do pai das diretas Ulysses Guimarães: “Não roubar, não deixar roubar, pôr na cadeia quem roube”, disse no discurso de promulgação da Constituição de 88 como o primeiro mandamento da moral pública. E acrescentou: “A moral é o cerne da Pátria. A corrupção é o cupim da República. República suja pela corrupção impune tomba nas mãos de demagogos, que, a pretexto de salvá-la, a tiranizam”.
Prostrado num plenário apinhado, estava eu lá como repórter para ouvir Ulysses dizer que aquela Carta Magna que acabara de sair do prelo não era perfeita, mas seria útil, pioneira, desbravadora. “Será luz, ainda que de lamparina, na noite dos desgraçados. É caminhando que se abrem os caminhos. Ela vai caminhar e abri-los. Será redentor o caminho que penetrar nos bolsões sujos, escuros e ignorados da miséria”, afirmou. Que pena que o Brasil que Ulysses sonhou, pregou e acreditou não deu certo.
Não deu certo em geral, com poucas exceções, os seus políticos. Inacreditável o que estamos assistindo hoje no Brasil. Num momento o vírus do demônio arrasta para o cemitério cerca de 50 mil almas, governadores e prefeitos são objetos de operações da Polícia Federal suspeitos de desvios fabulosos dos recursos federais que rechearam os cofres para ações que seriam de combate ao mal que a pandemia está fazendo no País. Enquanto se rouba, mais vidas são ceifadas sem respirar.
Respiradores que seriam a tábua de salvação viraram escândalo nacional porque, na verdade, só serviam para porcos, sem o selo da Anvisa. Ulysses proclamou: “A Nação quer mudar. A Nação deve mudar. A Nação vai mudar”. Mudou, é verdade, mas não como deveria. Assistimos a dois impeachments e um ex-presidente que liderou uma quadrilha preso, mesmo estando solto hoje. O que não mudou, entretanto, foi a consciência e o descerramentos cidadãos. A política brasileira continua lamentável.
Agride e nos fere de ódio ver tanto lamaçal disputado por políticos com cara de porquinhos nessa República anti-Ulysses Guimarães. Às vezes, dou razão ao meu avô Severo Martins, que era severo por natureza, quando dizia que odiava toda a forma de política e os políticos. Dizia que qualquer pessoa que entrava na política parava de pensar. “Política é a ciência da corrupção”, ensinava.
Por Magno Martins
























